Cultura

THOMÉ ESPIA COM DESCONFIANÇA ESSE FORROBODÓ QUE NUNCA HOUVE EM SSA

A tradição junina (a reza) na Bahia data do século XVI segundo Fernando Cardim, o jesuita
Tasso Franco ,  Salvador | 15/06/2026 às 11:16
Salvador com decoração do interior e a estátua de Thomé de Souza embandeirada
Foto:

  Em frente a Câmara de Vereadores há uma estátua de Thomé de Souza (vide foto) o governador Geral do Brasil, 1549, que veio para a Bahia com a finalidade de implantar a cidade fortaleza do Salvador. E assim, cumpriu sua missão com a ajuda do mestre de obras Luiz Dias e os artífices que trouxe de Portugal. E, mais alguns tupinambás.

   As celebrações de São João em Salvador começaram no século XVI, trazidas pelos jesuítas e colonizadores portugueses. A Bahia registra as primeiras menções oficiais a esses festejos no Brasil, descritas pelo jesuíta Fernão Cardim em seu Tratado da Terra e da Gente do Brasil (1584). 

   Mas, é evidente que se tratava de festejos religiosos: reza, cânticos e acender de fogueiras que simboliza o nascimento de São João Batista. Segundo a tradição católica, Santa Isabel acendeu uma grande fogueira no alto de uma colina para avisar sua prima, Maria, sobre a chegada do bebê. São João nunca foi (nem é) um santo pouco cultuado em Salvador. A Paróquia de São João fica na Vila América, Vasco da Gama, a que conheço; e existe a Paróquia de São João Evangelista, no bairro Mussurunga (não conheço).

    A Igreja Católica introduziu as festividades para substituir antigas celebrações europeias de solstício de verão por ritos aos santos do mês (Santo Antônio, São João e São Pedro). Na Bahia, o catolicismo se misturou com as culturas indígena e africana, adaptando a data com comidas à base de milho e ritos de agradecimento pelas colheitas – amendoins, laranjas, etc. 

  A Festa Popular

   O que inicialmente era uma festividade religiosa com base familiar passou a incorporar elementos como a contradança europeia, que originou a quadrilha junina. A partir da segunda metade do século XX, o evento ganhou forte apelo turístico e o formato de grandes arraiais, especialmente nas cidades do interior baiano.

   O forró surgiu no final do século XIX, nos bailes populares do sertão nordestino. O termo deriva da abreviação da palavra "forrobodó", que significa farra ou arrasta-pé. O ritmo e a dança foram consagrados em quase todo o Brasil na década de 1950, principalmente através do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga.

   Historicamente, o forró tem raízes nos bailes populares realizados em áreas rurais, frequentemente em pisos de "chão batido" (terra). Para evitar que a poeira subisse, os dançarinos arrastavam os pés, dando origem ao famoso passo do "arrasta-pé" ou "rastapé". A palavra é, na verdade, uma simplificação popular de forrobodó, um termo que já era utilizado no século XIX para descrever festas informais com muita música e dança.

  . Outra lenda famosa, mas considerada incorreta pelos historiadores, é a de que a palavra viria da expressão em inglês for all ("para todos"), usada por engenheiros britânicos que construíam ferrovias em Pernambuco. Consolidação como Gênero Musical (Anos 1940-1950).
   
   Na forma como conhecemos hoje, o forró foi criado e formatado por Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião". Ele popularizou o ritmo a partir dos anos 1950 e definiu a formação clássica do trio de forró: Sanfona: responsável pela melodia; Zabumba: marcação do ritmo; Triângulo: o acompanhamento agudo.
  Foi nessa época que composições clássicas começaram a ser lançadas, como a música "Forró de Mané Vito" (1950), ajudando a consolidar o nome "forró" no cenário nacional.

   Salvador não é Recife; nem Fortaleza as capitais do forró. O forró se tocava e dançava mais no interior da Bahia (regiões Nordeste e Norte) do que na capital. Em Salvador nunca teve grandes forrobodós ou forrós ou São Joões. 

  Só recentemente, no embalo da politica é que a cidade se enfeita e faz alguma coisa, como agora, o Arraiá da Prefs (mais tropicalista do que nordestino) e os shows bancados pelo governo.

   Surgiram também nesse embalo, um pouco antes, os grupos de sambas juninos de rua que mais parecem antigos cordões carnavalescos. Já tivermos, também, um Arraiá da Capitã no estilos showzões privados de uma empresa de comunicação. 

   É nesse passo do compasso que estamos hoje, Thomé de Souza (a imagem) embandeirada e o fidalgo (o espírito) apreciando esses festejos. (TF)