São centenas de ambulantes que só voltam para casa, em definitivo, depois do Carnaval
Tasso Franco , da redação em Salvador |
04/02/2026 às 15:21
Ocupação total do circuito Barra-Ondina
Foto: BJÁ
A favela desceu o morro e já ocupou o circuito carnavalesco Barra-Ondina de ponta-a-ponta com isopores, tendas, panos, travesseiros, panelas, guarda sóis e outras tralhas e objetos e os permissionários legais (e ilegais) só voltarão para suas residências, nos bairros periféricos, em definitivo, após o Carnaval.
Aqueles que estão credenciados pela PMS receberam tiquetes de vale transportes e têm a obrigação de acordo com TAC do MP de retornarem para suas casas todos os dias, e também receberam vales refeições.
Há, ainda, um local para banho e uso dos filhos dos ambulantes - assim chamados - mas só para aqueles que estão credenciados e no periodo do Carnaval é grande a quantidade dos não credenciados, inclusive dos catadores de latinhas, um drama que se repete a cada ano, mas, que tem melhorado o amparo a essas pessoas que trabalham durante todo o Carnaval sob sol e chuva, dia e noite, protegidos apenas por sombreros.
Contou-me hoje uma senhora credenciada para a passarela dos ambulantes no trecho Farol da Barra ao Barravento que ela e a maioria dos seus colegas já estão no local, embora a Prefeitura só vá liberar o uso da passarela na sexta-feira, 6.
"Embora eu seja credenciada eu e as demais vivemos sob tensão porque se alguém invade nossa área para tirar é muito difícil, uma batalha e o senhor vai ver (me tratando dessa matéria, provavelmente, por minha barba branca), que mais adiante, no Barravento, Morro do Cristo, Ondina, já tá tudo marcado no chão e ocupado, mas, mesmo assim tem muitas brigas".
Na verdade, no popular, é o que se diz "uma guerra de foice", um salve-se quem puder, mesmo com o credenciamento e o Carnaval, em sí, fora o Furdunço e o Fuzuê, só começa no dia 12 de fevereiro e os ambulantes e sus familias estão acampadas desde hoje no Circuito Dodô e por mais que haja fiscalização da PMS, MP, etc, há uma quantidade enomre de crianças (algumas até de colo) porque esse é o "modus vivendi" da população pobre e a familia não tem com quem deixar filhos nos bairros e leva-os consigo, e muitos (os maiores) trabalham".
Assim é o Carnaval de Salvador a favela x o glamour, o povo x a elite, e todo mundo vai se entendendo e sobrevivendo, porém, a parte mais pesada, mais cruel, realmente é a vida dos ambulantes, a turma da favela. (TF)