Política

ELEIÇÕES 2026:O ELEFANTE EM SALA DE CRISTAIS E MINISTRO RUI COSTA (TF)

Epíteto "Elefante em sala de cristais" não é elegante, mas sem esse tipo de personagem não simpático, quebrando cristais, não se ganha eleição. (TF)
Tasso Franco , Salvador | 05/03/2026 às 13:02
Simbologia do elefante numa sala de cristais
Foto: SERAMOV
  O ELEFANTE EM SALA DE CRISTAIS E RUI COSTA

   O epiteto divulgado pelo vice-governador Geraldo Jr para classificar o personagem Rui Costa como um “Elefante em sala de cristais é apropriado. Não se sabe se o estabelecido por Geraldinho (nome que o vice adotou na política) foi intencional ou um descuido da web. Nem se saberá. A dúvida é exatamente essa. Fica sempre a possibilidade de um escape, de uma justificativa. Mas, isso, aparentemente, pouco importa.

   O fato, em si, é relevante pois a critica foi endereçada a um dos ministros mais poderosos da República, apontado como o braço direito do presidente Lula, e o mais destacado líder do PT na Bahia, na atualidade. 

   E quando dizemos que é o epiteto é apropriado, Rui Costa, desde os tempos iniciais na politica sempre foi uma pessoa discreta, fechada, de pouca interlocução e assim se mantém até os dias atuais. Avançou, se firmou e é respeitado.

   Houve, é consensual que no seu segundo mandato ou na virada do primeiro mandato para o segundo flexionou mais essa abertura com seus pares e se tornou mais sociável. Inclusive a primeira dama organizou uma festa Balmarchê no Palácio da Aclamação que dava um certo charme ao governo, mas, não era o perfil de Rui, o qual se comportou estoicamente dentro do rito governamental. E só. 

  No segundo mandato diante de tantas críticas de que não recebia sequer os parlamentares de sua base (exceto os do PT) Rui ficou mais “ligth” mas não a ponto de ser um Wagner, o seu mentor político. 

  Jaques Wagner, sim, foi o percussor, o petista que levou o PT ao poder máximo no estado, coisa que os pioneiros não conseguiram. E Wagner, por posto, quando da escolha do seu substituto no governo, em 2014, escolheu Rui, o qual, pelo menos do ponto de vista das relações publicas era o seu oposto. Wagner era (e ainda é) simpático, democrático, aberto, o que a elite chama de “gentelman”. 

   Naquela época, não precisa lembrar aqui, havia outros nomes históricos do PT querendo substitui-lo, mas, Wagner entronizou Rui. E isso aconteceu quando o levou para junto de sí, Rui foi eleito deputado federal (2010) graças a Wagner, mas não exerceu o mandato.

  Wagner foi passando as atribuições do governo para Rui nas relações institucionais. Em 2013, era Rui que governava indo para o interior distribuir tanques d’água e máquinas agrícolas. Também nessa época, a oposição chamava o governo Wagner de “vagareza”, inclusive parlamentares que hoje estão alinhados com o petismo e outros no TCE.

  Rui Costa exerceu mandatos de governador entre 2015 a 2022 com a mesma postura que sempre teve: cara fechada, carrancudo, discreto, petista. E, claro, na política, sua posição sempre foi de elefante na sala de cristais. Porém, um elefante ágil, tanto que cunhou a expressão “correria” (muito usada em seu marketing).

   É pra romper o cerco? Ele rompia; É pra dizer não? Ele dizia. É só lembrar que, em 2021, João Leão, então vice-governador começou a manifestar o desejo de ser governador. Entendia que tinha dado uma contribuição ao petismo e queria algo de volta, de recompensa. Rui ficou calado. E, no momento certo, em 2022, disse: Não. Sem alternativa Leão pulou fora do barco petista.
  
   Mas, o NÃO ruista não foi só a Leão. Petistas alinhados com Wagner e que controlavam (e ainda controlam) o diretório do PT na Bahia começaram a falar no retorno de Wagner ao governo. Rui se comportou da mesma maneira no relacionado a Leão: ficou mudou. Ninguém ouvia uma palavra de Rui sobre o assunto. E, no momento certo ele disse: o nome é Jerônimo, é quem vou apoiar. Os wagneristas colocaram a viola no saco e foram tocar em Andaraí.

  Ainda se tentou (e se falou) numa terceira via, Otto Alencar, e houve uma reunião em SP com Lula e aparentemente definiu-se o nome de Otto para governador. A imprensa divulgou e logo depois petistas coroados (parlamentares) começaram a criticar Otto e o senador, então, disse na época que, sem consenso não entraria. E não entrou e Rui emplacou Jerônimo com apoio de todos. Otto iria se insubordinar? Não é seu perfil.

   Rui elegeu Jerônimo com a mesma estratégia que Wagner elegeu Rui, levando-o para o governo e colocando-o como secretário da Educação. Havia muitas criticas a Rui, sobretudo no primeiro mandato, de que a educação estava em queda. Ele então resolveu criar o programa das Escolas em Tempo Integral e colorou Jerônimo para pilotar. Foi um programa tardio cujas escolas só começaram a ser inauguradas no governo Jerônimo.

  Havia uma desconfiança até de Lula de que Rui elegesse Jerônimo. Mas ele garantiu que elegeria e ai entrou seu modo elefante em sala de cristais, permaneceu no governo até o fim, fez convênios com prefeitos, abriu as porteiras do governo num projeto de força eleitoral, ACM Neto ainda chegou a assustar indo a um segundo turno, mas deu Jerônimo, garças a força de Lula que obteve 82% dos votos na Bahia.

  Ora, essa força também teria que ser creditada a Rui governador tanto que ele foi alçado a ministro da Casa Civil da Presidência da República. A diferença de votos de Lula (82%) para Jerônimo (52%) foi 30% uma coisa nunca vista na Bahia e que pouca gente hoje comenta. Rui trabalhou muito para Lula combatendo Bolsonaro, quando era govrnador e seu governo sofreu bastante.
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  É nesse ponto, nessa campanha, que entra Geraldo Jr, que era presidente da Câmara de Vereadores de Salvador tinha alguma visibilidade na capital, era do MDB, mas, o que pesou na escolha de Geraldo foi o emblema, o fato dele ser uma liderança que era agregado a ACM Neto e mudou de lado. E isso foi organizado pela experiência política de Wagner.

  Do ponto de vista eleitoral não tinha força nenhuma porque os votos principais de Jerônimo – e que o elegeu – estavam nos currais eleitorais do interior onde obteve votação assemelhadas a Lula, 80% votos. Geraldo, portanto, teve apenas um peso psicólogo e em nada também atrapalhou ACM Neto. A derrota de Neto, em boa parte se deveu ao fato dele não ter um candidato a presidência da República, nem ficou com Bolsonaro; nem criticou Lula porque teve votos agregados Lula/Neto.
 
  O governador Jerônimo ao chegar a Ondina não deu ao seu vice nenhuma função executiva e Geraldo Jr não reclamou. O MDB foi contemplado com alguns cargos e uma secretaria de segundo nível. E, justiça seja feita, Geraldinho (nome politico que adotou) tem se comportado estoicamente, amigável, risonho, feliz da vida.
 
 Chegamos ao ano eleitoral de 2026 e desde o ano passado o líder do MDB na Bahia, que comanda o partido, tem dito que o MDB quer manter Geraldo Jr na vice-governadoria. As declarações de Geddel têm caído no vácuo. 

   As principais lideranças do PT, Jerônimo e Rui nada falam. Coube a Wagner endossar o nome de Geraldinho, mas, foi desmentido por Jerônimo, o qual disse que quem comanda a sucessão é ele.

  Foi a partir desse episódio e do encontro de Rui com as lideranças do Avante de Ronaldo Carleto e da declaração do governador que a chapa ainda não está definida, que Geddel aumentou o tom da voz e Geraldinho liberou a matéria do elefante em sala de cristais. Já pediu desculpas, mas, paciência.
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  Ora, o PT ganhou o governo, em 1996, minando as bases do carlismo e cooptando seus integrantes. O Avante, hoje, é mais importante do ponto de vista eleitoral do que o MDB. Portanto, embora possa haver muxoxos no MDB, se o petismo (leia-se Rui e Jerônimo) escolher um nome do Avante (fala-se em Neto Carletto, deputado federal) está dentro da lógica politica para vencer uma eleição. 

   O epíteto "Elefante em sala de cristais" não é elegante, mas sem esse tipo de personagem não simpático, quebrando cristais, não se ganha eleição. (TF)