quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Esporte

DESAFIO FAROL A FAROL TRARÁ INCLUSÃO SOCIAL E DIVERSÃO E SALVADOR

Misto de ciclismo e corrida acontecerá neste domingo (25) com saída do Farol de Itapuã
Carla Santana , Salvador | 23/07/2021 às 12:35
Desafio Farol a Farol
Foto: Divulgação

A orla da capital baiana receberá neste domingo (25), a partir das 5h30, a primeira edição da Corrida Farol a Farol Meu Sorriso: do Farol de Itapuã ao Farol da Barra, com percurso de 23,5 km. A mobilização visa estimular o convívio social, pela atividade física, de Pessoas Com Deficiências (PCDs) e suas famílias. Outro objetivo da iniciativa da Associação Meu Sorriso é chamar a atenção da sociedade sobre a importância de tornar a cidade propícia à prática esportiva para quem enfrenta limitações de mobilidade.

Praticar atividade física com regularidade melhora a qualidade de vida e traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental de qualquer pessoa. Os ganhos são ainda maiores para as pessoas com deficiência: aprimora a força, o equilíbrio e a agilidade; estimula o convívio externo e previne as enfermidades secundárias à deficiência, além de proporcionar a socialização e aumentar a independência no dia a dia. Já no aspecto psicológico, o esporte melhora a autoconfiança e a autoestima, tornando os praticantes mais otimistas e seguros para alcançarem seus objetivos.

 

Permitir que outros pais desfrutem de momentos de lazer ao lado dos filhos com deficiência foi a motivação de Frederico Matos (52) para fundar a Organização Meu Sorriso, uma associação sem fins lucrativos, criada em 2019, fruto de uma reunião de amigos. A filha do engenheiro mecânico, Amanda, que atualmente tem 13 anos, nasceu com uma deleção parcial no braço longo do cromossomo 18, uma síndrome sem nome, que traz como consequências mais importantes o forte atraso cognitivo e hipotonia, ou seja, perda de tônus muscular. Com a prática esportiva em família, eles têm desfrutado juntos de momentos de alegria e proporcionado à adolescente novas vivências e conquistas.

 

O sonho ainda está só começando, mas o propósito está bem definido. “Nossa missão é atuar como um projeto social amplo na disponibilização de recursos e desenvolvimento de projetos que estimulem a integração de pessoas com deficiências (PCDs) e suas famílias. Nosso intuito é buscar a viabilização técnica e econômica dos recursos necessários para a participação dessas PCDs e famílias nas atividades sociais da cidade, assim como no desenvolvimento de ações e processos que estimulem essa a presença”, conta Frederico que morou nos EUA com a filha por dois anos, onde conseguiu desfrutar de uma realidade muito mais inclusiva. “Esse tempo morando fora nos mostrou o quanto em nossa cidade as pessoas com deficiência e suas famílias encontram dificuldades ou mesmo inviabilidade de usufruir de atividades de lazer ou estarem integradas aos mecanismos sociais de qualificação humana, como escolas e oficinas, causando um significativo prejuízo à socialização do PCD e seus familiares”, declarou.

 

As dificuldades citadas pelo engenheiro estão relacionadas à carência de dispositivos, infraestrutura e processos adaptados que viabilizem não somente o acesso a esses locais, mas a efetiva participação dos PCDs nas atividades cotidianas. “Essas barreiras impactam fortemente na vida social desses núcleos familiares, cenário agravado quanto maior for a complexidade da deficiência envolvida, assim como a idade do PCD. Raramente observamos a presença de adolescentes ou adultos PCDs em convívio social. Por isso, pretendemos disponibilizar os equipamentos através de cessão a uso por associações de bairro, que atuem com famílias de PCDs ou empresas prestadoras de serviço na área relacionada ao equipamento”, explicou Frederico Matos.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as pessoas com deficiência representam 15% da população mundial, fato suficiente para que tenham seus direitos assegurados e necessidades específicas levadas em consideração. A Associação Meu Sorriso se propõe a atuar no desenvolvimento de meios que mitiguem os efeitos do isolamento social, estimulem o lazer dessas famílias, promovendo, assim, a preservação da saúde mental desses núcleos familiares. Muitos desses familiares desenvolvem a Síndrome de Bournout do Cuidador ou Caregiver Burnout, situação vivida por Frederico. “O isolamento social é uma característica de famílias com pessoas com deficiência e trabalhar esse isolamento também é nossa missão. Eu passei por isso muito claramente. Voltei dos EUA vivendo essa síndrome e a atividade física foi o meu remédio. A prática de exercícios é muito mais que uma busca por saúde física, é uma forma de preservar a saúde mental. E quando envolvem grupos, a socialização potencializa essa energização”.

 

O projeto ainda está em fase de sensibilização da sociedade sobre essa necessidade das famílias de PCDs, mas seu propósito está bem definido. “Podemos acreditar que o efeito sensibilização já está sendo conquistado. Ao tempo que estamos montando novos equipamentos, adquirindo ou adaptando outros, vamos recebendo as famílias e os PCDs, qualificando-os no uso. Precisamos avançar para a fase cotidiana: a presença dessas famílias em caminhadas na orla, banhos de mar, passeios de bicicleta sem necessitar de eventos específicos para PCDs. Queremos chegar no ponto que um PCD correndo na orla com seu triciclo de paraatletismo não seja um destaque, mas uma pessoa comum se divertindo com namorada, esposa, filhos, pais ou amigos. Hoje, praticamente não vemos adultos com deficiência nem em praias”, destaca.

 

O Desafio Farol a Farol – Meu Sorriso não é propriamente uma corrida, é um desafio com o objetivo de integrar PCDs com não PCDs, é um evento com pessoas de todas as idades e potencialidades. O estímulo ao desafio tira a pessoa da zona de conforto e tem a potencialidade de despertar no PCD e na família a capacidade de estarem juntos aos demais nas atividades de lazer da cidade, explica o presidente da associação. “Por exemplo: tem mãe que vai simplesmente andar por 30 minutos com a filha em uma parte do circuito. Tenho a confiança que essa experiência colocará em sua mente que é possível, fácil e super prazeroso estar com ela no meio dos demais. Tem pais que vão correr 10km. Eu vou correr 23km ao lado de um paraplégico em uma cadeira de atletismo. Dois handbikers irão em velocidade pela rua. Já outros dois se desafiarão em buscar terminar”. O número de participantes será limitado a 70 inscritos, devido à pandemia. Para dispersar o grupo e mitigar os riscos, as largadas acontecerão em escalas, sempre um PCD com um grupo de corredores ou ciclistas, após 2 minutos, largará outro e assim por diante. As ações da Associação podem ser conferidas no Instagram: @projeto.meusorriso.