Eleições de 2026 criam um novo lider politico na Bahia com Jerônimo. Esse será objeto de nosso próximo comentário,
Tasso Franco , da redação em Salvador |
05/10/2026 às 10:35
Jerônimo se afirma como lider
Foto: DIV
Politica se ganha com alianças politicas e Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador da Bahia com surpreendentes 55.80% dos votos (4.626.509) basicamente porque seu governo foi competente ao manter e ampliar as alianças politicas do petismo no estado, em governos que veem se sucedendo desde 2007.
Essa foi a principal razão, no nosso ponto de vista, da vitória de Jerônimo. Há outros fatores complementares que comentaremos abaixo.
Todos os institutos de pesquisas erraram nas avaliações pré-eleição e quem mais de aproximou do ronco das urnas foram o Atlas Intel/A Tarde que, no sábado, mostrou JR à frente com 52% contra 48% de ACM Neto, ainda com dúvidas e colocando a margem de erro (3%) como salvaguarda; e o Quaest /TV Bahia com mesmos números.
As demais, Futura Inteligência/ Politica Livre, Paraná/Bahia Noticias; Veritá, Exame, um desastre: todos apontavam uma liderança de ACM Neto até a véspera do pleito.
As urnas, no entanto, mostraram uma diferença de 12% a favor de Jerônimo (55.80% x 43.72%) que ninguém previu, quase 1.000.000 de votos à frente que os institutos não perceberam.
E, no Senado, deu-se fato assemelhados: Rui chegou a ser apontado como 54% de preferência e teve 30.07% dos votos; Wagner 27.65%; Angelo Coronel 20.11% e João Roma 19.97%. Veja que a adiferença de Coronel para Wagner foi de 7% e a de ACM Neto para Jerônimo 12%.
No nosso entendimento foram três os fatores básicos que levaram Jerônimo a vitória: 1) As alianças politicas; 2) O fator Lula; 3) A chapa puro sangue com Rui Costa e Jaques Wagner.
Quanto as alianças, o governo JR manteve sua base politica na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal unidas só perdendo o senador Angelo Coronel. Mas, ressalteve-se Coronel (tal como João Leão -PP-, 2022) não conseguiu trazer para ACM Neto prefeitos do PSD que se mantiveram agregados a Otto Alencar. O máximo que trouxe foram alguns vices, vereadores (a chamada banda B), mas, sem expressividade maior.
Enquanto isso, o governo Jerônimo manteve mais de 330 dos 417 prefeitos do estado agregados à sua reeleição, abastecidos com obras e convênios, a adesão do Ronaldo Carleto (Avante) e isso foi determinante.
E, nos 4 anos de governo, Jerônimo foi um governador municipalista e percorreu o interior de ponta-a-ponta inaugurando obras, lançando projetos, assinando convênios e ACM Neto não conseguiu quebrar essa unidade.
O fator Lula tambem foi outro ponto importante, mas, menor do que em 2022.
Escaldado com 2022, quando ACM Neto teve mais de 19.9% dos votos agregado com o Lula/Neto, a campanha Jerônimo trbalhou a exaustão a dobradinha Lula/Jero, ACM Neto repetiu o erro de 2022 sem apoiar um bolsonarista, ficou só, e o Lula/Jero prevaleceu.
Veja que Lula obteve 66% de votos na Bahia (Flávio 28%) e Jerônimo 55.80% (Neto 43.72%) uma diferença de 10% (Lula/Jero). Na eleição de 2022, no primeiro turno Lula, obeteve 48.45% dos votos; Jair Bolsonaro 43.20% e Simone Tabet 4.16%.
Em 2026, Lula cresceu na Bahia (66% dos votos) e PL caiu para 28.6% com Flávio. Diria que Jero ajudou mais Lula do que o contrário. Mas, isso não importa. O que valeu foi o Jero/Lula nas urnas.
ACM Neto cometeu o erro palmar de ter dois candidatos ao Senado apoiando Flávio e ele, supostamente, apoiando Caiado, que sequer veio na Bahia em campanha. Isso não existe na politica.
A visita de Flávio a Coqnuista foi outro erro grosseiro da campanha, tanto para Neto/Sheila; quanto para Flávio. A prefeita Sheila chegou a ser chamada pelos bolsonaristas de comunista.
Um terceiro fator fortissimo na campanhna de Jerônimo foi a chapa puro sangue com Rui Costa e Jaques Wagner dois ex-governadores bem avaliados. Não houve probelmas na composição desta chapa porque Rui era ministro poderoso e os partidos aliados consentiram.
Wagner teve problemas com o caso Banco Master, se afastou da liderança no Senado, mas usou sua força politica (e da Bahia) para adiar as investigações e fez sua camapanha fazendo de conta que o caso Banco Master nem existiu. E seus opositores ficaram olhando a caravana passar e passou atropelando-os.
Há outros fatores menores ou de menores portes, também relevantes, como a ação do governo na capital com obras de destaque especialmente o VLT e o reforço da campanha em Salvador, ponto auge com a presença de Lula. Vale também observar que o marketing televisivo de Jerônimo foi competente na apresentação dessas obras aos eleitores.
ACM Neto se queixou ontem do uso de baiaria por parte do petismo, mas, isso faz parte de qualquer campanha. Se houve ele deveria estar preparado para enfrentá-las e aplicar a mesma moeda. Usar a expressão de Waldir Pires, de 1988, de que, para mudar a Bahia é preciso mudar o Brasil, é surtar. (TF)