PF mira senador Jaques Wagner e banqueiro Augusto Lima em 9ª fase da Compliance Zero
Da Redação , da redação em Salvador |
18/06/2026 às 10:04
Senador Jaques Wagner
Foto: Ag Senado / Carlos Moura
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado Federal, está entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18).
A PF aponta que Jaques Wagner atuou em defesa de interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas — como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar (entenda mais abaixo).
A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas ainda não obteve resposta.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Relembre aqui as fases anteriores da operação.
Além de Jaques Wagner, a PF também mira nesta fase da operação o ex-banqueiro Augusto Ferreira Lima, aliado de Vorcaro e dono do Banco Pleno — liquidado pelo Banco Central em fevereiro (veja a lista de alvos mais abaixo).
A defesa de Augusto Lima afirma que ele "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública" (veja na íntegra mais abaixo).
A PF apura se o parlamentar teria atuado em favor de projetos de interesse do Master no Congresso, entre eles a chamada "Emenda Master" e uma proposta que ampliava o limite do crédito consignado.
A OPERAÇÃO
Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, relator do caso nbo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados aos alvos no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
Além disso, agentes federais cumprem medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaportes. Inicialmente, a PF falou em monitoramento eletrônico, mas depois corrigiu a informação.
Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Veja quem são os alvos desta quinta:
senador Jaques Wagner (PT-BA);
Augusto Ferreira Lima, ex-dono do Banco Pleno e gestor ligado ao Banco Master;
Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner e gestor da BN Financeira Ltda;
Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo e vinculada à estrutura societária da BN Financeira;
Patrich Toaldo Bonilha, vinculado à BN Representações Tecnológicas Ltda;
Guilherme Henrique Sodré Martins ("Tio Guiga"). pai de Eduardo Sodré e pessoa de confiança de Jaques Wagner;
Valério Marega Júnior ("Valério Fundos"), operador financeiro ligado a estruturas de fundos do Banco Master;
David Lopes Monteiro, operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico;
Luiz Antonio Lombardi, diretor da Epítome S.A., empresa que adquiriu formalmente o imóvel em Salvador;
Andréa Lima Novaes, diretora da PKL One Participações S.A. e prima de Augusto Lima;
BN Financeira Ltda., empresa central no eixo de pagamentos ao núcleo familiar de Jaques Wagner;
BN Representações Tecnológicas Ltda., empresa vinculada ao mesmo núcleo da BN Financeira;
PKL One Participações S.A. (Credcesta); empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima;
Terra Firme da Bahia Ltda., empresa vinculada a Augusto Lima e onde Andréa Novaes possui vínculo profissional;
GF4.15 Participações e Consultoria Ltda., sociedade administrada por Guilherme Sodré.