Política

OTTO ALENCAR PISA EM CRISTAIS NA GALERIA DOS ESPELHOS E AGUARDA LULA

É o que comenta o jornalista Tasso Franco
Tasso Franco , Salvador | 03/03/2022 às 10:00
Galeria dos Espelhos de Versalhes
Foto: REP
     O senador Otto Alencar (PSD) está sentindo na pele o que significa, de fato, o PT quando a missão é apoiar um aliado não petista à chapa majoritária a governador da Bahia, no caso, ele próprio, um fiel aliado de 15 anos. 

   O martelo já teria sido batido na reunião de São Paulo com o 'poderoso chefão', Lula da Silva e as presenças do ex-governador Jaques Wagner, do governador Rui Costa e do vice-governador João Leão, uma admissível chapa com Otto na cabeça, Rui ao Senado e um pepista na vice, com Leão assumindo o governo por 8 meses.

  Essa chapa, no entanto, encontra resistência de deputados petistas e do diretório estadual do PT na Bahia, comandado por Wagner, que não admitem uma mudança na cabeça da chapa, preferindo, prioritariamente, Wagner, e que, se mudança houver, a cabeça da chapa terá que ser ocupada por outro petista, ventilando-se os nomes de Moema Gramacho, prefeita de Lauro de Freitas, Luis Caetano, secretário das Relações Institucionais do governo, e do deputado Jorge Solla, ex-secretário de Saúde do governo Wagner.

   E, Wagner, por conseguinte, já disse que não será mais pré-candidato a governador, porém, aguarda uma decisão do seu partido não sabando os mortais se da direção estadual; ou da direção nacional. Ou seja, morde e assopra o balão até que Lula, ao que se supõe, bata o martelo de uma vez por todas sobre a chapa, o que poderá acontecer na próxima semana quando retornará de uma viagem ao México.

  Era de se supor que, anunciada a desistência de Wagner, por ele próprio, e o desejo de Rui em ser candidato ao Senado, ainda não explicitado de forma pública aos eleitores, e mais a bandeira branca estendida a Leão confortando-o com 8 meses na titularidade do governo, que os petistas, de maneira integral, apoiassem o nome de Otto a governador. 

   Mas, o que estamos vendo é uma mobilização interna dos petistas baianos resistindo ao nome de Otto, referendando o nome de Wagner; e/ou quando não Wagner, um outro petista na cabeça.

  Otto é um político experiente e sabe que todas essas dissidências podem ser equacionadas pela voz suprema do PT, Luis Inácio Lula da Silva. Mas, será que Lula vai fazer isso mesmo sabendo que os petistas da Bahia, em boa parte, não querem Otto? 

   É provável que sim, pois, o objetivo de Lula é eleger-se presidente da República. Se, para isso, Otto for o melhor para seu projeto nacional será Otto e ele comandará o anúncio da chapa vindo a Bahia ou reunindo-se com as partes em São Paulo.

  Enquanto isso não acontece vive-se esse mal estar. O governador Rui Costa está fechado em copas. Leão, nada comenta. E, Wagner, pré-candidato ainda vivo, diz que já renunciou a cabeça, mas, a palavra final é do PT. 

  Otto caminha numa sala repleta de cristais e não pode dar um passo adiante de maneira apressada para não quebrar um deles. Está no salão dos espelhos de Versalles olhando todos os lados e vendo-se no centro das decisões com andar lento e calculado.