quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Colunistas / Filosofia Popular
Rasta do Pelô

RASTA DO PELÔ nega surdez mas confunde São João com feijão

Rasta consulta Badu, o intelectual de bigode, o qual manda ele procurar o conselheiro Souza e ir ao INOHA. Pior que ele entende ir ao Barbacoa.
26/04/2013 às 10:48
 Dia desses estava assistindo o programa do Ratinho, meu predileto na TV, quando dona Céu (minha santíssima esposa) reclamou da altura do áudio da tv e veio com uma telca repetida dando conta de que eu estaria surdo:

  - Já lhe disse que você deveria ir ao médico. Assistir televisão numa altura dessas só pode estar perdendo a audição. Velho é assim mesmo, provocou-me.

   - Ah! pára com isso - repiquei afirmando que velhos são Barcelona e o Egito que têm mais de 4 mil anos.

   - Então abaixe o som da tv porque aqui em casa ninguém é surdo - emendou.

   - Mais alto do que o som da televisão é seu secador de cabelos e eu não reclamo- comentei.

   - Ah! vou é cuidar de minha vida. Ficar ouvindo e vendo essas bobagens do Ratinho e dos seus personagens. Tenho mais o que fazer e arrumar a casa - disse a mulher se afastando da sala e dirigindo-se ao quarto.

    - Que vasilha....não lhe pedi vasilha alguma e muito menos estou interessado em gatinho. Quem gosta de gastos é minha irmã - respondi a sua provocação.

   - E quem foi que falou aqui de vasilha e gatinho. Falei de minha vida, meus afazeres, e sobre ratinho. Quando digo que você está surdo fica irritado comigo. É isso. Até minha netinha reclama de sua surdez.

   - Posso  até ter entendido mal...agora, quem está gripada aqui é você. Antes que me aborreça fineza trazer-me um latão e pare com esse lero-lero de latinha que só aprecio o cervejão e o latão.

   A mulher trouxe o latão de cerveja e chegou bem no pé do meu ouvido e disparou: eu falei irritado e não gripado seu surdo, e colocou a gelada em minhas mãos dando outro sopro no meu ouvido: disse netinha, sua netinha, e não latinha oh! homem de Deus.

   - Cadê aquele negócio de colocar o latão para não esfriar rápido.

   - Vou trazer o porta-cerveja que sua irmã lhe deu de presente comprado no camelô- disse a mulher. 

   Desta feita fiquei calado, pois, entendi que ela iria passar a escova no cabelo e depois ir à benção do Pelô.

   No dia seguinte, meio injuriado com esse negócio de surdez, a mulher até me trouxe um mostruário de uma empresa para ver um tipo de aparelho para colocar no ouvido decidi ligar para meu conselheiro de Floripa, Badu, o intelectual de bigode e comentei o assunto com ele.

   - Você me ligando numa terça-feira não deve ser coisa boa, respondeu Badu.

   - Nada véi ...hé..hé...hé..(com riso maroto) é que que dona Céu invocou que estou surdo quando, na realidade, acho que é ao contrário. Ela é que está surda e brôca - aduzi.

   - Como assim! Minha comadre surda?

   - Só porque ouço o programa do Ratinho no grão 17 ela chia, reclama que a tv está nas alturas. 

   - Ah! tenha santa paciência...nesse tom está no Everest de alta. Você está ouvindo bem mesmo? - perguntou.

   - Claro que estou me sentindo bem - repisei.

   - Meu caro! Falei ouvindo. Entendeu? - elevando o tom da voz.

   - Ah! sim...agora entendi. Você fala pra dentro igual a dona Céu.

   - Penso que você deve procurar o conselheiro Souza e pedir para ele lhe levar no INOHA aquele instituto bacana que tem aí em Salvador para fazer um exame de audiometria.

   - Oh! louco. Só quem pode ir ao Barbacoa é o conselheiro e seus amigos que ganham capilé gordo - respondi perguntando como era mesmo o nome desse prato, dessa comida tal de audiometria sobre a qual nunca ouvira falar.
  - Falei INOHA - I de Igreja; N de Nair; O de Ovelha; H de homem; A de Amélia entendeu (quase gritando) e não de Barbacoa. E audiometria é um exame e não um bife de tiras seu bronco - sentenciou.

   Tá bom, assuntei. Agradeci os conselhos e desliguei o telefone. Ao meio dia, após vender minhas toucas no Pelô foi ao Restaurante de dona Alaide do Feijão para comer um feijão com lambão, tomar uma gelada e esfriar a cabeça.

   Sentei-me numa mesa lateral, fiz a pedida a dona Alaide, beberiquei os primeiros goles de cerveja quando adentra Butão do Malê.

   - Diga aí pai! Pronto para o São João? - perguntou.

   - Na paz, já pedi o feijão a dona Alaide.

    Sem nada entender ou mais perguntar, Butão balançou a cabeça e seguiu seu caminho.

    E eu comi meu feijão numa boa.