O ano começa com essa saudação e energia da população de Salvador
Tasso Franco , Salvador |
02/02/2026 às 19:04
A barca das flores
Foto: Betto Jr
Mais querida do que Odoyá não há, a Yemoja nigeriana, Yemanjá no Brasil e Iemanjá em Salvador com imagens mais brancas do que negras quando a Nigéira, do rio Niger, é negra e a orixá, por origem é negra. Mas, orixá é impessoal, é rito, é infinito, é religião, é crença, portanto, não há cor e a Nigéira, hoje, fala inglês e não iorubá.
O certo é que os baianos adoram Yemanjá, creio, mais do que Oxalá, porque o velho também é Senhor do Bonfim e divide os gostos e as crenças e Yemanjá pode ser Odoyá, Yemoja, única, sem divisão com santos católicos, uma unanimidade para homens e mulheres sem quaisquer preconceitos.
Diz-se que homem de água não é lá essas coisas toda, é molenga, dengoso, e homem retado é de Oxóssi, de Ogum, e a orixá é mais para as mulheres e diria que a maioria de suas devotas são mulheres pela fila que se formou para a entrega de flores e perfumes a orixá, que é vaidosa e os recebe com carinho e amor. Mas, às vezes, refeita-os, coisa de Euro, o Deus dos Ventos.
As homenagens a orixá na enseada do Rio Vermelho, a beira mar, sua morada, hoje, foi fantástica. Milhares de baianos se espremeram, se acotovelaram, cantaram e choraram para saudar Yemanjá. Que festa belissima, de encher os olhos de alguma esperança, em 2026. (TF)