Cultura

SALVADORES, CONTO 11: 525 ANOS DEBATENDO A BAÍA DE TODOS OS SANTOS -TF

Debates começaram com Amércio Vespúcio em 1501 e seguem sem data para se encerrar
Tasso Franco , Salvador | 05/05/2026 às 11:40
Pintura a óleo de TF sobre o Porto da Barra, Baía de Todos os Santos
Foto: BJÁ

  Salvadores tem 525 anos discutindo o que fazer com a Baía de Todos os Santos descoberta e cartografada por Américo Vespúcio pela primeira vez por um europeu, em 1501.

  Era chamada pelos moradores locais – tupinambás - de Kirimurê - e o primeiro debate sobre o achado se deu no momento em que Vespúcio iniciou o trabalho cartográfico do local e apontou que se tratava de um golfo e Gaspar de Lemos, o comandante da expedição exploratória da costa do Brasil, contestou e disse que pela dimensão se tratava de uma baía. 
  
   E como era dia 1º de novembro de 1501 e não havia construções à visa, salvo as árvores da Mata Atlântica, pássaros, pedras, a areia da praia e as ondas do mar a se chocarem nas encostas lambendo as plantas decidiram que seria Baía de Todos os Santos, justo por ser 1º de novembro - dia de Todos os Santos - e os navegadores cristãos católicos.

  Retornaram a Lisboa depois que desceram mais ao sul do Brasil onde denominaram outros locais com nomes de santos inclusive uma localidade que denominaram Espírito Santo. Quando chegaram na Baía de Guanabara acharam que eram um rio e estavam a 2 de janeiro colocaram o nome de Rio de Janeiro e assim fiou até os dias atuais, embora, naquela época, 1502, não houvesse distinção entre rios, golfos, baías.

  Em Kirimurê os tupinambás continuaram  em suas aldeias até que, em 1510, franceses que comercializam madeira na Europa deixaram nas terras de um porto natural que se chamou de Barra um grumete português chamado Diogo Álvares, que foi o primeiro técnico do comércio internacional e só muitos séculos depois foi que uma universidades de Salvadores criou o curso de comércio exterior, num atraso fenomenal.

  - Deixe-me! Quero ouvir essa história por completo - disse vovô Acácio Góes Estrada a netinha Firmina Góes Estrada que o chamava para retornarem à sua casa, ele que estava sentado na borda do pedestal de um canhão do passado nas proximidades do Forte de Santa Maria, no Porto da Barra, e ouvia do historiador e cartógrafo Adimoel Mayor - emérito professor da Escola Politécnica - a história de como já se passaram 525 anos de debates sobre o aproveitamento da Baía de Todos os Santos.

  - Vô, o sol está quente e a baiana Neide já preparou nosso acarajé, vamos embora, que o professor Adimoel contra a história outro dia.

  - Agora, não. Vamos ouvir mais um pouquinho o que ele narra e depois iremos aos acarajés e para casa.

  Seguiu a narrativa o cartógrafo: - Esse Diogo era um aventureiro desses bem espertos e ficou admirado com o paraíso tropical onde se encontrava com os tupinambás vivendo pelados e foi se dando bem com eles, aprendendo a língua, também usando seus atributos sex e se amasiando com uma tupinambá.

   Todo mundo vivia sem conflitos e ele deu de presente a ela um espelho e a jovem ficou admirada com a sua cara, com sua beleza, seus dentes brancos que já vira no espelho d’água, e esse Diogo, que era um homem forte e cortava madeira com os nativos, negociava com um navegador francês chamado Jaques Cartier que era de Saint-Malo e toda vez que vinha a costa brasileira levava dois batelões de madeira para a França. 

   E, já naquela época, Cartier combinou com Diogo em dar um melhor aproveitamento da baía instalando um atracadouro de melhor qualidade construído com pedras, como em Saint Malo ou Dieppe, o que não aconteceu uma vez que numa dessas viagens, em 1525, os ventos levaram as naus de Cartier para o Norte e ele acabou descobrindo o Canadá. Com o passar dos anos e as riquezas que por lá encontrou, desprezou a Baía de Todos os Santos.

   - Acácio então quis saber o que aconteceu com Diogo enquanto Firmina, que adora acarajés, se dirigiu a tenda de Neide, saboreou um completo e ficou admirando o vai e vem das pessoas que iam para a praia, esperando o término da fala do professor Adimoel . Depois, se juntou novamente a eles e ficou astuciando a conversa-aula.

   - Ele permaneceu no Brasil para sempre e foi sepultado na Basílica Primacial da Sé. Recebeu do rei de Portugal Dom João III uma sesmaria no território dos atuais bairros da Barra e Graça, constituiu as famílias mais poderosas da Bahia com Catharine du Brézil, a tupinambá que foi morar com a família Cartier na França e foi batizada com esse nome Catherine em homenagem a esposa de Cartier que se chamava Catherine des Granches, retornou a Bahia depois de 6 anos morando em Saint Malo onde se tornou católica e quando voltou ergueu a capela de Nossa Senhora da Graça, tiveram filhas, foi rebatizada com o nome de Catharina Paraguaçu e quando esta morreu passou a sesmaria para os beneditinos. 

    Diz-se que o abade da época 1587 disse para ela que sua entrada no reino dos céus, de Deus, estaria garantida se fizesse essa doação (uma graça divina) e está sepultada neste local, hoje, igreja de Nossa Senhora da Graça, no bairro do mesmo nome.

  - Espertos esses monges de São Bento- apimentou a conversa Acácio – querendo saber mais sobre a baía, Catharina Paraguaçu e a igreja de Nossa Senhora da Graça.

 - Espertíssimos. Chegaram a Salvador pobres e em pouco tempo estavam ricos diante doações generosas para erguer o mosteiro inclusive herdaram todos os bens de Gabriel Soares de Souza – obtemperou Adimoel. 

   E seguiu sua narrativa: - Novo episódio com os tupinambás e a ocupação da Baía de Todos os Santos só vai acontecer com a chegada do donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, quando Dom João III, filho de Dom Manoel, o Venturoso, reinado em que se descobriu o Brasil, em 22 de abril de 1500, decidiu dividir o país em capitanias hereditárias com o objetivo de administrar o território dando terras de graça aos fidalgos de sua Casa Real - de mão-beijada como se dizia - claro desde que eles também engordassem os cofres da Coroa com impostos.

   Essas capitanias não vingaram e na Bahia, esse Pereira Coutinho, chamado de “Rustição”, um bruto - um cavalo batizado - se desentendeu com os tupinambás e com Diogo Alvares porque queria que os nativos trabalhassem plantando cana para a produção de açúcar, e os tupinambás viviam no paraíso, no éden bíblico - dormindo, comendo e trepando - disseram que não iriam fazer isso, não eram escravos, e depois de uma revolta onde queimaram casas na Vila Velha do Pereira, na Barra, fumaram o cachimbo da paz e viajaram numa chalupa até Porto Seguro para conversarem com o donatário de lá, Pero de Campos Tourinho.

  No encontro, Pero mandou que eles tomassem juízo, que tinha seus inúmeros problemas a resolver, e que voltassem e acalmassem os tupinambás, e nesse retorno a chalupa se chocou com pedras em Itaparica e os dois e demais marinheiros caíram n’água e nadaram até a praia, e os tupinambás da ilha mataram a todos, menos Diogo, que era amigo, já fornicava com Catharina, era querido, e comeram as carnes de Pereira Coutinho cozinhadas num panelão de barro com sal e ervas.

  - Que horror – disse a neta de Acácio – admirada com essa atitude dos nativos em comer carne humana e o eminente cartógrafo disse que isso era corriqueiro, quando eles brigavam entre si devoravam os prisioneiros em cerimônia festiva e era uma festa mais bonita do que as atuais do Cerimonial Punha Guedes, e diante desse impasse o rei se retou e resolveu instalar um governo Geral na Bahia enviando para acá um militar de carreira, Thomé de Souza, um arquiteto Luís Dias, homens em armas, artífices e a burocracia com gente para a justiça e para administrar o local, e incentivou importar escravos da África, o que foi feito a partir da chegada de Thomé, em 29 de março de 1549, na Baía de Todos os Santos, no atual Porto da Barra onde desocupados jogam vôlei com frequência e batem pontinhos com uma bola à beira mar.

  - Acássio vibrou com essas informações, acendeu um charuto Dona Flor robusto e pediu a sua netinha que fosse ao Bar das Putas e comprasse um cooler de cervejas em lata, que o contador da história estava com sede, e quis saber detalhes como foi a construção da cidade do Salvador e este contou a  história, resumidamente, porque era muita coisa e narrou tintim por tintim a construção da cidade fortaleza no meio da Mata Atlântica, longe da beira mar, num altiplano, 70 metros de altura para a baía, onde instalou seus canhões e o palácio residencial e de despachos, e, evidente, trouxe as naus para o interior da baía, fundou um porto que se chamou Ribeira do Góes, porque o administrador dos negócios da coroa se chamava Pero de Góes, instalou uma casa da Anfândega e essa foi a primeira ocupação de sucesso da Baía de Todos os Santos, e depois começaram a chegar mais naus de Lisboa e de outras cidades da Europa, muitas naus com escravos da África, do Benin, do Congo, de Angola, e no decorrer dos anos seguintes com o incremento dos engenhos instalados no Recôncavo a Baía de Todos os Santos se tornou importante, conhecida, e era o Porto Sul mais relevante das Américas.

  - Creio que a partir dessa iniciativa a Baía de Todos os Santos deslanchou – comentou Acássio – já saboreando uma gelada r dando baforadas no fumo.

  - Deslanchar, deslanchou, mas só como ancoradouro. Vieram muitos problemas adicionais se tornando um foco de doenças, um pinicão porque toda merda se jogava nela, e teve uma outra questão adicional quando, em 1624, os holandeses invadiram a baía com uma esquadra financiada pela Companhia das Índias Ocidentais (WIC) e capturou a capital do Brasil colonial – assim era chamada nossa cidade - em 10 de maio, buscando o controle do comércio de açúcar.

    Liderada por Jacob Willekens a frota de 26 navios dominou a cidade rapidamente, prendu o governador, mas a ocupação durou apenas um ano devido à forte resistência luso-espanhola, resultando na retomada da cidade em maio de 1625. 

   Os holandeses instalaram seu quartel general no Mosteiro de São Bento e seus canhões na antiga aldeia tupinambá do Passeio Público, hoje, Forte de São Pedro, que era seu quartel militar de defesa. 
  - No entanto, o cartógrafo e historiador tomou fôlego, deu um gole na gelada e seguiu: - Teve um bispo dom Marcos Teixeira que resistiu organizando grupos de guerrilhas, pegou em armas e manchou a batina de sangue para defender a cidade. Os monges de São Bento fugiram para o Recõncavo onde tinham uma fazenda, os escravos de sua senzala se embenharam nos matos, o governador Diogo de Mendonça Furtado foi capturado e enviado para Amsterdã.

   A sorte é que, nessa época o Brasil era espanhol dominado pela dinastia Filipina que havia ocupado Portugal, e os espanhóis se uniram aos portuguesas e montaram a maior frota de navios de guerra do mundo comandada por dom Fradique Alvarez de Toledo Y Ozório, uma armada com 52 navios e 12.000 homens e após o cerco na Baía de Todos os Santos, após um mes de bombardeios e lutas nas encostas, no que se chamou a “Jornada dos Vassalos”, os holandeses se renderam e a União Ibérica prevaleceu sobre a WIC na comercialização do açúcar. 

   - Pode-se dizer que foi a guerra do açúcar, hoje, produto tão condenado pelos médicos. Comentou Acássio dizendo que ele próprio portador de problemas renais não consomia açúcar nem adoça o café com mascavo ou qualquer adoçante industrial.

  - Hoje, o rei dos mercados é o computador, o iPhone, tudo o que tenha internet até esses relógios pretos que se usam nos braços sem marcadores, mas, naquela época o açúcar era o imperador do mercado – vibrava Adimoel em sua locução - e os holandeses travaram uma guerra com a União Ibérica que durou 80 anos, Amsterdã proibindo a comercialização do açúcar português que vinha do Brasil e a Bahia era um grande exportador e teve enorme prejuízo. Os holandeses, no entanto, enfrentaram Felipe IV, que era bravo e tudo voltou ao normal na Bahia, mas os batavos não desistiram e invadiram Pernambuco e por lá ficaram muitos anos. Na Bahia, só dominaram o porto por um ano e não fizeram nenhuma obra de vulto para transformar a Baía de Todos os Santos em polo de empreendedorismo na fabricação de navios.

  - Nem eles; nem os lusos. Pelo contrário, Portugal retomou seu território da Espanha, do Reino de Castela, com o rei Dom Afonso VI no que se chamou de “Guerra da Restauração” terminando também o domínio da Espanha no Brasil que durou 60 anos (1580-1640) e a partir daí, Portugal fortificou o entorno da Baía de Todos os Santos com vários fortes, dois deles na boca da Baía, na Barra, Santa Maria e São Diogo, e nunca mais os holandeses conquistaram nossa cidade. Bem que tentaram, depois da expulsão de 1625, mas não conseguiram.

   - E o empreendedorismo na Baía deu em que? – ponderou Acácio pipocando a argola de metal do terceiro latão de cerveja.

   - Em nada. A Holanda continuou construído seus navios em Amsterdã, Portugal em Lisboa na Ribeira das Naus e na Ribeira do Ouro, no Porto, nós também tivemos nossa Ribeira das Naus construída no governo de Francisco de Souza (1590-1602) que ficava entre a Preguiça e a Conceição da Praia que reparava navios, mas, aqui tudo se acaba e ainda fizeram muitos barcos na região de Valença e saveiros em áreas do Recôncavo, mas nada de porte e que persistisse.

  - Infelizmente, né. Nem quando Dom João VI veio morar no Brasil, em 1808, fugindo de Napoleão Bonaparte, fizeram alguma coisa pela Baía, ponderou Acácio já mostrando que também tinha algum conhecimento mais recente da história da Bahia.

  -  Não. O rei não quis ficar morando em Salvador. Bem que o governador João da Gama Melo tentou, mas ele fez uma visita ao centro, lançou uma escola de medicina, abriu os portos ao mundo por força da influência inglesa e foi morar no Rio. Nós ficamos chupando dedo duplamente pois, em 1763, a capital da Colônia se mudou para lá, o açúcar tinha entrado em decadência e nosso porto também e a Baía de Todos os Santos estagnou. Praticamente voltou a ser Kirimurê.

  Pra completar, em 1822, quando dom Pedro I deu o grito de Independência em Morte o comandante das tropas portuguesa em Salvador, Ignácio Madeira de Melo, disse que não iria obedecer a ele e se rebelou. E foi assim que o couro comeu e os baianos do Recôncavo organizados pelos produtores de açúcar pegaram em armas para expulsá-lo de Salvador e dom Pedro I ajudou a organizar o Exército Pacificador, mandou um francês chamado Pierre Labatut para comandar as tropas de terra, e um lord inglês Thomaz Cochrane para fustigar os portugueses pelo mar a partir de uma base em Morro de São Paulo, e é curioso, pois a Marinha do Brasil nasceu nessa guerra e noutras após a independência sob o comando do almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, e teve um portuga chamado João das Botas que lutou pela república da Bahia, mas a guerra foi pouca, só houve uma Batalha em Pirajá e o filho da mãe do Madeira de Melo quando se viu cercado por todos os lados se mandou para Lisboa com o que restou de sua Divisão Auxiliadora, com o comandante naval João Félix orientando os navios e levando comerciantes, dondocas, e o que conseguiu amealhar, chegando em Lisboa sãos e salvos, embora tenha sido preso ´por ordem de Dom João VI, mas, depois absolvido e condecorado, o brigadeiro Madeira.

   - Quer dizer que foi mais uma guerra de cerco do que batalhas pra valer o que aconteceu na Bahia, em especial na Baía de Todos os Santps.

   - Cochrane estacionou seus vasos de guerra em Morro de São Paulo, mas, nunca atacou a frota de João Félix estacionada em Salvador, porque não tinha bocas de fogo para isso. Houve uma batalha de Pirajá, em terra, e após a refrega, estima-se com 200 mortos de lado a lado, de um front ficaram os homens de Labatut nas trincheiras impedindo que os portugueses avançassem para o interior do Recôncavo; e do outro lado os portugueses entrincheirados não deixavam os brasis entrar em Salvador. Ainda tentaram um acordo com o Barão do Rio Vermelho e nada; quando Madeira viu que não tinha mais como resistir, o cerco já durava meses, a comida era pouca, as balas reduzidas, Lisboa não lhe ajudava em nada o brigadeiro Madeira, decidiu fugir no dia 2 de Julho de 1823. E foi aí que o Exército Libertador entrou na capital baiana também combalido, os soldados esfarrapados e ocuparam a capital a frente o general Lima e Silva.
                                                                        ***
  - A essa altura, Firmina estava de queixo caído com a narrativa do cartógrafo Adimoel Mayor e também se interessava pela conversa. Pediu um aparte e quis saber sobre as heroínas da Independência da Bahia, de que tantos se falam no 2 de Julho, e disse que, pelo exposto, ela iria ficar velha como seu avô Acássio e não veria os empreendimentos na Baía de Todos os Santos, anotando que, na UVIFAX, onde estuda, um professor  teria dito que o projeto atual para a Baía de Todos os Santos é ser como a Baía de Singapura, mas, pelo visto, passaram os governos da Colônia, do Império, da República Velha, da ditadura Vargas, da ditadura Castelo, e estamos na Nova República, quando nasceu, e até agora, bulhufas.

   - Ora, minha jovem, as coisas no Brasil maturam no seu tempo, veja que nosso metrô, em Salvador, chegou no ano de 2004, quando os franceses já usavam o metrô em Paris, em 1900, para não falar de Londres cujo metrô foi inaugurado em 1863, quando meus bisavós andavam de burro na cidade baixa; a TV foi instalada em NY no ano de 1928 e a TV Tupi, em SP, 1950, e a Itapoan, a nossa, em 1963. Nós, de fato não temos pressa, temos nosso modo especial de viver, porém, não acredito nessa Singapura na Baía de Todos os Santos, não verei e creio que também você não verá, será é coisa para o futuro, exige muito debates, análises e mais análises dos PGP – Progresso de Governos Participativos, então nós somos adequados ao nosso tempo, ainda pescamos de bombas. Nos últimos dez ou mais anos formula-se um projeto de uma ponte Salvador a Itaparica, já apelidada de “Fantasmão”, que será uma coisa deslumbrante.
 
  Quanto as heroínas da Independência da Bahia, a história real registra que a soldado Medeiros se alistou no Batalhão do Periquitão, tio de Castro Alves, que foi de espera, de proteção e ficou estacionado no Recôncavo, mas não lutou; que a soror Joana morreu por acaso diante baderna de soldados portugueses embriagados que desciam do São Pedro para o Campo da Pólvora e tentaram invadir o concento da Lapa, foi uma fatalidade. E uma outra do Recôncavo teria lutado usando folhas de cansanção contra soldados portugueses armados de mosquetões deve ser broma, como “dicen los espanholes”. Então, vamos aguardar os acontecimentos futuros, a nossa sonhada “Boston Harbor”.

  O aposentado Acássio agradeceu as informações do cartógrafo e disse que já estava de barbas brancas, igual a Moisés, o profeta e tinha fé que tudo o mais um dia iria acontecer, afinal, conheceu e navegou na Baía indo veranear em Berlinque quando não havia uma marina, e hoje, já temos várias; quando só havia um barco do ferry e hoje temos 5; quando o porto só tinha 2 guindaste e agora tem vários; quando a rampa do Mercado Modelo recebia os saveiros com farinha e dendê para gente comer moquecas e agora os caminhões chegam a São Joaquim de ferry ou pela BR 101, a Rio-Bahia, então evoluímos muito.

  - Certo, evoluímos, sem dúvida, mas aquela mudança que se esperava, nunca aconteceu, teve um governante que foi a La Rochelle tentar convencer os empresários europeus e asiáticos a investirem na Todos os Santos realizando muitas conversas, muitos diálogos, mas quando um árabe que estava dispostos a investir perguntou quantos ricos existiam e Salvador capazes de comprar barcos potentes, lanchas, quiçá iates, ouviu da autoridade que tínhamos 3 ricos. Os possíveis investidores desistiram. Mas, ainda assim, a autoridade conseguiu duas regatas transatlânticas que, anos depois, com a mudança do alcaide, acabaram, e agora estão prometendo voltar em 2027. Vamos acreditar...vamos acreditar, levantou panos Adimoel.

     A netinha Firmina deu foi risadas tirou um self com o avô e Mayor num dos canhões do Forte de Santa Maria e falou para o ‘véi’ vamos comer nosso acarajé que é o melhor.