Com portais Grande Bahia e Correio
Da Redação , da redação em Salvador |
05/10/2026 às 18:08
Zé Neto, Lidice da Mata e Arthuir Maia não retornmam, a Câmara
Foto: DIV
Pelo menos 11 deputados federais da atual bancada baiana não vão retornar à Câmara dos Deputados na próxima legislatura. Entre eles, há nomes tradicionais da política baiana, como Arthur Maia (União), Bacelar (PV), Lídice da Mata (PSB) e Marcelo Nilo (Republicanos).
Arthur Maia (União Brasil). Foi eleito como suplente. por Câmara dos Deputados
Entre os 11, há dois do União Brasil; um do PV; um do PP; um do PDT; uma do PSB; dois do Republicanos; um do PSD e dois
do PT. Deles, dois não disputaram a reeleição.
O grupo inclui duas mulheres e nove homens.
ZÉ NETO
deputado federal Zé Neto (PT-BA) comentou nesta segunda-feira (05/10/2026) o resultado das Eleições Gerais realizadas no domingo (04/10), após não conseguir renovar o mandato para a Câmara dos Deputados. O parlamentar recebeu 104.550 votos na Bahia, equivalentes a 1,26% da votação para o cargo, e terminou como primeiro suplente da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Em Feira de Santana, sua principal base política, obteve 59.127 votos, ou 18,43% dos votos locais para deputado federal, ficando em primeiro lugar no município. No pronunciamento divulgado depois da apuração, agradeceu aos eleitores, reconheceu a redução de sua votação e anunciou que concentrará sua atuação imediata na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Zé Neto reconhece redução da votação e diz que resultado não encerra atuação política
No pronunciamento, Zé Neto agradeceu aos aproximadamente 105 mil eleitores que votaram em sua candidatura e comparou o resultado de 2026 com as eleições anteriores. O parlamentar afirmou que a disputa deste ano apresentou um patamar eleitoral mais elevado dentro da competição proporcional e reconheceu que não conseguiu repetir o desempenho alcançado quatro anos antes.
“Gente, primeiro eu queria agradecer a cada um e cada uma que nos conferiu cerca de 105 mil votos. Na eleição passada, o sarrafo foi 91 mil votos. Subiu e a gente perdeu no curso desses quatro anos.”
Ao falar sobre o desempenho eleitoral, o deputado recordou que havia recebido pouco mais de 128 mil votos em 2022. Os registros eleitorais mostram que ele foi reeleito naquele ano com 128.439 votos. Em 2018, quando conquistou pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados, obteve 129.196 votos.
A comparação mostra que a votação de Zé Neto caiu 23.889 votos entre 2022 e 2026, uma redução aproximada de 18,6%. Em relação à primeira eleição federal, de 2018, a perda acumulada alcança 24.646 votos, equivalente a cerca de 19,1%.
Feira de Santana continua sendo principal base eleitoral de Zé Neto
A redução foi significativamente menor em Feira de Santana do que no conjunto da Bahia. Em 2022, o petista recebeu 62.915 votos no município e foi o candidato a deputado federal mais votado pelos feirenses. Neste ano, obteve 59.127 votos, novamente liderando a votação local para a Câmara.
A diferença entre os dois pleitos foi de 3.788 votos, equivalente a uma queda aproximada de 6%. Os votos conquistados em Feira corresponderam a mais da metade de toda a votação estadual de Zé Neto, confirmando a centralidade do município em sua estrutura eleitoral.
O parlamentar mencionou o desempenho local em seu pronunciamento e apresentou o resultado como evidência da permanência de uma base política relevante na cidade e na região.
“Em Feira de Santana já tivemos mais de 59 mil votos. Isso demonstra o nosso tamanho tanto na cidade como na região.”
Sistema proporcional explica suplência apesar dos 104,5 mil votos
A condição de suplente de Zé Neto decorre justamente dessa regra. A legislação eleitoral estabelece que são considerados suplentes os candidatos mais votados de um partido ou federação que conquistou vagas, mas que não foram efetivamente eleitos, obedecendo-se à ordem decrescente da votação nominal.
Zé Neto aparece, assim, na primeira suplência da Federação Brasil da Esperança para a representação baiana na Câmara. A condição significa que, embora não tenha conquistado um novo mandato como titular, permanece na ordem de substituição dos deputados eleitos pela federação, conforme as hipóteses de convocação previstas na legislação e nas regras parlamentares.
O resultado também evidencia uma característica do sistema proporcional: candidatos com menos votos individuais podem ser eleitos por outras legendas enquanto candidatos mais votados permanecem suplentes, porque o desempenho eleitoral do partido ou da federação interfere diretamente na distribuição das vagas.
Deputado afirma que trabalho realizado não se converteu integralmente em votos
Ao avaliar os quatro anos transcorridos desde sua última eleição, Zé Neto disse considerar que o mandato intensificou sua atuação, mas reconheceu que esse trabalho não foi suficiente para preservar a votação anterior.
Ele também recordou que sua primeira legislatura federal, iniciada em 2019, atravessou a pandemia da Covid-19, argumento utilizado no pronunciamento para comparar os dois períodos de atuação.
“Trabalhamos até muito mais do que no período anterior, porque pegamos pandemia, mas não conseguimos alcançar os votos que tivemos na outra eleição, que foram 128 mil votos e pouco.”
A declaração constitui uma avaliação política do próprio deputado sobre seu mandato e não estabelece, por si só, as causas da redução eleitoral. A perda de aproximadamente 18,6% da votação estadual pode estar relacionada a diferentes fatores políticos, territoriais e partidários cuja mensuração exigiria análise específica da distribuição municipal dos votos, da concorrência dentro da própria federação e do comportamento do eleitorado.
Em Feira de Santana, por exemplo, a redução proporcional foi inferior à observada no restante do estado, indicando que a principal perda ocorreu predominantemente fora de sua base municipal mais consolidada.
Jerônimo melhora desempenho em Feira e é reeleito governador no primeiro turno
Zé Neto também relacionou sua avaliação ao desempenho do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno. O deputado afirmou que o governador apresentou resultado melhor em Feira de Santana do que na eleição anterior.
A apuração mostra que Jerônimo recebeu 151.212 votos, ou 45,93%, para governador em Feira neste primeiro turno. ACM Neto (União Brasil) obteve 175.603 votos, ou 53,33%. Embora o adversário tenha vencido no município, sua vantagem caiu para 24.391 votos.
No segundo turno de 2022, ACM Neto havia registrado 204.662 votos em Feira contra 142.490 de Jerônimo, diferença de 62.172 votos. A comparação exige cautela porque confronta um segundo turno, em 2022, com um primeiro turno, em 2026; ainda assim, em números absolutos, Jerônimo conquistou 8.722 votos a mais no município neste ano.
No conjunto da Bahia, Jerônimo foi reeleito com 55,80% dos votos válidos, enquanto ACM Neto obteve 43,72%, consolidando a permanência do PT no Governo do Estado.