segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Filosofia Popular
Rasta do Pelô

Mulher do Rasta toma champagne além da conta e abraça anão

Falta de aviso não foi. Eu disse que era lugar para esposa do conselheiro Souza e ela não acreditou.
20/12/2015 às 19:28
 ​Diz-se que nessa época do Natal mesmo com tantas rezas pro menino Jesus, assombrações aparecem.

   Estava curtindo as peripécias de Zé Maria e do trio amoroso Atena, Tóia e Romero na novela "A Regra do Jogo", quando chega em casa Dona Céu, minha adorada esposa, toda serelepe, mostrando-me um envelope 'chic' contendo um convite dos 70 anos da W. Stern para participar de um coquetel à base de champagne Veuve Clicquot e lançamento das últimas novidades da joalheria, no Shopping Zarra.

   Aí falei pra ela: - Mulher, tenho a impressão que este convite foi endereçado para o lugar errado, porque tú não tem condições de comprar sequer um pequeno brinco na W Stern, quando mais outra coisa.

   - Não veio nada errado. Tá aqui o meu nome - Celeste Guimarães Mangueira - e nosso endreço com todas as letras e CEP correto. E se fui contemplada com um convite dessa natureza é porque estão vendo que emergente C também tem poder aquisitivo para frequentar esses locais - frisou a dita batendo na altura dos seios.

   - Sei, mas, pode ter sido um engano porque tú não tem nem roupa pra ir num coquetel desse e se tú beber essa champagne que está anunciada vai ter dor de cabeça, vai ter enxaqueca na certa - arreliei.

   - Lembre que a gente já tomou champagne na virada do ano no réveillon que Imbassahy fazia na praia do Farol. Pode não ter sido essa tal de 'Chicote', mas, era champagne.
 
   - Nós tomamos foi um espumante que comprei no Bom de Preço na promoção do Natal e quero lhe dizer que o nome da champagne dos ricos é Veuve Clicquot e não "Chicote", comentei.

   - O certo é que fui convidada e estarei lá. Vou falar com minha amgia Tati Pão para irmos juntas.

   - Sai dessa mulher porque essa joalheria aí é coisa pra gente rica, pra esposa do conselheiro Souza, para madame consorte do doutor Zéu, pra doutora Zita Maia, pra gente que usa Louboutin nos pés como as meninas do Cerimonial da Casa das Leis e pode desembolsar R$50 mil num colar de ouro e não pra tú, pra Tati Pão, pra Andréa Lady Lú, pra Tina Copo, pra Calina Enfa, Rafa Melão, essas suas amigas que vivem empenduradas nos cartões de crédito- frisei .

   - Se a gente não pode comprar, a gente circula, a gente olha, badala, troca cartões, faz novas amizades e toma champagne - situou.

   - Eu se fosse tú não iria. Chama suas amigas, aí sim, pra dar um giro nos Becos de Maria Paz e do Mocambinho, na Avenida Sete, passear no Edifício Oxumaré onde tem marcassita de primeira e vocês podem adquirir uma pulseira da última moda. 

   - Saí dessa. Não sou pobre! Sou emergente, sou caixa alta e vou para essa W Stern custe o que custar.

   A essa altura eu também estava com a cabeça embaralhada porque Romero tem hora que se enrosca com Atena; tem momento que se lambuza na cama com Tóia e eu fico sem saber como um ex-vereador consegue ter tanto poder sexy com aquela cara de padeiro suburbano.

   No outro dia fui trabalhar vendendo minhas toucas no Pelô, nesta época do ano o movimento dos turistas aumenta bastante, e decidi ligar pra meu conselheiro Badu, o intelectual de bigode - pra narrar esse episódio de Céu e saber as novidades de Brasília, onde ele mora.

   - Aqui a coisa está mais confusa do que charuto em boca de bangelo, cada hora é uma coisa, e não se fala noutro assunto senão sobre o impeachment - comentou Badu dizendo que a crise estava braba, a inflação já passando de dois dígitos, as compras do Natal mais murchas do que peito de véia marafona da Ceilândia.

   - Pois lhe conto que dona Céu, sua comadre, ignora essa crise e está se organizando para ir a um coquetel da W. Stern com suas amigas e ainda me disse que vai arrasar, certamente comprar algum brinco folha.

   - Só se você vender sua casa, aquele fogão que o forno tá despencando, a Brasília, o cachorro tifão e os passarinhos, nem assim dá pra aquirir um brinco folha vistoso - gargalhou.

   - Isso já falei pra ela, mas insiste, diz que tem caixa, que é emergete e fica zombando de mim.

   - Esses emergentes da época do 'Rei Sol' já se derreteram e ficaram pobres de novo com a inflação de dois dígitos e a quebradeira de Pindorama. Manda Céu tomar juizo e continuar frequentando o Shopping da Baixa dos Sapateiros que é melhor.

   Minha conversa com Badu não adiantou muita coisa.

   Dois dias depos, conto em segredo, Céu calçou seu 'Lobatain' com sola vermelha, colocou um longo, armou o cabelo à moda Giselhe 'Búcha', esvoaçante, colarzão de pedras que havia comprado pelo E-comércio na Bijoux e lá se foi pro coquetel.

    E o que se passou, destarte, segundo o colunista social Estevão IV foi que umas 'madames intrusas' - palavras dele - entraram no coquetel da W Stern e causaram o maior furdunço, uma delas, inclusive se passando por rica e usando um 'Louboutin'  pintado com tinta Sulvinil na sola, tomou champagne além da conta, quis comprar um crucifixado avaliado em R$57 mil, experimentou umas dez vezes e 'fechou negócio'.

   Quando a atendente, uma senhora fina como é dona Zuzu Chamelier, solicitou seu cartão de crédio para faturar, 'a falsa madame' - palavras do colunista - apresentou um cartão de crédito do Mercadinho Santos, do Bairro da Caixa D'Água, onde a tal reside.

   O constrangimento só não foi maior porque Zuzu, com sua classe, chamou os seguranças e pediu para conduzir a senhora até a saída de loja.

   O que - confessa o colunista - foi feito em paz, de forma discreta, ainda que a capa fixa do sapato da tal madame soltou e ela saiu mancando pelo corredor do shopping amparada por uma das suas amigas, a qual - segundo apuramos de fonte limpa - acostumada só a tomar cerveja no Caranguejo do Calabar, estranhou a champagne e saiu cambaleando.

   Iroiniza ainda o colunista: - As duas, 'drunks' foram esbarrar em cima de um anão da decoração natalina do shopping.