ter?a-feira, 21 de novembro de 2017
Colunistas / Filosofia Popular
Rasta do Pelô

Dona Céu sonha em ser deusa no Natal e quis penhorar santo

Céu recebe catálogo de joalheria grã-fina e garante que não foi engano
13/11/2017 às 18:25
   Meu Vitória dando 3x1 no Verdão, eu ligado no jogo e de olhos no padre e na missa de minha querida esposa a qual, ao telefone, salvo engano falava com Andréa Lady Lú, sua 'coiffeur', destacando em voz plena que estava numa alegria imensa porque recebera um catálogo de lançamento da nova coleção da G. Sterm e, além disso, um convite especial para ir a um shopping da nossa capital partiipar da o coquetel do pré-lançamento. 

   E, dizia ela, no momento em que um atacante do 'porco' acertou uma bola na trave, que iria planejar comprar uma daquelas jóias e passaria no salão da Andréa para levar o foletim e também mostrar a preciosidade que gostaria de adquirir.

   Eu tô na minha comemorando o resultado final da partida bebericando um latão, quando ela me mostrou o catálogo toda orgulhosa, mas nada falou da compra da jóia, o que eu já sabia por escuta. 

   - Amore mio - olha que lindo recebi pelo Correio, em AR, o catálogo da G. Sterm, em papel couchê, belissimos modelos apresentando a nova coleção. 

   Aí falei pra ela: - Mulé, a G. Sterm deve ter se confundido e mandado esse catálogo para o endereço errado, pois, não tempos condições de comprar nem um brinco folha dessa joalheria, quanto mais uma peça dessas que está no catálogo.

   Céu replicou: - Negativo. Veio foi pra mim, com meu nome estampado no envelope, inclusive me colocando como Dra. Céu Queiroz Nascimento, título que não possuo, mas, muito me honra. E o rapaz do Correios ainda pediu para eu assinar a AR como correspondência recebida. Então, não me venha com esse papo de pobreza dando conta de que não posso receber um catálogo dessa estirpe e comporar uma jóia.

   - Falei por falar. Agora, que você não tem condições de comprar uma jóia nessa joalheria isso atesto e assino embaixo, pois, quem bem sabe de suas finanças sou eu.

   - Sabe pela metade. Pois, tenhos meus compromissos públicos e minha poupança secreta. Daí que eles (falava da joalheria) podem ter descoberto isso e querem que eu participe da luxúria.

   Voitei a repeiter: - Mulé! Tú não mora no Corredor da Vitória e sim na Freitas Henrique de Baixo, aqui na nossa casinha da Caixa D'Água, daí que insisto em dizer que houve algum erro.

   - Não teve erro algum. Eles descobriram a minha popupança e estão me cativando. Esses empresários sabem das coisas e a mamãe aqui virou a bola da vez. No Natal estarei uma deusa.

   - Bola murcha, comentei frisando que era melhor ir dormir e sonhar com os anjos.

   - Vou sonhar com essa jóia aqui - mostrou-me - e amanhã estarei com Andrea para que ela opine. 

   - Duas quebradas batendo num mesm porta, complementei e fui dormir com meu Leão detonando o verdão. 

    No outro dia, Céu cnsultou Andréa, tambem conversou com Tina Copo e mais outra saliente chamada Rafa Enfa, e retornou à nossa casa disposta a mexer na poupança e comprar a jóia. Antes, veio conversar comigo para saber se eu ajudaria, vou usar a expressão dela, "se participaria do Projeto Luxúria" com algum adjutório, pois, depois de consultar seu gerente Prime da Caixa verificou que a popupança só dava para comprar uma marcassita da Zomanuel ou da Bijoubaixa, daí que se eu reforçasse seu caixa tudo seria possível.

   Repliquei: - Eu não tenho esses recursos, algo em torno de R$25 mil reais para comprar um brinco, e não vou vender minha Brasília para participar desse projeto. Muito menos penhorar nossa casa erguida tijolo a tijolo depois de nuito trabaho e esforço.

   - Não estou lhe pedindo esforço dessa grandeza. Basta você pedir um dinheiro empresatado a um dos seus amigos ricos, o causidico Zéu ou o conselheiro Souza, que tudo estaria resolvido.

   - Enloqueceu! Como vou pagar isso? - falei já irritado.

   - Com seu trabalho. Lembro-lhe, ainda, que tenho um santo barroco valiossimmo herdade de minha bisavó e descoberto nas barrancas Rio Pardo, e você pode levar naquelas lojas da Rua da Ajuda para fazer uma avaliação e um resgate em dinheiro vivo.

   - Isso seria uma heresia. Esse São Francisco de Assis é mais velho do que Ubatã e vale uma fortuna. Se vendermos para atender seu Projeto Luxúria a maldição pode cair sobre nossas cabeças.

   - Não cai nada. Prefiro um colar desses aqui no pescoiço - passou o catálogo na minha fuça - do que ficar com esse santo mofando em nosso nicho arriscado a perder a cabeça diante do desgaste do tempo. 
  
   A mulher insistiu tanto em levar a imagem do santo para fazer uma avaliação que enrolei-o num papel bolha e apresentei-o a um amigo na Faloula Antiguidades. Sêo Faloula olhou, cubou o santo de baixo para cima e vice-versa, verificou se a tinta era original, se tinha a assinatura d'lgum artista famoso e disse: - A imagem é preciosa. Pago R$1 mil divididos em 3 vezes.

   Estrilei: - Esse santo vale muito mais Sêo Faloula.

   - Valer pode até valer, mas, com essa crise no mercado de artes, é o que posso pagar.

   Peguei nosso santo de volta, enrolei-o novamente no papel bolha para não sofrer nenhum arranhão quando fosse pegar o buzu, e retornei para casa com ele debaixo do braço. 

   Quando cheguei em nosso lar com a imagem do santo embaixo do braço direito e o saco de pães no outro braço, quase embaixo do suvaco, a mulher admirou-se: - Ôh! não fez negócio com o santo?

   - O valor da imagem do santo, sua poupança e a penhora de nossa Brasília - se for o caso - não dá nem pra comprar o fechador do brinco do seu Projeto Luxúria.

   Diante de tais argumentos, Céu adiou seu projeto para 2018, mas, enfatiotou-se toda para ir ao coquetel da Sterm, uma semana depois. 

   Foi, adorou, tomou champagne, saboreou sequilos, tirou fotos para um blog famoso da city e deixou apalavrada a compra de um conjuntinho de joias no valor de R$70 mil. 

   O pessoal - creio eu - até pensou que ela fosse a esposa de algum político.