De prática proibida pelo Código Penal Brasileiro de 1890 a patrimônio cultural do país em 2008, a capoeira trilhou um longo caminho de lutas e conquistas. O progresso da capoeira, enquanto simples prática e modo de vida, foi destacado em sessão solene na na Câmara Municipal, quando se homenageou um dos principais defensores e divulgadores da técnica no Brasil e no exterior, o mestre Geni e o seu Grupo de Capoeira Zambiacongo.
"Chegou a hora de fazer homenagem aos que saíram daqui para mostrar a nossa capoeira lá fora", disse o grão-mestre do Grupo Abadá, Camisa Roxa, apoiado na boa aceitação e admiração deixada pela capoeira, por onde ela passa. Intitulada "6ª Jornada Internacional de Capoeira do Grupo Zambiacongo", a sessão especial, requerida e presidida pelo vereador Odiosvaldo Vigas (PDT), foi um elogio de capoeiristas e simpatizantes ao que uns chamam de arte e outros, de esporte.
Os 22 anos do grupo foram destacados pelo vereador, que considera vitoriosa a trajetória do Zambiacongo, "exemplo de demonstração viva da força da cultura no país". Presidente do grupo, mestre Geni ressaltou o trabalho realizado por outros representantes da técnica, como mestre Cabeludo, que atua em defesa da capoeira regional, e mestre Queixada, um dos mais antigos mestres capoeiristas de rua.
"A capoeira não tem credo, cor ou bandeira. Ela está em mais de 160 países", afirmou Geni, ao reforçar a presença significativa em terras estrangeiras. Com dezenas de viagens pela Europa e América do Norte no currículo, mestre Cabeludo, presidente da Associação de Capoeira Porto da Barra, fez um breve relato sobre a sua vida dedicada à prática. Ter jogado capoeira aos 49 graus negativos, na cidade de Ottawa, no Canadá, é motivo de orgulho para o mestre. "Eu vivo da capoeira, pela capoeira, como poucos o fazem", declarou, em uma referência à prática como sua única profissão.
Direitos
Gestora do Escritório Internacional de Capoeira e Turismo, Tâmara Azevedo esclareceu que o Governo do Estado está em busca de novos caminhos para a capoeira. "As ações do escritório são no sentido de validar a capoeira fora da Bahia e do Brasil", explicou Tâmara, que representou, na ocasião, o ex-secretário de Turismo Domingos Leonelli.
Reivindicação antiga dos capoeiristas, a aposentadoria do mestre de capoeira foi outro tema abordado. A criação de uma entidade de classe, representativa desses mestres, além de um estudo previdenciário foram apontados como fundamentais para que seja garantido o direito à aposentadoria. Para Tâmara Azevedo, a regulamentação da remuneração dos professores de capoeira também precisa ser debatida.
A sessão contou com a participação de outros representantes da área, como o gestor do Forte da Capoeira Magno Neto e os mestres de capoeira Queixada; Maximo, vice-presidente da Federação de Capoeira da Bahia (Fecaba); Gildo Alfinete, representante dos ex-alunos do mestre Pastinha; e Reinaldo Silva, do grupo Terra Samba, que assistiram a apresentações do grupo Berimbalada e da Banda de Música do Mestre Gajé.