Salvador

SALVADOR ESTÁ REPLETA DE CÃES VADIOS QUE ANDAM PELAS RUAS COMO FLANEUR

Vivem dia e noite pela cidade e não assustam mais os moradores, porém, se trata de uma questão da saúde pública
Tasso Franco ,  Salvador | 02/03/2026 às 18:16
Cão atravessa na faixa no Largo do Chame-Chame
Foto: BJÁ
  Salvador está repleta de cães vadios. Não saberia dizer quantos são, se centenas e/ou milhares. Creio, milhares. Só no bairro que moro (a Barra com ligação a Oeste com o Champ-Chame a a Leste com Ondina) circulam uns 30 e já conheço de nomes alguns deles - Boca, Pretinnho, Marrom, Socó) e a maior concentração se dá, diariamente, exceto domingos, nos Larguinho do Chame-Chame onde há um mercado com lojas de materiais de construções e restaurantes populares.

  Falo de cátedra porque fui cliente do Restaurante da Galega, boxe número 1, até que no ano de 2024 ela fechou e retornou para Uauá sua terra natal e o local, hoje, serve de apoio a um outrs restaurante do lado. De vez m quanto almoço por lá. Os cães vão para esse local para se aproveitarem das sobras das comidas e do que lhes dão alguns clientes.

  Pretinho habita a marquise do Victória Center. Quando passo por lá indo para a fisioterapia brinco com ele: - Bom dia guardião. Ele nem se mexe do local, mas, balança o rabo. 

  Os cães adoram fazer isso quando se sentem cortejados. Mais adiante, na Rua Belo Horizonte (onde fica a Sofisio) com o Jardim Brasíl transita o cão Marrom. É conhecido até da turma de delegados e agentes da Policia Civil da delegacia que fica no largo. É amigueiro, simpático, e fila petiscos nessa área, sobras do Bão, da Casa das Frutas e do Casãno. 

  Todos cães dessa área e de outras da cidade andam pelas ruas e praças sem serem atropelados pelos veiculos e alguns (veja foto) obedecem a faixas de trânsito complicadas, sabem esperr sinais de trânsito fechar e assim por dia. 

  Tem um deles, uma cadela, Boca, que sai da Amilcar Falcão (próximo do Cremeb), pega trecho de uma ladeira da Guadalajara, desce a ladeira José Sátiro (liga o Chame-Chame ao Morro Ipiranga) e vai para o Larguinho do Chame-Chame num trajeto complicado, atravessando a pista duas vezes e descendo uma escadaria. Vai e volta numa boa. Nunca foi apropelada. 

  Quem ensiou isso a ela e aos outros, o instinto, a rua. Diz-se que a rua ensina aos homens. Tem a educação de casa (do berço) e a da rua, da vida, da experiênia, da labuta. Assim são também com os cães. Claro, eventualmente alguns deles são atropelados, mas os homens também são.

  Outro detalhe é que não atacam ninguém e nem se incomodam com os cães de coleira, animais que passam pelas ruas com seus guardiões. 

  Houve uma época, em Salvador, que existia um negócio chamado "carrocinha" com agentes da PMS usando redes e pinças que capturam cães. Diz-se, também, que em época remotas a alguns desses cães eram servidas comidas diferenciadas que apareciam mortos no outro dia.

  Hoje, os tempos são outros e mexer num desses é problema. A questão, no entanto, é que há o problema da saúde pública. 

  Quem cuida desse assunto na Prefeitura de Salvador - cães e gatos - é a Diretoria de Proteção Animal (DIPA), vinculada à Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-Estar e Proteção Animal (SECIS). As ações incluem o Castramóvel (castração gratuita), vacinação antirrábica e o Hospital Público.