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O QUE É A PONTE SUSPENSA DE BISCAIA E COMO FUNCIONA A BARCA FLUTUANTE

Tem uma sensação maravilhosa ao atravessar o rio na barquinha suspensa em cabos de aço
Tasso Franco , Portugalete | 22/08/2026 às 07:01
Barquinha suspensa em cabos de aço
Foto: BJÁ
   Já utilizei três vezes a ponte de Biscaia (Puente Colgante de Vizcaya ou Bizkaiko Zubia) entre Portugalete e Getxo, no País Basco, inaugurada em 1893 e projetada por Alberto de Palacio, a ponte transbordadora mais antiga do mundo. Uma vez atravessei de carro (1.8 euro a tarifa) e as outras duas a pé (0,60 euro) e a travessia sobre o Rio Nervion dura menos de 5 minutos e é algo diferenciado.

   Foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 2006. O que torna a ponte especial é o uso de um barco suspenso por cabos de aço para transportar pessoas, carros e bicicletas de uma margem a outra sem bloquear o tráfego de grandes navios. A estrutura de ferro tem 45 metros de altura e 160 metros de comprimento, lembrando o estilo de engenharia de Gustave Eiffel.

   Além de usar a gôndola inferior, os visitantes podem subir a pé até a passarela superior para ver a paisagem, em horários especiais até 20h. O barco (ou barquinha como é cjamado) funciona 24h todos os dias. É o transporte que leva pedestres e carros suspensos de um lado para o outro do rio. O serviço opera continuamente, com saídas frequentes a cada poucos minutos.

   O serviço de transporte de passageiros e veículos ficou completamente suspenso por quase três semanas (de 3 a 22 de novembro de 2025). A paralisação foi necessária para uma obra essencial de segurança: a substituição total dos 18 cabos de aço que sustentam a barquinha.

  Em datas como junho e novembro de 2025, falhas mecânicas pontuais no sistema de tração forçaram o fechamento da ponte por períodos curtos (de uma a duas horas) até que os técnicos resolvessem o problema. Greves e protestos trabalhistas em raras ocasiões, disputas trabalhistas entre os funcionários que operam o transbordador e a empresa concessionária causaram paralisações temporárias do serviço ou a adoção de serviços mínimos regulamentados.

   Ocasionalmente, o fluxo da barquinha é interrompido por poucas horas para a realização de gravações de comerciais, filmes ou eventos oficiais autorizados pela administração. Quando essas interrupções acontecem, os moradores e turistas utilizam como alternativa os pequenos barcos a motor (botes) que cruzam o rio Nervión logo abaixo da ponte, ou fazem o trajeto contornando a ria através das linhas do metrô.

  PORQUE SE CHAMA COLGANTE

   O nome correto em espanhol é "Puente Colgante" (Ponte Suspensa) e ela é chamada assim devido ao seu método inovador de funcionamento: a barquinha que transporta as pessoas e os carros fica literalmente pendurada (suspensa) por cabos de aço, sem tocar na água.

   O nome oficial atual é Puente de Vizcaya, mas a população local e os turistas a chamam carinhosamente de Puente Colgante desde a sua inauguração por três motivos principais. A Gôndola SuspensaAo contrário de uma ponte tradicional onde os carros andam sobre uma pista fixa de concreto, nesta ponte a pista é uma plataforma móvel (gôndola). Ela fica suspensa por cabos conectados a um carrinho elétrico que corre pelos trilhos na parte superior, dando a impressão de que o transporte está "voando" ou pendurado no ar.
 
   Quando foi inaugurada em 1893, o conceito de ponte transbordadora era completamente novo (esta foi a primeira do mundo). As pessoas da época não tinham um termo técnico para descrevê-la. Como a estrutura usava grandes cabos de aço e torres que lembravam as pontes suspensas tradicionais, o termo "Colgante" (Suspensa) acabou se espalhando e virou o nome popular definitivo.

   A enorme viga horizontal de ferro fica a 45 metros de altura sobre o rio. Para quem olha de baixo, toda a estrutura metálica parece estar flutuando ou suspensa entre as duas margens, reforçando o apelido.

    O mecanismo que move a gôndola da Ponte da Biscaia combina a engenharia ferroviária tradicional com cabos de aço flexíveis de alta resistência. O sistema opera da seguinte forma:. O Carrinho de Tração Superior (Carro Transbordador) Na parte mais alta da ponte, a 45 metros de altura, existem trilhos semelhantes aos de uma linha de trem. Sobre esses trilhos corre um carrinho motorizado composto por 36 rodas de ferro. É este carrinho superior que possui os motores elétricos principais e se move horizontalmente de uma margem à outra.

     O carrinho superior é impulsionado por motores elétricos industriais. Originalmente, em 1893, a ponte usava motores a vapor, mas o sistema foi eletrificado logo nos primeiros anos de operação. A velocidade é controlada eletronicamente para que a gôndola acelere suavemente ao sair de uma margem e desacelere de forma gradual ao se aproximar da outra, garantindo o conforto dos passageiros.

    A barquinha inferior onde ficam os carros e passageiros não se move por conta própria; ela não tem motor.Ela é totalmente dependente do carrinho superior, ao qual é conectada por meio de um emaranhado de cabos de aço cruzados.Esses cabos funcionam de forma flexível: eles aguentam o peso total da gôndola cheia, mas também absorvem o impacto do vento forte que sopra na foz do rio, evitando que a estrutura balance perigosamente.

  A eletricidade chega até o carrinho superior através de cabos condutores suspensos que correm ao longo de toda a extensão da viga metálica, funcionando de maneira semelhante ao sistema de alimentação de um bonde ou metrô de superfície.Dessa forma, quando o operador aciona o sistema, o carrinho superior anda sobre os trilhos e "arrasta" a gôndola pendurada lá embaixo, completando a travessia de 160 metros em apenas um minuto e meio.