Segue o mesmo de novembro/dezembro de 2025 sem alterações apenas com sutis mudanças de posicionamento de Otto em relação a Angelo Coronel e surgimento da terceira via nacional
Isso é o que há de novo e relevante e poderá ajudar as pretensões de ACM Neto a depender de quem for o candidato do PSD e se ele vai se tornar, de fato, uma terceira força competitiva. Ciro Gomes, por exemplo, já tentou isso e não conseguiu e a Simone Tebet (MDB) que era uma esperança e emergiu na última eleição, se entregou ao petismo. Se tivesse paciência e determinação política com ideário próprio, hoje, estaria na crista da onda, mas, sucumbiu ao poder corporativo.
Então, nos concentrando na politica baiana, o quadro, hoje, é o mesmo de novembro/dezembro de 2025. Vejamos por chapas e partidos:
1. A chapa governista está definida como puro sangue Jerônimo (governador), Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado. Rui anunciou ontem quem será sua substituta na Casa Civil. Persiste, no entanto, a dúvida se o candidato a governador será Jerônimo ou Rui, mas isso não altera o puro-sangue. Caso seja Rui, Jerônimo e Wagner serão candidatos ao Senado. Há, ainda, uma terceira alternativa, improvável, de Jerônimo seguir como governador até o final do mandato e a chapa ser Rui, Wagner e Coronel ao Senado. O prazo final para essa definição é junho, momento das convenções partidárias.
2. A situação do senador Ângelo Coronel é a mesma: mantém sua candidatura ao Senado. Já percebeu que está sendo fritado em banho Maria pelo PT com a “puro sangue”, mas não opina sobre o assunto e mantém seu nome ao Senado. Há, em tese, poucas alternativas para tomar: ser candidato a senador independente integrado a chapa do seu partido a presidência, sem vínculos com o candidato governista à Ondina e a Lula; ser candidato ao Senado independente com apoio a ACM Neto. Em recente entrevista, Wagner admite que seria louvável a candidatura de Coronel independente com apoio a Jerônimo/Lula. Com a provável chapa Caiado e/ou Ratinho a presidência isso se torna inviável e Coronel está escaldado com o petismo. Imagino que não acolhe o afago de Wagner.
3. O senador Otto Alencar mudou, em parte, sua posição política: segue no apoio a Jerônimo/Lula, mas admite por a legenda do PSD para Coronel ser candidato ao Senado, de forma independente. Mas, não definiu ou sinalizou se vai apoiar Coronel no palanque e nas jornadas e caminhadas no interior. Com a possível chapa do PSD a presidência da República a direção nacional do partido pode fechar questão e pressionar Otto a apoiar Caiado/Ratinho. É uma situação nova, complexa, que Otto terá que se decidir. Pode até ser afastado da direção do PSD na Bahia.
4. Essa questão nacional, que também envolve Ângelo Coronel, tem implicações na bancada do PSD na Assembleia na medida em que os deputados terão que se posicionar se seguem, como hoje, com Jerônimo/Lula; ou com Caiado/Ratinho; e até com ACM Neto. Os filhos de Coronel (dois deputados, um estadual e outro federal) vão seguir o pai. E, Coronel, tem outros aliados nessa bancada. Mas, não adianta falar agora quem vai e quem não vai seguir Coronel porque seria especular. Tem que ter paciência, o que Tebet não teve e Coronel está tendo.
5. O MDB segue querendo manter Geraldo Jr na vice-governadoria. Geraldo não opina sobre o assunto e está bem posicionado junto ao governador como fiel escudeiro. Os dirigentes desse partido, irmãos Vieira Lima, têm se pronunciado sobretudo Geddel e conversado politicamente com vários políticos independente de aliados do petismo. A posição de Geddel é clara: manter Geraldo Jr e ter mais espaços no governo. Outras de suas falas têm pouco valor porque são opiniões no modelo pitonisa.
6. O PCdoB anuncia que pretende eleger 3 deputados federais e 5 estaduais e já relacionou os nomes. O dirigente do partido na Bahia, Geraldo Galindo, cobra, no entanto, uma reunião do Conselho Político presidido pelo governador Jerônimo para, ao menos, discutir a composição da chapa majoritária. Mas, não pede nada, posições, até porque sabe que a “puro sangue” está sacramentada.
7. O PSB (socialistas) de Lídice da Mata vai lançar nomes a Câmara e a ALBA e apoia a “puro sangue” de forma integral.
8. O Avante, de Ronaldo Carletto, que emergiu como força politica de relevo ainda não se pronunciou e certamente aguarda a reunião do Conselho Político. Especula-se que gostaria de ter a vice-governadoria. Em princípio, apoia a “puro sangue”.
9. Os verdes de Bacelar estão conformados e apoiam a “puro sangue”. Há, ainda, outros partidos de menor monta, PTB, dissidentes do PP, Podemos, Solidariedade, PDT, que seguem agregados a “puro sangue” e não querem discutir nada.
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10. Na oposição o cenário também é o mesmo do ano passado. ACM Neto (União) é o candidato a governador, mas ainda não definiu a chapa, os senadores e o vice-governador. Neto aguarda o desenrolar dos acontecimentos no plano nacional, pois, ter um candidato a presidência que não seja Lula nem o carimbo de Bolsonaro é importante na sua trajetória. Daí que o movimento Kassab com a ida de Ronaldo Caiado, governador de Goiás (União) para o PSD é relevante para sua candidatura. Mas, existe o outro lado da moeda, como vai se posicionar João Roma (apontado como candidato ao Senado ao lado de Neto) que, bolsonarista raiz, apoia Flávio Bolsonaro e presidente. O deputado federal capitão Alden (PL) já disse que não segue ACM Neto.
11. Essa é uma questão que vai ser analisada e resolvida (ou não) na mesa de negociações. Em campanha passada, Wagner, incentivou Roma a sair candidato a governador. Veja que esse assunto tem muitas ramificações. Neto, recentemente, recompôs a amizade com Roma.
12. O Republicanos, de Márcio Marinho, deputado federal (e mais grupo evangélico) quer uma das vagas ao Senado com a possibilidade de colocar Marcelo Nilo ou o próprio Marinho.
13. O PP de João Leão é dividido e uma parte (Cacá Leão, Nelson Leal e outros) seguem com Neto e outra parte com Jerônimo. O PSDB segue com ACM Neto, mas sua força politica reduziu bastante.
14. O atual presidente do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur, será o pré-candidato ao governo e a professora Meire Reis como vice. Delliana Ribeiro da Silva será a pré-candidata ao Senado e terá como suplentes Nilo Rosa e Jeovane Marúsia Fernandes. A segunda vaga ao Senado será uma indicação da Rede, que faz federação com o PSOL.
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As estratégias dos dois grupos competitivos (PT x União) pelo que podemos observar até agora diante das entrevistas e dos comportamentos em andanças pelo estado, seguem com pequenas alterações: no caso da chapa governista a ênfase (igual a 2022) é dar destaque ao apoio dos prefeitos e promover convênios com as Prefeituras, o que vem sendo feito; e no outro ponto, destacar as obras da gestão PT integradas mostrando que a Bahia avançou e se desenvolveu, com ênfase em Lula. Todas as peças terão que ter Lula e o 13.
No caso de ACM Neto, haverá (como já está acontecendo) ênfase no despreparo de Jerônimo, a concentração de forças nos grandes colégios eleitorais (não pretende visitar pequenos colégios chamados de “currais eleitorais”, pois, seria perda de tempo) e depender do avanço da terceira via para presidente um alinhamento mais forte com esse ponto, sem criticar Lula, pois, tem votos casados com ele, como aconteceu em 2022. A segurança (ou a falta dela) a violência na Bahia será um ponto chave.