quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Colunistas / Política
Tasso Franco

OS PERIGOS PARA RUI DA PRÉ-CANDIDATURA 'CONSENSUAL' DE WAGNER (TF)

Veja que, de consensual, a pré-candidatura Wagner não tem nada
26/04/2021 às 09:58
   Segmentos de uma ala do PT tentam passar à opinião pública a idéia de que a pré-candidatura do senador Jaques Wagner, a governador da Bahia, em 2022, é consensual na base governista. Tal assertiva - incentivada por Wagner - com tanta antecedência para um pleito que só acontecerá em outubro de 2022 diante de uma base tão ampla como a que dá sustentação política ao governador Rui Costa (PT) é irreal. 

   Fosse real, Rui já teria ido a público através das redes sociais que tanto pratica para dar seu aval. Mas, a notícia propagada por uma ala petista e referendada pelo diretório estadual que Wagner controla, não mereceu a acolhida do chefe do executivo. Rui - experiente na política - não vai por recheio numa empanada que poderá antecipar o fim do seu governo.
  
   Ora, Wagner consensual na base governamental desviaria, desde já, pleitos políticos que seriam dirigidos diretamente a Rui para o candidato, uma vez que, pré-candidato não tem cerimônia em fazer promessas e aceitar todo tido de sugestão, enquanto quem governa é mais discreto, contido dentro de um orçamento realizável. 

   Por isso mesmo, Rui ficou mudo diante do anúncio da pré-candidatura Wagner, ainda não está discutindo politicamente sua sucessão e tem muito tempo para isso. Só o fará, assim recomenda o manual da boa prática política, no tempo certo. O que significa dizer, em meados do primeiro trimestre de 2022.
  
    Por posto, para não dizer que estamos a inventar obstáculos à pré-candidatura 'consensual' de Wagner, o senador Angelo Coronel (PSD), em entrevista ao portal A Tarde, disse que partido sem jogar não tem torcida e defendeu a pré-candidatura do senador Otto Alencar a governador, em 2022. 

  Ou seja, Coronel deseja - e ai não está falando sozinho - que o PSD tenha a possibilidade de ostentar a cabeça da chapa majoritária a governador com o apoio do PT e dos outros partidos da base. Tem sentido: uma vez que o PSD tem o maior número de prefeitos eleitos, em 2020, Otto e os pessedistas já apoiaram as candidaturas de Wagner e Rui em tempos idos recentes, foram e são fidelíssimos aos governos petistas, e agora esperam ser apoiados.
  
    Ademais, observando-se que só haverá a disputa de uma vaga ao Senado (exatamente no lugar de Otto, o qual foi eleito em 2014) combina mais uma chapa Otto (candidato a governador, PSD); Rui (candidato ao Senado, PT); e um nome do PP (candidato a vice-governador) com João Leão assumindo o comando do governo a partir de abril de 2022. 

  Uma chapa Wagner (governador, PT) + Rui (senador, PT) não cairia bem perante o eleitorado e a própria base. Há de se conjecturar que Rui poderá ficar até o final do seu governo e ser (em hipótese que os políticos não gostam de trabalhar) ministro de um provável governo Lula. Mas, ninguém tem certeza sequer se Lula será candidato a presidente e muito menos se vai ganhar.
 
    Então, observando-se o futuro político de Rui, o governador e o PT precisam ter muita cautela e não cometer erros. Se errar, na hipótese de uma vitória da oposição, o governador poderá ficar sem mandato, o que não representa o fim de sua carreira política, porém ,dará um baque. 

   Rui é bem avaliado pela opinião pública, representa um governador operante, mas sabe que a eleição de senador na Bahia está atrelada, historicamente, a eleição do governador, isso desde 1986. É só lembrar que os imbatíveis Lomanto Jr, Antonio Imbassahy e César Borges foram derrotados pela avalanche de votos dada a Waldir Pires, Wagner e Rui. 
  
   Lomanto, em 1986, era o favorito absoluto. A questão é que integrava a chapa com Josaphat Marinho candidato a governador contra Waldir Pires. Todas as pesquisas apontavam Lomanto como futuro senador. Waldir cresceu de tal forma (76%x24%) que arrastou consigo Rui Bacelar e Jutahy Magalhães. E Lomanto e Félix Mendonça sobraram. 

   Na eleição de 2006, Imbassahy também saiu como favorito e recebeu até o apoio de Wagner, na inicial. No decorrer da campanha, Wagner abrigou o nome de João Durval e Imbassahy dançou. O mesmo aconteceu com César Borges, o qual era um bom senador (o melhor da safra de 2000 até hoje), mas em eleição sólo perdeu.

   Rui, portanto, tem que colocar suas barbas no molho. Se houver um erro do PT e só falamos nesta análise do PSD e do PP, mas a base tem, ainda, o PSB (deputada Lidice da Mata), o PCdoB (deputado Daniel Almeida), o Podemos (deputado Bacelar) e outros menos cotados, os 'russos', que precisam ser ouvidos. 

   Portanto, a pré-candidatura Wagner é um ponto de inflexão perigoso e precisa ser reavaliada, além do que, representa um padrão do tipo 'fadiga de materiais' (TF)