Salvador

MEDEIROS NETO em polvorosa com decisão de juiz de soltar 15 criminosos

Medo toma conta das familias de Medeiros Neto com decisão do juiz substituto
Medeiros Neto net e CB , SSA e Medeiros | 04/04/2013 às 17:48
Junão, o mais perigoso deles, também foi solto
Foto: Medeiros Neto net
O juiz substituto da comarca de Medeiros Neto, Ricardo Costa e Silva, expediu quinze alvarás de liberdade provisória a acusados detidos na carceragem da delegacia da cidade nesta terça (02) e quinta-feira (03). Dentre os suspeitos libertados pelo magistrado, que é da comarca de Itanhém, estão homens acusados de homicídio, tráfico de drogas, estupro e roubo.

Em entrevista à TV Bahia, o juiz declarou que o principal motivo para a decisão foi o fato de que os processos dos detentos passaram do prazo de julgamento. Segundo ele, alguns deles estavam mais de 120 dias presos aguardando a formação da culpa, que por vezes dependiam apenas de laudos periciais do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

A decisão beneficiou suspeitos como Joel Mota Júnior, o Junão, acusado de assassinar a própria companheira, Marinei Cruz da Silva, 46, em 21 de novembro do ano passado. Ele é suspeito de ter utilizado um instrumento de corte utilizado na colheita da cana-de-açúcar para atingir a cabeça da mulher. Segundo a polícia local, a força do golpe fez com que a vítima quase fosse decapitada e deixasse à mostra a parte interna da boca.

Como parte da motivação para libertar os detentos, o juiz diz que foi informado pelo procurador de justiça que detentos estavam ficando no corredor, em decorrência do grande número de presos na carceragem. O delegado da unidade, Kléber Gonçalves, confirma que a delegacia estava abrigando mais do que a sua capacidade máxima, que é de oito pessoas: "No mundo inteiro acontece isso e aqui não era diferente, estávamos com 18", relativizou.

O delegado também confirmou que os detentos ficaram sem alimentação por causa do vencimento do contrato com a empresa que presta o serviço à carceragem. Kléber Gonçalves, contudo, afirma que as refeições não foram servidas somente no dia 1º de abril, já que a partir da terça-feira a Câmara Municipal de Medeiros Neto assumiu as despesas temporariamente.

"Será firmado um contrato provisório com a empresa para servir as refeições até o fim de abril", explicou o delegado, esclarecendo também que até lá a empresa se responsabilizará a manter o serviço para ser ressarcida por uma indenização após o contrato. A falta de alimentação também foi um dos motivos pelo qual o juiz substituto optou por liberar os acusados.

Dentre os presos libertados, estão quatro suspeitos de homicídio: Joel Mota Júnior, Alberto Oliveira de Jesus, Bekiane da Silva Santos e José Alberto Araújo Carvalho. Já Antônio Márcio Souza da Silva e Artur Santos Leite tinham sido detidos por tráfico de drogas, enquanto Vilmar dos Santos Caravalho é suspeito de ter cometido um estupro.

A maioria dos libertos havia sido presa por roubo: Jackson Silva dos Santos, Edimar Oliveira Ferreira, Augusto Moreira Neres, Vagner Ribeiro Chaves de Jesus e Rubens Bispo Lacerda. Já Ana Paula Silva de Jesus havia sido detida por furto, enquanto Isaias Rodrigues da Silva e José da Paixão Pereira da Silva estavam na carceragem por porte e posse ilegal de arma, respectivamente.

Pelo menos dois dos presos da Delegacia da Polícia Civil de Medeiros Neto, colocados em liberdade provisória pelo juiz substituto da comarca, Ricardo Costa e Silva, são considerados, pela sociedade e pela polícia, de alta periculosidade: os acusados de homicídio Joel Mota Júnior, o Junão, 30 anos, e José Alberto Araújo Carvalho, o Betinho, 19.

 MEDEIROS NETO.COM

O magistrado expediu 15 alvarás de soltura nesta terça e quarta-feira (2 e 3/04), concedendo liberdade à acusados de homicídio, tráfico de drogas, roubo, estupro e porte e posse ilegal de arma de fogo. O juiz alega excesso de prazo dos processos, falta de alimentação e as condições precárias da cadeia pública da cidade, que funciona numa casa residencial improvisada.
 
O princípio da dignidade humana e os direitos constitucionais dos detentos são compreendidos, entretanto, a liberdade dada a elementos que são considerados perigosos é vem sendo questionada em todos os lugares na cidade de Medeiros Neto. A população ficou em polvorosa.
 
O radialista Patrick Brito postou comentário nas redes sociais dando conta de que Junão foi a três casas comerciais em Medeiros Neto, que vende ferramentas, e tentou comprar uma facoa. “Por sorte os comerciantes o reconheceu em razão de fotos veiculadas nos sites de notícia e não vendeu o instrumento pra o maníaco da facoa”, escreveu o radialista.
 
Estão em liberdade Joel Mota Júnior, Alberto Oliveira de Jesus, Bekiane da Silva Santos e José Alberto Araújo Carvalho, acusados de homicídio; Jackson Silva dos Santos, Edimar Oliveira Ferreira, Augusto Moreira Neres, Vagner Ribeiro Chaves de Jesus e Rubens Bispo Lacerda, acusados roubo; Antônio Márcio Souza da Silva e Artur Santos Leite, acusados de tráfico de drogas; Vilmar dos Santos Carvalho, acusada de estupro; Ana Paula Silva de Jesus, acusada de furto e Isaias Rodrigues da Silva e José da Paixão Pereira da Silva, acusados, respectivamente de porte e posse ilegal de arma.
 
Junão e Betinho
 
Junão, no dia 21 de novembro de 2012, matou a sua companheira Marinei Cruz Silva, 46, com um golpe de faca, instrumento utilizado no corte de cana.

A violência do golpe arrancou dentes, mandíbula e língua da vítima. O que assusta nesse episódio é que o criminoso, que confessou ser usuário de drogas,estava em liberdade condicional por homicídio, havia dois meses. Ele havia matado, também com golpes de facoa, Manoel da Silva Pereira, 31 anos, o Galego. Em ambos os crimes os motivos foram fúteis. Marinei não queria que Junão fosse para roça e, Galego, devia a Junão R$ 20.

A polícia encontrou ainda um cadarço amarrado no pescoço da vítima, que teria sido também enforcada. Ele havia fugido da Delegacia de Medeiros Neto no dia 26 de março de 2013, depois de abrir um buraco na parede do banheiro, mas se entregou à Polícia Civil no dia anterior à apresentação do alvará que lhe concedeu a liberdade.