O policiamento foi percebido ao retirar seis do local em meio ao show desta quinta-feira. Diante da cena, os fãs da Banda Eva pararam para vaiar o grupo detido na Avenida Oceânica.
SAIDINHA CARNAVALESCA
"Sem liderança, o governador Jaques Wagner não evita a greve da Polícia Civil em pleno Carnaval. Pior para o povo baiano, porque os bandidos não estão dando trégua. Durante a festa, a bandidagem está trocando a ‘saidinha bancária' pelo ‘toma abadá' para desespero dos foliões", alerta o presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, José Carlos Aleluia.
Para Aleluia, várias gangs estão tirando o sossego de baianos e turistas, usando o mesmo modo de operar das saidinhas bancárias,. "É um horror! As pessoas compram seus abadás e, depois que os pegam nos pontos de entrega, são assaltadas".
O problema maior, na opinião do vice-presidente nacional do Democratas, é que, com a Polícia Civil em greve, fica difícil a desarticulação e a prisão dos componentes dessas gangs.
"É preciso um trabalho de investigação e inteligência para prender esses bandidos. E isso é papel da Polícia Civil. Não adiantar destacar soldados da Polícia Militar para os pontos de entrega para realizar um policiamento ostensivo, porque a ação criminosa não se dá lá", comenta Aleluia.
O presidente da Fundação Liberdade e Cidadania lamenta que episódios deploráveis, como o ‘toma abadá', estejam contribuindo para a projeção de uma imagem negativa da Bahia, principalmente no período de uma festa tão especial quanto o Carnaval de Salvador, que é conhecida mundialmente. "Mas o governador parece que não está muito preocupado com isto".
INSEGURANÇA
"A falta da Polícia Civil só aumenta a insegurança", lamentou o mecânico Aloísio Lopes, 31, que por volta das 23h de quinta-feira, 3, saía no bloco Alerta Geral, no Campo Grande. O folião comentava a paralisação nas duas delegacias localizadas na região dos principais circuitos do Carnaval (1ª CP, nos Barris, e 14ª CP, na Barra), por decisão dos policiais civis, em protesto pela morte do investigador Valmir Borges Gomes, 52, anteontem à noite, na Pituba, numa operação de colegas que investigavam denúncia de extorsão praticada por Gomes.
A decisão de cruzar os braços foi tomada em assembleia realizada no Cemitério Bosque da Paz, após o sepultamento do policial, no fim da tarde. Pela manhã, a categoria já havia indicado a intenção de parar, o que levou o Estado a recorrer. Atendendo mandado de segurança da Procuradoria Geral, a Justiça considerou a greve ilegal e fixou multa de R$ 100 mil por dia parado ao Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (Sindpoc).
"É um movimento que aproveita o Carnaval para fazer apologia a um ato delituoso", contra-atacou o titular da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Maurício Teles Barbosa, que reuniu a cúpula da pasta e jornalistas, no horário do sepultamento (17h). "Foi um ato criminoso praticado por pseudopoliciais, e isto nós não vamos tolerar", sustentou Teles. Segundo ele, Valmir teria reagido.