Templo gótico mais importante do mundo com 800 obras de arte
Tasso Franco , Sevilla, Espanha |
13/08/2026 às 05:46
Jornalista TF no interior da catedral de Sevilla, Espanha
Foto: OG
A catedral de Sevilha foi a mais imponente, luxuosa, rica em ouro e prata e com 800 obras de arte, que conheci até agora em minhas andanças de muitos anos pela Europa. Não conheço a de Colônia, na Alemanha, apontada como uma outra das mais significativa em arte e no gótico. Mas, já estive mais de uma vez na de São Pedro, no Vaticano, que é maior, porém, perde em obras de arte e significado para o Novo Mundo.
Afinal, na Sé Metropolitana de Sevilha dedicada a Maria, a mãe, está o túmulo de Cristovão Colombo, descobridor da América que é o local mais visitado. No entanto, tudo dentro do templo gótico mais relevante do mundo é majestoso, belo, e contém obras de arte de Goya, Murilo, esculturas e retábulos em ouro, e o maior retábulo de madeira policromada do mundo, criado por Pierre Dancart e continuado por outros artistas entre os séculos XV e XVI.
O acesso ao interior da catederal com direito a visitar (subir) na Giralda (a torre sineira) custa 14 euros e pessoas acima de 65 anos 7 euros (crianças menores de 11 anos não pagam).
A Catedral foi construída pelo Cabido de Sevilha (a organização de sacerdotes da igreja), que tomou a decisão oficial em 1401, cem anos anes do descobrimento do Brasil. Para o desenho e a execução da obra, eles contrataram grandes mestres de obras e arquitetos ao longo de mais de um século. Muita gente pensa e atribuiu sua construção a coroa espanhola, mas, a coroa teve participações, mas, não foi a gerenciadora da obra e sim o cabido.
Os principais nomes por trás do projeto foramAlonso Martínez primeiro mestre de obras documentado a desenhar as plantas do edifício gótico. Ysambart (Isambard) arquiteto francês que trabalhou no início das construções. Carlín (Charles Galter) arquiteto francês que assumiu a direção e consolidou o estilo gótico da catedral. Juan Norman mestre que avançou as obras até quase o final do século XV. Alonso Rodríguez: Responsável por fechar as abóbadas e concluir a estrutura principal em 1506.
Veja, portanto que foram mais de 100 anos de obras periodo em que Cristovão Colombo descobriu a América, em 1942, quando chegou as Bahamas, com as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña expedição financiada pelos reis catolicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela.
A essa altura catedral já estava sendo erguida sobre a antiga Mesquita Maior de Sevilha (do século XII), reaproveitando o pátio (Patio de los Naranjos) e o minarete, que foi transformado na torre da Giralda. Uma das missões do Cabido era, exatamente, reduzir (ou apagar) vestigios da cultura árabe na cidade (mais 500 anos de ocupação entre 711 e 1492) quando o Reino de Granada foi conquistado pelos reis católicos.
Sevilha era uma das localidades mais importantes devido ao seu porto. O fim da dominação árabe (expulsão dos árabes da Peninsula Ibérica) resultou na volta das elites dirigentes, dos militares, etc, porém, a miscigenação já era de tal ordem (muladis, mourosm, mouriscos) muitos dos quais se converteram ao cirstianismo nunca mais volaram para o Oriente.
QUEM FINANCIOU
A construção da Catedral de Sevilha foi uma gigantesca operação financeira baseada na tese de que "a catedral foi paga por todos". Os recursos vieram principalmente de quatro grandes fontes: Os próprios clérigos (Cônegos) os membros do cabido abriram mão de grande parte dos seus próprios salários e rendimentos e decidiram viver com o mínimo necessário para destinar os fundos à construção.Impostos locais e dízimos (Diezmos): Uma parte expressiva do financiamento veio dos dízimos arrecadados em toda a província e de impostos sobre mercadorias (almojarifazgo).
Como Sevilha era um próspero centro comercial da Coroa de Castela, essas taxas geravam fortunas. Doações da Nobreza: Grandes famílias aristocráticas (como a Casa de Medina Sidonia) compravam o direito de construir capelas privadas dentro da catedral para enterrar seus familiares, injetando quantias massivas de dinheiro.
Ricos burgueses e figuras influentes deixavam legados expressivos em seus testamentos. Um exemplo famoso documentado na época foi o de Doña Guiomar Manuel, uma dama abastada que doou grande parte de sua fortuna pessoal diretamente para as obras da fábrica da catedral.
Com a descoberta da América em 1492 mudou o fluxo de ouro e as decorações internas da igreja, uma vez que a América Espanhola descoberta por Colombo tinha muita prata e ouro, ao contrário do Brasil cujo ouro só foi descoberto no século XVII.
OBRAS DE ARTE
A Catedral de Sevilha guarda um imenso acervo com mais de 800 pinturas, grandes retábulos e esculturas. Os destaques principais incluem o imponente Retábulo Maior gótico, quadros de mestres como Bartolomé Esteban Murillo e Francisco de Goya, além do túmulo de Cristóvão Colombo.
Possui o maior retábulo de madeira policromada do mundo, criado por Pierre Dancart e continuado por outros artistas entre os séculos XV e XVI. A Visão de São Antônio: Tela grandiosa de Bartolomé Esteban Murillo, localizada na capela homônima. Santas Justa e Rufina: Pintura de Francisco de Goya de 1817 que retrata as santas padroeiras da cidade. O Descendimento de Cristo: Obra renascentista do pintor flamengo Pedro Campaña.
Túmulo de Cristóvão Colombo: Monumento fúnebre impressionante carregado por quatro arautos que representam os reinos de Castela, Leão, Aragão e Navarra (obra se encontra em restauração com muitos andaimes no seu redor). A Magdalena como Melancolia: Tela de Artemisia Gentileschi, expoente da pintura barroca italiana.
MAIOR CATEDERAL GOTICA
A Catedral de Sevilha detém oficialmente o título de maior catedral gótica do mundo em termos de área de superfície e volume. COncorre diretamente no topo com monumentos icônicos como as catedrais de Notre-Dame de Paris e Chartres na França, e a Catedral de Colônia na Alemanha.
O que torna a Catedral de Sevilha um dos templos góticos mais influentes e singulares da história baseia-se em quatro fatores fundamentais:1. Suas dimensões colossais COM Área recorde: Com 11.520 metros quadrados, ela foi registrada no Guinness World Records pela sua impressionante extensão.
Volume interno: Suas cinco naves geram uma sensação de espaço interno que supera a maioria das igrejas medievais europeias.Terceira maior igreja: Entre todos os estilos arquitetônicos, ela fica atrás apenas da Basílica de São Pedro (Vaticano) e da Catedral de São Paulo (Londres).
Uma planta quadrada única Diferente da maioria das catedrais góticas da Europa — que têm formato de cruz latina —, a de Sevilha tem uma planta retangular/quadrada. Isso ocorreu porque os construtores aproveitaram os alicerces exatos da antiga mesquita almóada que ficava no local.
O maior retábulo da cristandade EM Nenhuma outra catedral gótica possui um altar como o de Sevilha. O Retábulo Maior, feito em madeira policromada, tem quase 30 metros de altura e contém milhares de figuras esculpidas que impressionam pela riqueza de detalhes góticos tardios.
O cofre do Novo MundoA catedral ganhou uma importância geopolítica e histórica que as outras catedrais europeias não tiveram. Sendo Sevilha o porto exclusivo de comércio com as Américas na Idade Moderna, a catedral tornou-se o símbolo do poder econômico do Império Espanhol, decorada com quantidades maciças de ouro e prata americanos.
A Coroa não ordenou a construção e nem assumiu as despesas da fábrica gótica da catedral, tarefa que ficou inteiramente a cargo do clero e do povo de Sevilha através dos impostos e sacrifícios financeiros.No entanto, a Coroa de Castela e os reis espanhóis mantiveram uma relação profunda, política e de patrocínio com o edifício por razões históricas essenciais.
A catedral gótica foi construída intencionalmente ao redor da antiga Capela Real instituída pelos monarcas. A Coroa financiou e construiu mais tarde (no século XVI) a grandiosa Capilla Real renascentista dentro do templo. Ela foi projetada especificamente para abrigar o panteão real com os túmulos de:Fernando III, o Santo (conquistador de Sevilha) Alfonso X, o SábioPedro I, o Cruel.
Financiamento indireto pelos Reis Católicos: Embora o Cabido controlasse o canteiro de obras, os Reis Católicos (Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão) intervieram diretamente ao conceder privilégios fiscais à catedral. Eles cederam parte das rendas das paróquias locais (tercias reales) e isentaram de impostos a compra de materiais, como a madeira e a pedra importadas para erguer a estrutura.
A ligação era tão próxima que o único filho homem deles, o Infante Dom João, foi batizado ali em 1478. Palco do Poder Imperial Com o início da exploração das Américas, a Coroa estabeleceu em Sevilha a Casa de la Contratación (ao lado da catedral, no Real Alcázar). Embora a igreja pertencesse ao clero, ela funcionava como a vitrine do Império Espanhol.
Grandes expedições eram abençoadas ali e a riqueza do comércio americano — rigidamente controlado e taxado pela Coroa — indiretamente abastecia os doadores burgueses e nobres que decoravam as capelas do templo.