Um dos momentos mais emocionantes foi quando o cortejo parou para homenagear o representante do Samba de Viola, Seu Duzinho, que, à beira dos 100 anos e muito doente, foi levado à porta de casa por parentes para ser aplaudido pela multidão. A essência do evento foi a valorização da própria comunidade, estimulando a auto-estima dos moradores, abalada pela violência causada pelo tráfico de drogas.
De acordo com a coordenadora do CSU de Portão, Luciana Tavares, foi o maior cortejo cultural já realizado na localidade. "É uma forma de valorizar e mostrar o lado positivo da nossa comunidade: a cultura, nossas tradições, a história do nosso lugar". O morador Josué Oliveira, que assistia ao cortejo, não escondeu seu entusiasmo. "O povo precisa disso. A gente quer paz, quer alegria. Tem muitos anos que a gente não vê uma festa como esta aqui".
A festa continuou no domingo com a Feira de Cidadania, amostra hip-hop, torneio masculino e feminino de futebol, oficina de dança e teatro de bonecos. Trinta e dois profissionais da Escola Embeleze realizaram oficinas de cabeleireiro no CSU. A coordenadora da instituição na Bahia, Gilza Brito, também acompanhou as atividades. "Fico muito feliz em ver o povo unido, mostrando sua cultura, interagindo. Isto é muito importante". Na Bahia, funcionam 31 unidades do CSU, sendo nove na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Luciana Tavares o define como "instrumento destinado a inclusão social".