Poucas pessoas sabem quem é São Francisco Xavier, o padroeiro imposto pelos jesuítas que destronou Santo Antônio, o verdadekiro ´padroeiro
Tasso Franco , da redação em Salvador |
11/05/2026 às 19:24
Poucas pessoas sabem quem é São Francisco Xavier, o padroeiro imposto pelos jesuitas
Foto: CMS
A Câmara Municipal e a Arquidiocese de São Salvador da Bahia realizaram, neste domingo (10), a celebração em honra a São Francisco Xavier, padroeiro da capital baiana e do Legislativo da capital. A solenidade marcou os 340 anos da oficialização do santo como protetor da cidade e reuniu autoridades civis, religiosas e fiéis na Catedral Basílica, no Centro Histórico.
A programação contou com missa solene presidida pelo cardeal Dom Sérgio da Rocha, às 10h, seguida de procissão pelo Terreiro de Jesus, reforçando uma tradição secular mantida pela Câmara desde o século XVII.
A relação histórica entre Salvador e São Francisco Xavier teve origem em 1686, quando a cidade enfrentou uma grave epidemia de febre amarela, conhecida à época como “mal do bicho”. Diante da crise sanitária, os vereadores do então Senado da Câmara fizeram um voto solene: caso a peste cessasse, o santo missionário seria proclamado protetor oficial da cidade.
Com o fim da epidemia, a promessa foi cumprida. Em 10 de maio de 1686, uma bula do Papa Inocêncio XI confirmou oficialmente o padroado de São Francisco Xavier sobre Salvador. Desde então, a Câmara Municipal assumiu a responsabilidade histórica de promover anualmente as celebrações em homenagem ao santo, unindo tradição religiosa e memória institucional.
Significado histórico e espiritual
Durante a celebração, Dom Sérgio da Rocha destacou o significado histórico e espiritual da devoção ao padroeiro. “Em Salvador, tradicionalmente, o Senhor do Bonfim é considerado o padroeiro, mas São Francisco Xavier merece reconhecimento, pois interveio para livrar a cidade de uma epidemia de febre amarela. Até hoje conservamos essa gratidão. Na época, foi decretado padroeiro da cidade, com confirmação papal, um voto renovado anualmente”, afirmou.
O cardeal também ressaltou a forte tradição religiosa da capital baiana e a convivência entre diferentes manifestações de fé popular. “Em Salvador, Nossa Senhora do Bonfim e Nossa Senhora da Conceição também são figuras de grande devoção. Sabemos que a cidade é marcada pela presença de santos importantes, como Santa Dulce dos Pobres. No coração do povo, há lugar para todos”, declarou.
Representando o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), a vereadora Marta Rodrigues (PT) disse que “esse é um momento histórico e de grande tradição para Salvador e para a Câmara Municipal. Renovamos nossos votos a São Francisco Xavier para que possamos continuar servindo à população e à cidade que tanto amamos”, afirmou.
O secretário municipal de Inovação e Tecnologia e vereador licenciado, Alberto Braga (União), destacou o simbolismo da celebração para o Legislativo. Ele também ressaltou a coincidência da celebração com o Dia das Mães e as homenagens aos agentes de turismo. “Este é um instante especial, dedicado também às mães e aos guias turísticos, profissionais que desempenham um trabalho importante para nossa cidade”, acrescentou.
O vereador Kel Torres (Republicanos) também participou da celebração e destacou a relevância da data. “Esta tradição secular dedicada a São Francisco Xavier. É uma grande bênção e uma honra participar deste momento especial, celebrado também em consonância com o Dia das Mães”, disse.