Política

ONDA IMIGRANTES DO MARROCOS EM CEUTA PÕE A ESPANHA NO OLHO DO FURAÇÃO

Problema dos imigrantes na Europa é a questão mais debatida na atualidade e sem soluções à vista (Com El Faro jornal de Ceuta)
Tasso Franco , Bilbao | 01/08/2026 às 06:01
A invasão dos marroquinos a Ceuta, Espanha, que amedrontou a Espanha
Foto: El Faro
O governo não previu a crise em Ceuta. "É evidente que não tínhamos informações. Se as tivéssemos, 50 mil pessoas não teriam entrado na cidade da forma como entraram em 24 horas", admitiu um membro de alto escalão do governo. A dimensão dos incêndios em Ceuta foi impressionante.

Quinta-feira, 30 de julho. Aquele dia mudou tudo em Ceuta. A situação passou de uma tensão reprimida para uma agressividade desenfreada. Uma cidade que aguardava com expectativa as festividades de seu padroeiro — e cujo cotidiano girava em torno de debates sobre concursos públicos polêmicos na Obimasa e de uma agenda de atividades planejadas — viu-se paralisada.

Foi ali, no quebra-mar de Tarajal, que se concretizou o cenário temido: a chegada em massa de milhares e milhares de marroquinos. Eles chegaram primeiro a nado e, depois, simplesmente caminhando.

Não houve obstáculo algum. O Marrocos abriu suas fronteiras, e milhares de pessoas acreditaram que o caminho estava livre — que tinham em mãos um bilhete de entrada para outro país que lhes ofereceria abrigo e situação legal.

O boato se espalhou rapidamente. Milhares de marroquinos, vindos de todos os cantos do país, compartilhavam um único objetivo: atravessar aquele quebra-mar. E o fizeram sem impedimentos — ou melhor, enquanto os soldados marroquinos faziam vista grossa.

Este jornal testemunhou a cena na própria praia: agentes encarregados de vigiar a fronteira permitiam a entrada desenfreada de uma maré humana. Centenas no início, depois milhares. Enquanto o Rei do Marrocos celebrava suas festividades, ele permitia, simultaneamente, que se desenrolasse um novo ato de agressão contra a Espanha — uma chantagem flagrante às custas de Ceuta.

O Pior Cenário Possível

Ceuta vivenciava isso com a sensação de estar sendo invadida, enquanto ninguém tomava medidas para impedir. Nos dias que antecederam 30 de junho, o *El Faro* noticiou — em pelo menos cinco edições diferentes — a entrada de um número significativo de pessoas a nado. O jornal também ecoou as previsões mais pessimistas da Guarda Civil: eles já alertavam para a possibilidade de uma repetição dos eventos de maio de 2021.

Tudo isso foi documentado na cobertura do veículo — que noticiou tentativas de travessia por grupos de mais de 300 pessoas, mesmo enquanto lia relatos oficiais em outros meios de comunicação afirmando que a situação era normal.

Não era normal. Uma enorme onda de pressão sobre Ceuta estava se formando — uma afronta aos espanhóis que viviam deste lado do Estreito, que se sentiam esquecidos, abandonados à própria sorte e forçados a fechar suas lojas, ficar em casa ou abandonar seus planos de verão.

Na manhã do dia 30 — uma quinta-feira — por volta das nove horas, o fluxo de nadadores que ultrapassavam o quebra-mar explodiu. Isso marcou a primeira invasão em grande escala. E não parou por aí. Centenas chegaram, depois milhares. No entanto, o governo espanhol não disse uma única palavra.

Sem números oficiais sobre as chegadas
O primeiro-ministro Pedro Sánchez sequer atende às ligações de Juan Vivas — e isso acontece em uma cidade onde a situação está saindo do controle. Ninguém divulga números oficiais sobre as chegadas, tal como ocorreu em maio de 2021. No entanto, Ceuta é pequena; quando as ruas se transformam e a cidade fica lotada de pessoas vagando sem rumo, a verdadeira dimensão da situação se torna evidente.

Ao longo de quinta e sexta-feira, marroquinos continuaram a atravessar: famílias inteiras, crianças desacompanhadas e até mesmo um bebê enviado pelos pais em uma boia. É uma loucura absoluta que termina em morte.

FEIRA DE CEUTA

O cancelamento da Feira de Ceuta — uma medida de segurança tomada em resposta à grave crise migratória que assola a cidade — causou profundo descontentamento entre os proprietários de estabelecimentos de hotelaria e os vendedores das barracas da feira, que se sentem abandonados pelo governo local.

Embora reconheçam o impacto emocional do cancelamento de uma das celebrações mais importantes de Ceuta e aceitem que "a segurança dos cidadãos é a prioridade" nesta situação, os proprietários de estabelecimentos alertam que a decisão resultará em "prejuízos financeiros significativos" — prejuízos para os quais, até o momento, não receberam nenhuma resposta.

Os vendedores das barracas afirmam que entendem que a segurança deve ser priorizada em uma situação tão excepcional, mas criticam a falta de comunicação do governo local.

Eles explicam que, após o anúncio oficial do cancelamento, receberam apenas a notificação formal; nenhum representante oficial visitou o recinto da feira para explicar como as despesas já incorridas seriam tratadas ou para discutir possíveis medidas de compensação.

Prejuízos financeiros sem reparação

Os responsáveis ​​pelas barracas da feira afirmam ter feito investimentos significativos nos últimos dias para preparar a abertura do evento. Entre as despesas citadas estão a contratação de equipes de segurança e de controle de acesso, a decoração do local, o aluguel de equipamentos de som e a compra de alimentos e bebidas para servir aos milhares de visitantes e moradores locais que esperavam receber durante as festividades.

Alguns desses produtos poderiam ser devolvidos aos fornecedores, mas outros — especialmente alimentos congelados ou perecíveis — "já não podem ser aproveitados sem romper a cadeia de frio", o que resulta em prejuízos financeiros diretos para os proprietários dos negócios.

Os comerciantes do setor também destacam as taxas pagas pelas barracas; eles acreditam que a possibilidade de reembolso deveria ser considerada, visto que a feira não chegou a abrir. "Pagamos pelas unidades, mas a feira nunca abriu", lamentam, cobrando uma resposta clara das autoridades.