Cultura

“SEM:TERRA”, DO COATO, ESTREIA NO ESPAÇO CULTURAL DA BARROQUINHA

Espetáculo “SEM:TERRA”, do COATO Coletivo, estreia no Espaço Cultural da Barroquinha
Kaô Comunica , Salvador | 05/05/2026 às 11:08
“SEM:TERRA”, do COATO Coletivo
Foto: Divulgação

Entre terra revolvida e corpos em deslocamento, “SEM:TERRA” surge como um rito cênico que convoca memória, conflito e sonho coletivo. A nova peça performativa do COATO Coletivo estreia em Salvador como parte do projeto Território Expandido: Arte Local e Global , ocupando o Espaço Cultural da Barroquinha, com temporada de 08 a 17 de maio, sempre às 19h (com exceção dos dias 10 e 11 de maio). 

Em cena, uma instalação performativa que tensiona a relação entre humanidade e terra, propondo ao público uma travessia sensível por disputas, memórias e utopias. Os ingressos custam a partir de R$ 10 (dez reais) - venda pelo SYMPLA, com sessões acessíveis que contam com audiodescrição e Libras.

A obra - que se lê “Sem dois pontos Terra” - integra a segunda etapa do projeto Território Expandido, iniciativa que marca uma nova fase para o COATO ao ser seu primeiro edital de manutenção, numa prática que articula arte, política e presença entre o local e o global. 

Nesta “caminhada” em busca da expansão do corpo-território, a peça performativa “SEM:TERRA” é composta pelos intérpretes do elenco Ana Brandão (SP), Bernardo Oliveira (BA), Danilo Lima (BA), Ixchel Castro (México), Marcus Lobo (BA), Mario Oliveira (PE), Mirela Gonzalez (RS), Natielly Santos (BA), Thiago Cohen (SP). 

A quatro e seus atravessamentos


Concebido como uma criação coletiva, “SEM:TERRA” acontece por meio de uma instalação cênica que propõe um reencontro humano e artístico. A peça aborda, de forma poética e crítica, as relações complexas entre o ser humano e o território, transitando entre uso, disputa, ocupação e exploração da terra, ao mesmo tempo em que honra e celebra a Terra como mãe e origem de tudo que conhecemos. 

A luta imposta pelo capital atravessa conflitos identitários, sociais, históricos e políticos, enquanto memória, utopia, processos contra-coloniais e lutas coletivas fazem contraponto na tentativa de criar “um mundo onde caibam muitos mundos”, como propõe o movimento indígena zapatista EZLN.

A tramaturgia de “SEM:TERRA” se estrutura em três grandes blocos performativos-narrativos que se sobrepõem como camadas de um mesmo território simbólico, assinados coletivamente por Bernardo Oliveira, Ixchel Castro, Natielly Santos e Marcus Lobo. No primeiro movimento, a cena reflete sobre o percurso dos povos até a crise contemporânea. 

O que você ajuda? Entre lutas e ideologias contrastantes, imagens mediadas pela câmera fotográfica recriam paisagens de resistência cotidiana, precariedade e trabalho, enquanto o plantio e a divisão da terra aparecem como faces opostas de uma mesma moeda: colaboração e disputa, bem comum e posse excludente. Aqui a memória intergeracional ativa-se e o que se sente é a dor ancestral-contemporânea. 

Um jogo cênico está instalado. Os grandes espetáculos midiáticos e a lógica da representação social. Personagens-arquétipos, em chave brechtiana, evidenciam os papéis impostos pelo sistema, enquanto dados, perguntas e situações inspiradas na realidade brasileira colocam o público em posição ativa, influenciando diretamente as decisões em cena. Nesse território instável, o capital se revela como força estruturante de privilégios, oportunidades e exclusões, transformando corpos em avatares de um “cis-tema” que explora o corpo-terra até suas últimas consequências.

Terceiro bloco. O último movimento. A cena nos leva para o campo da memória - o espaço da utopia coletiva. Sob o céu de uma lona preta são construídas imagens que evocam sonhos compartilhados: o voo dos pássaros no fim da tarde, a busca incessante de mães por corpos desaparecidos, o refúgio precário daqueles que produzem alimento sem direito à terra. 

Entre instabilidades geracionais e promessas de futuro não cumpridas, “SEM:TERRA” aposta no sonho coletivo como gesto político e poético de reinvenção do mundo — uma fé ativa de que agir desde a própria trincheira pode incendiar a realidade, como no “mar de fogueirinhas” de Eduardo Galeano. É a partir dessa perspectiva que o COATO Coletivo transforma a cena em espaço de encontro, escuta e diálogo com o público. 

concreto e Circulação


Essa ética atravessa o “Território Expandido: Arte Local e Global”, projeto que reafirma a arte como prática de presença, permanência e ocupação simbólica dos territórios, conectando corpo, memória e história diante das urgências do mundo contemporâneo. Vale pontuar que o projeto teve início com a circulação comemorativa entre os meses de agosto e outubro de 2025 do espetáculo Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura , que percorreu Lençóis, Barreiras e Cachoeira, articulada à realização do Lab.Ex – Laboratório de Experimentação Cênica nesses territórios. 

A primeira etapa do projeto foi concluída em janeiro de 2026 com o Liquidificador de Mídias, com o tema “Expansão de territórios artísticos: entre o local e O Global”, realizado na Casa do Benin, em Salvador, consolidando um tripé de circulação, formação e encontro que marca a retomada e a manutenção das ações do COATO Coletivo.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizado com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

COATO


Fundado em 2013, na Escola de Teatro da UFBA, o COATO Coletivo consolidou ao longo de sua trajetória uma poética baseada na criação colaborativa, na hibridização de linguagens e no tensionamento constante entre arte e política. O grupo desenvolveu obras como Estrelas Derramadas (2013), Arquivo 64/15 – Porões da Ditadura (2015), Maçã (2016), Eu é Outro: Ensaio sobre Fronteiras (2017), Norte/Sur (2017) e Inimigos (2021).

Além dos espetáculos, o COATO é responsável pelo Festival Estudantil de Artes Cênicas da Bahia (FESTAC), realizado desde 2017 em parceria com o COOXIA Coletivo Teatral. Com o Território Expandido, o grupo reafirma sua atuação como um organismo artístico em constante posicionamento, comprometido com uma arte descentralizada, crítica e plural.

SERVIÇO


O quê: Espetáculo “SEM:TERRA” - do COATO Coletivo Local: Espaço Cultural da Barroquinha – Salvador (BA) Temporada: 08 a 17 de maio de 2026, às 19h (exceto dia 10 e 11) Ingressos: a partir de R$10 (meia) - Sympla | https://www.sympla.com.br/evento/sem-terra-espetaculo-do-coato-coletivo/3398297 ? share_id=copiarlink Acessibilidade:



 

Todas as sessões terão acessibilidade em Libras

Sessões com audiodescrição: Dias 08, 09, 16 e 17

Mais informações: Instagram – @coatocoletivo

* Os ingressos também estão sendo vendidos na bilheteria do teatro, sujeitos a loteação.

Ficha Técnica

Encenação: Coato Coletivo

Provocação: Bernardo Oliveira

Tramaturgia: Ixchel Castro, Natielly Santos, Bernardo Oliveira, Marcus Lobo

Elenco: Ana Brandão, Bernardo Oliveira, Danilo Lima, Ixchel Castro, Marcus Lobo, Mario Oliveira, Mirela Gonzalez, Natielly Santos, Thiago Cohen

Preparação corporal: Ana Brandão, Thiago Cohen

Candidato: Marcus Lobo

Trilha sonora: Mirela Gonzalez

Cenografia: Coato Coletivo

Figurino: Coato Coletivo

Produção: Mirela Gonzalez, Ixchel Castro, Marcus Lobo

Desenho, mídias e redes sociais: Mário Oliveira

Assessoria de imprensa: Kaô Comunica

Vídeo: Lucas Sato

Foto: Enzo Karin

Mediação: Silara Aguiar, Shirley Camaraza

Acessibilidade: Taiane Alves, Allan Gandarela

Residências de criação: Caboclo de Cobre, Cassius Cardozo