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A cultura da PM de bater nos pobres é uma situação que precisa mudar um dia
Foto: Terra
A Polícia Militar da Bahia é uma instituição sesquicentenária. Vem do Império e tem uma tradição enorme participando de lutas e combates em todos os eventos conflituosos que aconteceram na Bahia nesses últimos 150 anos, desde os primórdios da Guerra de Canudos a caça a Lampião. Tem história e muita.
Quando eu era garoto, em Serrinha, a PM local era comandada pelo sargento Agenor e as patrulhas de rua pelo cabo Júlio. Quando vim para Salvador estudei os dois primeiros anos do científico no Colégio da PM, nos Dendezeiros.
Jovem, remava no São Salvador e ví pela primeira vez, na Festa da Ribeira, a PM sentando à pua em populares. Fiquei assustado porque era diferente da PM da minha cidade. E do que me ensinavam no Colégioi Estadual da PM.
Sargento Agenor fazia parte da PM cidadã. Frequentava a livraria do meu pai, a farmácia de Sêo Paulino Biêta, a loja de ferragens de Sêo Sinfrônio e assim por diante. Era duro quando as missões policiais assim o exigiam. Num dos meus livros coloquei-o como o personagem Antenor Providência narrando exatamente sua bravura. Já os PMs que bateram em populares na Ribeira, 1963, eram anti-cidadãos.
Em 1963, governava a Bahia, Antonio Lomanto Jr, ainda vivo nos dias atuais. Hoje, passados quase 50 anos desse episódio, o que se vê agora durante o Carnaval com mais intensidade é que a PM continua distante de ser cidadã.
É claro que os tempos mudaram, a bandidagem ficou mais violenta e preparada para cometer crimes, mas, ainda assim, não há necessidade de que, uma pessoa dominada, como acontece no Carnaval, ser conduzida a um posto policial ou delegacia tomando cacete nas costas à vista de todos.
O Carnaval é também uma instituição centenária. Completou 100 anos em 1984, no governo municipal de Manoel Castro. Isso o Carnaval oficial porque o entrudo é mais antigo um pouco. São, portanto, 127 anos de folia e já era tempo da PM entender que pode ser cidadã pelo menos nesta festa.
Ao deter um cidadão, ao dominar como se diz na gíria policial, levar essa pessoa até a delegacia com boas maneiras, algemado que seja, seguro que seja, mas, sem precisar sentar à pua.
Isso vem acontecendo, diga-se de passagem, em todos os governos da Bahia desde quando a PM é PM.
É uma missão e tanto para o governo atual. Ainda tem 4 anos pela frente para tentar introduzir esse conceito de cidadania à PM. Se o governo Wagner conseguir será um feito e tanto.