Houve um giro na comunicação e a internet é a bola da vez, o meio mais importante
Com isso, houve uma mudança de comportamento dos candidatos com uso maior da internet com os cartazes, banneres de rua, pirulitos, bandeiras, pichações de muros, etc, perdendo espaços e os impressos - santinhos, adesivos e outros - ainda existem, mas, também perderam terreno.
A internet não reinou soberana porque os candidatos aliaram as novas tecnologias às velhas, elas nunca se separam de vez, e até aconteceu um fenômeno inverso, a volta dos comicios ou o uso dos comícios com mais intensidade, que havia perdido espaços nas campanhas de 2018 e 2022.
As carreatas e caminhadas dos candidatos - sobretudo da chapa majoritária - sempre terminaram numa praça ou rua apertada para que os candidatos falassem.
Ou seja, a fala candidato-eleitor, de viva voz, que esteve em dessenso, retornou e agora é fotografada e filmada pelos eleitores com seus celulares. Essa, pois, outra novidade, uma vez que, se antes os candidatos prometiam e só quem cobrava, posteriormente, era a imprensa, hoje, os eleitores guardam os videos e os exibem mais adiante.
Quando digo que estamos sempre no atraso em termos de tech & campanhas, lembrem-se que a campanha presidencial de Barack Obama, em 2008, foi a primeira na história a usar a internet de forma decisiva para transformar a comunicação política.
A internet permitiu arrecadar milhões com pequenas doações (de 5 a 10 dólares) feitas por cidadãos comuns, respondendo por grande parte dos recursos da campanha Obama.
Lançou o site MyBarackObama.com que funcionou como uma rede social e engajou voluntários, organizou eventos locais e coordenou ações de mobilização.
A equipe utilizou ativamente plataformas como YouTube, Twitter e Facebook para divulgar mensagens diárias, humanizar a imagem do candidato e atingir o público jovem.
Na vitória de Obama, a internet foi decisiva para pelo menos três ações: ”arrecadar fundos, mandar mensagens diárias para milhões de eleitores e conquistar indecisos".
O que podemos observar nas campanhas da Bahia é que os candidatos majoritários usaram a internet especialmente o WhatsApp, Instagram e Facebook com intensidade - ACM Neto mais do que Jerônimo; Roma e Wagner mais do que Rui e Angelo Coronel com apelos distintos, Neto difundindo como muita intensidade a proposta base "Mudança com Segurança" "Governo que promete e não faz" e Jerônimo mostrando suas realizações governamentais e se amparando no apoio de "Lula-Jero".
Esse tom do Lula-Jero foi muito utilizado pelos candidatos a deputados governistas um diferencial fortissimo contra ACM Neto que tem o apoio dos bolsonaristas, mas, não pode dizer que está com Flávio Bolsonarro, porque tem votos na dobradinha inconsciente Lula-Neto, em 2022, 19%.
Uma situação complexa e que ACM Neto conseguiu atravessar toda campanha dessa maneira, embora, ninguém sabe qual será o percentual de votos Lula-Neto, acredita-se, menor do que em 2022.
O que aconteceram com a televisão e o rádio?
Perderam espaços no processo natural da evolulção tecnológica a popularização dos iPhones, a facilidade que o eleitor tem para acompanhar o que se passa nas campanhas nos aparelhos móveis (celulares), em quaisquer lugares que estejam e em tempo real.
Ou seja, um candidato faz uma carreata e o eleitor acompanha a carreata de casa, do trabalho, no metrô, no banheiro, onde estiver.
Os debates na TV perderam completamente suas forças. Jerônimo fez certo em não ir ao debate da TV Bahia porque só teria a perder. Alguém lembra o que os candidatos falaram no primeiro debate da Band Bahia? Nada.
A TV ainda tem alguma força nos programas eleitorais, sobretudo nos comerciais da TV, as pequenas e repetidas mensagens e na difusão dos nomes dos candidatos a deputados. E, para o Senado, o voto casado: quem vota no governador X vota nos dois candidatos XeY. E só.
O rádio perdeu completamente sua força nas campanhas e se tornaram veiculos importantes nas pré-campanhas.
No resumo da ópera, muito se fala das redes sociais, da infinidade de "influenceres" e pitacos populares, memes, etc, tiktok e outros, que têm algum valor mais humoristico do que decisório uma vez que são apaixonados e perfeitamente identificáveis.
Isso não é decisivo nem nunca foi, embora fake-news como o da Senhora Aparecida tenham algum peso e mobilizem até o STF.
A politica se ganha na politica, nas alianças, nas mensagens que melhor sejam encaixadas. ACM Neto que não tinha nada para mostrar em obras conseguiu encaixar uma boa mensagem e Jerônimo se ampara no que realizou e na dobradinha Lula-Jero.
O meio eletrônico tem o diferncial se ser em tempo real e mesmo no dia da eleição a internet vai funcionar a mil por hora. Quem tiver mais estrutura web e for inteligente como Obama, se mapeou indecisos, pode levar vantagem numa disputa tão acirrada, a diferença de um candidato para o outro (Neto x Jero) gira em torno de 2% a 3%. Vê-se, pois, a inportância vital da internet até mesmo no dia 4. (TF)