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Nas areias da praia do Rio Vermelho cânticos para orixá Iemanjá
Foto: Arisson Marinho
Única festa do calendário popular de Salvador que homenageia uma orixá, Iemanjá, sem associaçâo com santos católicos como acontecem na Conceição da Praia, Bonfim e Itapuã, o povo-de-santo (ligado ao candomblé) fez reverências a rainha das águas durante todo dia, na enseada do Rio Vermelho, simbolizando a cidade que tem mais de 70 km de costa marítima.
O barco levando as principais oferendas a Iemanjá saiu da praia do Rio Vermelho às 16h30min desta terça-feira, 2, seguido de outras embarcações também com presentes. O ato simbolizou o final das comemorações em homenagem à rainha do mar.
Baianos e turistas acordaram cedo nesta terça, para o início dos festejos. Às 4h30, houve a alvorada e desde 5h os devotos deixam seus presentes nos 300 balaios no barracão dos pescadores. Alguns preferem entregar as oferendas diretamente no mar.
O presente principal de Iemanjá, uma sereia negra, chegou atrasado por volta de 8h50 desta terça-feira, 2, no barracão da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho - Z1. A oferenda, que geralmente chega entre 4h30 e 5h, atrasou porque os veículos que traziam os presentes de Arembepe foram interceptados pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE), por conta de problemas na documentação, de acordo com o presidente da Colônia, Marcos Souza.
Mas agentes da PRE negaram a informação e disseram que os automóveis - uma S4000 e um Celta - não foram apreendidos pelo órgão.
Souza disse que a sereia negra, criada pelo artista plástico Washington Santana, foi escolhida em homenagem à Àfrica e a religião afrodescendente.
FILAS
Apesar do ano de 2010 é de Oxalá, segundo representantes do candomblé, recebe vibrações de Iemanjá, sendo assim, muitas pessoas compareceram para agradecer as bênçãos que virão, levando flores, espelhos, cartas com pedidos, sabonetes e perfumes para a Rainha do Mar.
Como sempre, a fila para a entrega do presente, ao lado da Igreja do Rio Vermelho, foi muito grande, mas o bairro inteiro esteve em festa. O sagrado e o profano se uniram na comemoração.
A banda Psirico ajudou a fazer a festa, no Rio Vermelho. O pagode da banda comandada pelo vocalista Márcio Vitor ajudou a esquentar o clima do bairro mais boêmio da capital baiana.