Política

CANDIDATOS A GOVERNADOR PRIORIZAM PREFEITOS E ELEITOR É DOMINADO (TF)

A politica baiana na essência não se alterou do carlismo para petismo e o método de subjugar o eleitor é mesmo
Tasso Franco , da redação em Salvador | 05/06/2026 às 17:49
ACM NETO e Jerônimo
Foto: BJÁ

   Estamos vivenciando a pré-campanha eleitoral para governador da Bahia gestão a ser exercida no período 2027-2030 e o que podemos observar é que dois candidatos competitivos, governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição; e ACM Neto (UB) estão deixando o ator mais importante do processo (o eleitor, individual) de lado e centralizando o foco nos gestores das Prefeituras (417 no total), os prefeitos.

   Em sendo assim, com essa ótica canhestra, pode-se inferir que consideram o estado da Bahia como um grande “curral eleitoral”. Ou seja, os eleitores votam em quem os prefeitos determinam. E, num segundo plano, pela ordem decrescente, os vice-prefeitos, opositores ao prefeito (ex-prefeitos ou lado B), vereadores e os líderes comunitários. Não há um apelo direcional com ênfase ao eleitor e até ACM Neto que, na inicial, vinha com esse foco, ontem, libera um release destacando o apoio que recebeu de um vice-prefeito, como se fosse algo muito relevante.

   A Bahia, de fato, tem essa característica e isso vem desde priscas eras e não se modificou desde a Republica Velha, passando pelo getulismo, ditadura militar e redemocratiza nos movimentos do juracisismo, vianismo, carlismo e petismo. Mudaram os partidos, os lideres políticos, porém, a mecânica é a mesma e quem está no poder usa a força do Executivo para manter os aliados agregados, no Legislativo, no Judiciário e nas Prefeituras. Assim tem sido e continua sendo.   

  O eleitoral que é o móvel da questão, o principal ator do processo, sendo tratado dentro desse bojo com o controle do eleitorado, a maior parte ou grande parte dos municípios de menor poder de sustentabilidade própria se submetendo a esse jogo, inconscientemente, porque luta por sua sobrevivência como município/indivíduo, é carente, e necessita do guarda do estado e das Prefeituras. Sem esses aparatos de proteção não resistiria e se apega as bolsas de toda natureza, aos serviços gratuitos na saúde e na educação, no apoio a agricultura familiar e tudo mais que se ofereça.

   Daí que ele não se interessa pelo processo político, não acompanha os fatos, não distingue o que é uma PEC e de um PL, não sabe o que representa escândalo do Banco Master, pouco liga se o Correios e outras estatais dão prejuízo, enfim, é um ser alienado e só se interessa com o que chega a sua porta, a sua casa, a sua comunidade, ao seu bairro, e quem faz isso é o prefeito. Ele fala com o líder comunitário que, por sua vez fala com o vereador e este leva os assuntos ao prefeito. E o prefeito quando resolve tem o seu voto de gratidão.

   Essa é a lógica que vem se repetindo também com o petismo. Não mudou nada em relação ao carlismo, salvo, o que me confidenciou recentemente um graduado carlista ou ex-carlista: “O PT tem sido mais competente do que nós no segurar o eleitor”. E tem sido mesmo e está há 19 anos no poder com chances reais de aumentar esse tempo, pois, só há uma quebra na corrente quando o adversário (no caso atual ACM Neto) consegue desmoronar a estrutura adversária, casos que aconteceram com Waldir Pires, em 1986; e Jaques Wagner, em 2006.

  Neto conseguiu trincar o lado adversário em 2022 com a vinda de João Leão e outros menos dotados e agora dá uma nova trincada com Angelo Coronel e a reaproximação com João Roma, mas, não houve uma ruptura maior na base governista e a chapa puro sangue com 3 petistas na cabeça (Jerônimo, Rui e Wagner) é um feito fantástico uma vez que, era de se supor, que aliados se rebelassem, mas, nem protestaram e estão bem acomodados, bem fornidos de cargos, o que incluem as suplências dos senadores na hipótese de Lula eleito (o que também é real) Rui e Wagner ocuparem cargos ministeriais e os suplentes cheguem a Câmara Alta.

   É todo um jogo bem arquitetado – como se revelou o ex-carlista – bem planejado, calçado com fortes investimentos e projetos tendo como avalista maior o presidente Lula.

    Esse é o quadro da política baiana no momento. Pode ser que se altere pequenas coisas, mas, no geral o petismo tá bem mais estruturado do que o UB e seu candidato. A previsão é de que mantenha 80% os votos (Lula/Jerônimo) nos currais menores ou municípios mais dependentes e 70% nos médios como aconteceu em 2022.

   Tem pouca valia ou nenhuma valia, por exemplo, ACM Neto fazer visitas a municípios do tipo Ichu, Lamarão, Itapé, Uauá, Sapeaçu, Retirolândia, Quijingue, Glória,  etc, etc, porque não tem como reverter o que está assentado desde 2022 e reforçado em 2026. Sua estratégia não passa por aí e o governo está investindo, inclusive em publicidade, em áreas que esteve mais fragilizado, em 2022.

    Essas são as questões essenciais no momento, Neto ainda a definir se abraçará a candidatura Flávio Bolsonaro (PL) a presidente ou seguirá com o caído Caiado; enquanto Jerônimo está colocado em Lula desde 2023. Diferença que pesa muito.

   Não sei se vai se repetir o que aconteceu em 2022, no segundo turno, que Neto teve 19.3% dos votos casados com Lula; e Jerônimo abocanhou 3% dos 9% dos votos de João Roma, pois, cada eleição tem sua própria história. Quem elegeu Jerônimo foi o petismo 49.5% dos votos; mas para chegar aos 52.5% no segundo turno os bolsonaristas de Roma votaram nele. (TF)