segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Colunistas / Filosofia Popular
Rasta do Pelô

MULHER DO RASTA queria lugar de Gisele e diz que vai a Tóquio 2020

Mais uma crônica do Rasta do Pelô e os desejos de sua esposa dona Céu
23/08/2016 às 13:20
 Os Jogos Olimpicos Rio 2016 terminaram neste último final de semana com uma boa participação do Brasil pela disputa por medalhas. Ficamos em 13º lugar entre os países, mesmo sediando os jogos. Fomos um pouco mais em relação a Londres-2012 subindo duas posições no ranking. O que significa dizer que a torcida pode até fazer zoada, mas, não ajuda em nada.

  Só aquele francês do salto com vara se queixou excessivamente da torcida, que o teria prejudicado. Michael Pelphs disse que quase fica surdo na piscina, mas, levou consigo um punhado de medalhas de ouro e fez declarações de amor ao Rio. E as canadenses do futebol foram vaiadas, mas meteram 2x1 nas brasis.

  Aqui em casa, nossa atleta olímpica, dona Céua, minha digníssima esposa ainda anda chateada com o COI brasis entendendo que, ela e não a Gisele Büdchen, é quem deveria desfilar naquela passarela da abertura dos jogos, que tanto encantou parte do mundo televisivo. E fica a buzinar no meu ouvido que eu, pobre mortal vendedor de toucas no pelourinho, deveria entrar com uma representação juridico-esportiva junto ao COI, via doutor Zéu, protestando contra esse fato.

   - O que vamos ganhar com essa briga ? - questionei-a.

   - Financeiramente, nada. Mas, fazer um protesto, pedir uma reparação, porque além de eu ser mais elegante que a Gisele, tenho mais nome - frisou a tal.

   - Que nome! Como todo respeito a sua pessoa, você só é conhecida aqui na Freitas Henrique de Baixo, na Caixa D'Água, e em áreas do Pelô, e só. E Gisele é um nome internacioal.

   - Mas era uma oportunidade de eu ficar conhecida, espalhar meu nome pelo mundo e ainda divulgar a marca da minha estilista Zaís Pinharada, que fez pra mim um 'look' melhor do que aquele que a Gisele desfilou.

   - O look de dona Zaís duvido muito que seja melhor do que o metalizado de Alexandre Herchcovtich, usado pela Büdchen, que teria demorado 4 meses para ficar pronto - ponderei.

  - Pois meu look foi feito com fibras metálicas de sisal e demorou apenas duas semanas para ser produzido, mas garanto que é melhor. E vou usá-lo na próxima festa da Bencão no Pelô - provocou-me.

  - Faça o que entender melhor. Agora, se você quiser ir a Tóquio 2020 ou jogue na loteria ou aprenda desde já a falar japonês e inglês para inscrever-se como voluntária, carregadora de sinalizador ou de sombrinha- gozei.

  - Eu vou para Tóquio é como atleta e não como voluntária pra ficar limpando sanitário - repôs.

  - Você já viu alquém limpar sanitário no Japão. Lá quem faz esse serviço é um robô e até o mijo é reaproveitado e reprocessado para molhar plantas, quiça cozinhar.

  - Pois eu vou é como atleta. Se aquele inglês cara de giló com 58 anos de idade ganhou no salto com cavalo, eu que só tenho 46 incompletos estarei com 50 no Japão-2020 e posso muito bem disputar esgrima, tiro, tênis de mesa ou arco e flecha. Esses esportes são molezas.

  - E você vai treinar adonde para disputar uma prova de esgrima? 

  - Ora, com o açougueiro aqui do bairro. Lá tem a prova de espadas e como manejo bem a peixeira é só teinar com seu Adolfo, que corta um contra-filé como ninguém. Da peixeira à esgrima ou à espada. E serei imbatível. Céu será ouro - afiançou.

  - Que ouro mulher! Pare de sonhar e vá cuidar de sua vida - falei enfezado e me mandei para o Pelourinho, pois, tinha acertado uma tocata de tamborim no programa Pelô Noite e Dia da FGM. No caminho liguei para Badu, o intelectual de bigode, nosso conselheiro que reside em Brasília para comentarmos sobre esse desejo de dona Céu.

  Badu, sempre incentivador, defensor da causa feminista, encorajou-me: - Você deve dar-lhe todo o apoio. Se o Queiroz - falava de Izaquias - ganhou duas pratas remando uma canoa, ela também pode ganhar uma medalha no arco e flecha, que acho melhor do que a esgrima.

  - Você está brincando comigo - ponderei - arguindo que esse é um esporte de ricos, de Paulo Coelho pra cima, e a gente não tem sequer uma flecha quanto mais um arco.

  - Usa um arco de berimbau pra treinar. Ou manda ela fazer um estágio com Coelho lá em Genebra - gargalhou no telefone.

   - Vá plantar batatas Sêo Badu com essa idéia de ir a Suiça. A gente, quando pode, vai a Roma, ao bairro de Roma, na praia do Cantagalo. Agora, essa proposta do berimbau não é das piores. Vou comentar com ela.

  - Comente mas não diga que fui eu que dei a luz - ponderou.

   À noite, de retorno do trabalho, falei para a mulher justo quando estava vendo aquele drama da novela do 'Velho Chico', o camarada quebrando uma parede a maretadas para libertar um espírito, e comentei sobre o treino com o arco do berimbau (proposta de um amigo, sem citar o nome) e uma flecha que adquiri de um tupinambá que vendia artesanatos indígenas na Praça da Sé.

   - Isso aí você enfia no fiofó de quem recomendou - brocou.

  Recolhi-me ao quarto sem dizer mais nada. Até Tóquio 2020, pois