O verão começa apenas no dia 22 de dezembro, mas o calendário de festas em Salvador já começou. O Dia Nacional do Samba, comemorado no dia 2 de dezembro, foi antecipado na capital baiana com uma caminhada que reuniu nove trios elétricos que desfilaram do Campo Grande à Praça Castro Alves. Uma multidão de apaixonados pelo ritmo compareceu ao Centro da cidade, fazendo uma prévia do carnaval - que no próximo ano acontece entre os dias 16 e 21 de fevereiro e fará uma homenagem ao escritor baiano Jorge Amado, quando ele completaria 100 anos de vida, com o tema "O País do Carnaval".
A sexta edição da Caminhada do Samba reuniu mais de 300 mil pessoas e contou com a participação dos maiores blocos de samba da Bahia: Alvorada (Grupo Bambeia), Alerta Geral (Fora da Mídia), Pagode Total (É o tchan), Reduto do Samba (banda de mesmo nome), Proibido proibir (Pagode Versato), Vem Sambar (Movimento), Amor e Paixão (Batifun e Nelson Rufino), Samba Popular (Rito Negão) e Que Felicidade (Filosofia). A festa foi realizada pela União das Entidades de Samba da Bahia (Unesamba) com o apoio da Prefeitura de Salvador.
Os blocos fizeram o mesmo percurso do Circuito Osmar (Campo Grande), do carnaval de Salvador, sem cordas, tocando clássicos de grandes sambistas baianos como Riachão, Batatinha, Ederaldo Gentil e sambas de todas as épocas. De acordo com o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Claudio Tinoco, o número expressivo de pessoas demonstra que as raízes do samba estão em Salvador, cuja efervescência artística e cultural encanta turistas de todo o planeta. "E, como nos últimos anos, não poderíamos deixar de apoiar esta grande manifestação popular. Como na caminhada do samba, estamos reunindo com todos os órgãos envolvidos para que todas as festas populares ocorram de forma ordenada, alegre e pacífica".
Além da Saltur, a caminhada contou com a colaboração da Transalvador, Limpurb, Corpo de Bombeiros, Sucom (Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município), SMS (Secretaria Municipal de Saúde), Sesp (Secretaria de Serviços Públicos e Prevenção à Violência), Guarda Municipal e Polícia Militar. "O samba é uma tradição da Bahia, dos baianos. A cidade de Salvador é uma cidade alegre e não poderia deixar de ter essa caminhada do samba que já acontece 6 anos, por isso a Prefeitura a colocou no calendário oficial e há 3 anos dá todo o suporte necessário para que a festa aconteça", declara o secretário municipal da Casa Civil, João Leão, que representou o prefeito João Henrique no evento.
Segundo o presidente da Unesamba e do bloco Alerta Geral, José Luiz Lopes, mais conhecido como Zé Arerê, a Caminhada do Samba, com o apoio da Saltur e devidamente registrada no Calendário de Festas Populares da Cidade, fortalece esta tradição. "Este evento é fruto da união dos sambistas e estamos felizes pelo apoio que estamos tendo. Ainda mais agora, que os blocos de samba terão a oportunidade de participar no carnaval mais cedo, com a sábia decisão da entrega das chaves ao Rei Momo na Praça Municipal. Esta era uma antiga reivindicação dos sambistas", ressalta Zé Arerê.
Tradição
A grande festa começou às 14h e a Avenida Sete estava completamente tomada pela multidão, mostrando a disposição dos sambistas baianos. A aposentada Maria de Lourdes Silva, 68 anos, considera o evento um resgate das tradições baianas. "Eu nasci ouvindo samba e não poderia deixar de vir a este evento, que relembra os velhos tempos do samba. Venho desde a primeira edição e acho importante resgatar esta tradição".
Já o engenheiro eletricista Antônio Freitas, 52 anos, foi acompanhado de toda a família. "Eu não poderia deixar de vir com minha mulher e trazer as duas garotas para ouvir o que há de melhor em Salvador. Na quinta de carnaval estaremos novamente aqui (Campo Grande) para ver o samba tomar novamente a Avenida". Neste ano, a novidade foi a homenagem a Guilherme Simões, fundador do Alerta Geral (1992) e da Unesamba (2002). As quatro mil camisas disponíveis para a Caminhada do Samba foram trocadas por latas de leite que serão distribuídas a 29 entidades filantrópicas de Salvador.
História
O Dia Nacional do Samba faz uma homenagem ao compositor carioca Ary Barroso na data em que o músico conheceu Salvador. De acordo com o Ministério da Cultura, a data foi instituída em 1963. "O Samba de Roda do Recôncavo Baiano - uma das mais importantes e significativas expressões musicais, coreográficas, poéticas e festivas da cultura brasileira - teve a sua inscrição no Livro de Registro das Formas de Expressão em outubro de 2004". No ano seguinte, ele foi proclamado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como "Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade".