sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Colunistas / Filosofia Popular
Rasta do Pelô

RASTA pega doença da mulher, roe meia e comemora vitória do Brasil Na alegria e na dor as

alegria e na dor assim é que vive um casal apaixonado
14/10/2016 às 10:44
 Diria que a fase de Dona Céu, minha digníssima esposa, entrou num astral típico de hipocondria e a cada dia ela me apresenta uma doença, um mal estar, uma enxaqueca. Só nesta semana foi o agravamento da bursite, dor no pé, torcicolo, arritmia, dor nas cadeiras, joanete inflamado, dor no queixo, é tanta coisa que desconfio que a mulher tá tirando uma de Zé Ribamar maranhense.

   Nesta data de São Venâncio mandei ela providenciar um banho de folhas e lançar um punhado de sal grosso nos olhos do pé-de-Botelho, senão daqui a pouco nenhum plano de saúde vai querer fazer um contrato com ela e o jeito é depender do glorioso SUS nas Upas de Netinho.

   - Vou mesmo tomar um banho de folhas e até já falei com mãe Tan para providenciar alguém que saiba fazer um descarrego de primeira - confidenciou-me segurando o pesçoco de torcicolo.

   - Acho bom, porque do jeito que a coisa anda vai sobrar pra mim, por tabela, uma vez que doença de mulher pega em marido. Como eu jurei perante o padre em nossa união: 'na alegria e na dor, na bonança e na crise tô colado em você"- pilherei em tom sério.

   - O que pega em marido é mau olhado e gripe e olhe lá, isso quando o casal dorme junto, porque em marido urucubaquento igual a você nem isso acontece. E minha gripe é o dobro da sua e pare de me pirraçar porque hoje não estou me sentindo bem, tô querendo gritar - frisou.

   - Tens o que pra variar? - questionou.

   Dona Céu foi lá, veio cá e só não diria que ficou inventando uma doença porque eu poderia levar uma reprimenta mais séria. Desconversou procurando saber porque dona Zélia, nossa secretária, não providenciara um caruru para o almoço no dia de São Cosme e Damião. 

   - Em vez de quiabos e galinha caipira com pipocas e abarás serviu-me foi feijão e carnes vermelhas, sobra da feijoada de domingo - comentei.

   - Nem eu comeria um prato desses com medo de pegar alguma doença - frisou.

   - Lá vem você com sua manias. Daqui a pouco vai querer fazer uma dieta do tipo praticadao por Dr Zéu, que só faz gastar dinheiro e não tem proveito. Se ainda fosse a dieta da Lua de sua amiga Andréia Lady Lu, a base de cerveja, menos mal. 

   - Não vou fazer dieta alguma. Dieta de pobre é fechar a boca e tomar suco de limão com folhas verdes pela manhã.

   - Me inclua fora dessa, por favor, que gosto mesmo é de cuscuz com ovos, inhame com manteiga e café com leite - comentei despedindo-me da esposa, pois, iria ao trabalho no Pelô vender minhas toucas e arrengar Clarindo Silva.

   No caminho liguei para Badú, o intelectual de bigode, para saber as novidades de Brasília e falar sobre essa nova mania de dona Céu.

   Ao ligar questionando sobre as novidades da PEC-241, que pretende congelar os gastos públicos, ele rebateu: - A PEC 241 só atinge os pobres porque os graúdos já ganham muito bem. O que aconteceu com esse desabamento do Centro de Convenções daí, inquiriu.

   - Se o turismo daqui já estava capenga, agora com muletas de aço para levantar o 'defunto', tá ,mais dificil ainda - narrei explicando que faltou manutenção e o mamute de ferro a beira mar, não resistiu ao ferrugem e ao abandono.

   - O que acontecerá daqui para frente? - perguntou Badu preocupado com uma queda no turismo baiano.

   - Isso é briga de branco que não meto minha colher de pau. Cada hora dizem uma coisa num jogo de empurra impressionante. Agora, a última é que CCB será demolido totatalmente - anunciei.

   - E os congressos na Bahia serão feitos aonde pelo amor de Deus? 

   - Na Arena Fonte Nova, em baixo da Terceira Ponte ou em Pernambuco e Fortaleza.... dei um gargalhada de hiena.

   - Você está é me gozando. Tenha mais saúde e mande dona Céu comprar um charuto, preparar uma moqueca de arraia e pare esse negócio de doenças e de manias, bye-bye - desligou.  

   E assim cheguei ao Pelô e tive até um dia bom de vendas, passei na Praça Tereza Batista onde os meninos do Olodum faziam um ensaio, tomei dois cravinhos, batuquei meu tamborim num samba que rolava em frente da Igreja de São Domingos e fui para casa. 

   E não é que no trajeto para a Caixa D'Água comecei a roer um dos dentes. Dente com dente, parecendo que tava amolando uma faca! Que coisa!. Será que as doenças e maninas de Céu me pegaram, perguntei a mim mesmo.

   No jogo do Brasil contra a Venezuela, aquele timeco de Mr Maduro, quase comia uma meia reebok das grossas. Aí foi Céu quem me satanizou: - Ficou doido com essa meia na boca? 

   - É melhor eu morder a meia do que arrasar com meu dente canino - comentei. 

   Quando o Brasil fez 1x0 depois da pixotada do goleiro  socialista bolivariano tranquilizei-me mais. Ainda assim já tinha roído meia banda da meia.

   Conto isso até como advertência para que vocês vejam que doença de mulher pega em marido, ainda mais se for gente apaixonado como nós. 

   Quando o Brasil já tava ganhando de 2x0 e faltou luz no estádio de Mérida, dona Céu trouxe uma gelada daquelas que só ela sabe preparar com dois pedaços de pizza três queijos comprados aqui na Caixa D'Água, uma delicia. Caímos foi de boa. 

   E eu fiquei bom da minha roedura de dentes e dona Céu ficou boa do seu torcicolo. 

   Daí fomos comemorar a vitória do Brasil em nossa tendinnha do love.