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Neymar: candidato ao trono, mas, por enquanto coroa de rei só na cabeleira
Foto: EFE
Pituaçu será o palco do jogo Vitória x Bragantino, na noite dessa sexta-feira, pela Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol.
A direção do Vitória fechou o Barradão por uns tempos para dar uma guaribada no gramado, pra lá de ordinário faz um tempão.
É hora de pontuar, de ficar ali próximo ou entre os quatro primeiros colocados. É a meta. Vencer e jogar bem é o desejo da torcida que não anda nada satisfeita com os baixos e altos do time de Geninho, que não achou ainda a formação ideal, sobretudo do meio campo pra frente.
O Bragantino é teoricamente um time inferior ao Vitória. Joga feio, pontua menos na tabela e não tem nenhum grande jogador no plantel que possa desequilibrar o jogo. Portanto, resta ao Vitória fazer direitinho seu dever de casa.
Vamos ver se em Pituaçu, mais perto e mais aconchegante, a torcida rubronegra chega mais.
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Série A
domingo
O Bahia não fez um grande jogo na noite de quarta-feira em Floripa, contra o Avaí, mas bem que merecia ganhar a partida, teve duas chances claras de golear no segundo tempo: em uma delas o lateral Marcos, pela esquerda, cortou o zagueiro e ficou de cara mas bateu embaixo da bola e a redonda subiu; na outra chance, por volta dos 40 minutos, a bola se ofereceu para Fahel ‘na praia', ele só, de frente para o gol, quase na linha da pequena área... mas o meia errou o alvo.
O Avaí saiu na frente, pressionando, mas o tricolor virou com gols de Júnior (em boa jogada de Jobson) e Paulo Miranda, de testada. Na segunda etapa o Avaí empatou e foi pra cima, no desespero, com muitas bolas altas sobre a área tricolor. O time baiano errou muitos passes, marcou muito atrás e conduziu muito a bola. Não foi um bom jogo, parecia até baba da segunda divisão.
Destaque para Paulo Miranda, um bom zagueiro e Júnior, que brigou muito o tempo todo.
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O tricolor volta a campo domingo à tarde, em Pituaçu, contra o Botafogo do Rio, que faz uma boa campanha e costuma jogar bem, ganhar seus jogos fora de casa. Pelo ritmo de venda dos ingressos, teremos casa cheia domingo no Pituaço, mais uma vez.
O torcedor quer saber se Jobson, emprestado ao tricolor pela dupla Botafogo/Atlético Mineiro, vai poder jogar contra o clube que é dono de seu passe. Time ‘barriga de aluguel/ pasto de engorda' dá nisso!
O Bahia precisa pontuar, encostar mais nos quatro primeiros colocados, porque a despeito de vir fazendo alguns jogos aceitáveis sua colocação na tabela está bem mais perto do grupo da degola do que do G-4 da elite.
É bom Renê Simões e sua trupe abrir os olhos, tratar de ganhar os jogos e o torcedor baixar a bolinha da empolgação. A torcida deve mesmo é empurrar o time com vibração e cobrar bons resultados das arquibancadas.
Vale ainda lembrar que o tricolor está ‘invicto', não venceu uma ainda no Pituaço, diante de sua torcida. Empatou duas (Flamengo e Atlético MG) e perdeu de 1 x 0 para o Corínthians. Será que ‘estréia', de fato, no domingo contra o Bota?
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A Copa América
Decepcionante
Depois do fiasco da estréia, quando empatou de zero com a fraca Venezuela, a Seleção Brasileira volta a campo no sábado, na fria Córdoba, para enfrentar o bom time do Paraguai. Tem a obrigação de vencer ou ‘o bicho vai pegar' pra cima de Mano Menezes e seus comandados.
Muitos pedem a saída de Robinho, mas não foi ele o culpado pelo empate no primeiro jogo. O time inteiro, do meio para frente atuou abaixo do que se esperava: Daniel, André, Ramires, Pato, Ganso e sobretudo Neymar. Todos muito presos às determinações táticas, a ocupação dos espaços determinados, tudo muito previsível, fácil de marcar, uma burocracia tática de doer. O time não encaixou, não penetrou, não bateu no gol adversário, aceitou a marcação venezuelana em cima e no campo inteiro.
Mesmo assim, acho que o time com Elano no lugar de Robinho fica melhor distribuído em campo: ganha o passe longo do meia santista, sua boa bola parada, sua experiência e entrosamento com Ganso e Neymar, mas, sobretudo, Elano preenche melhor o lado direito e libera mais as subidas de Daniel Alves, que deve buscar mais a linha de fundo. Outra boa opção é também a entrada do garoto Lucas, do São Paulo, que é um jogador objetivo, forte, veloz... Mas quem ganha uma fortuna para escalar o time é Mano, ele que ache suas soluções ou sua vidinha de estrela, treinador de seleção será curta.
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A Copa América é, na verdade, um torneio estranho, problemático e de futebol pouco vistoso. Sempre foi assim.
A guerra entre os sulamericanos é renhida, os jogos são pegados, brigados, faltosos, catimbados e de poucos gols. Tipo os jogos da Libertadores, pau puro. É preciso ter gana, manha, um bom sistema tático e ser macho pra disputar o jogo no corpo-a-corpo todo tempo. Não dá pra tirar a perninha da dividida, se aputar em campo, disputar a bola pensando nas fortunas da Europa.
Até agora só tem dado 0 x 0 e 1 x 0 é goleada.
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A Argentina de Messi (o melhor do mundo), Tevez, Aguero, Mascherano, Cambiasso, Zanetti e companhia empatou feio na estréia contra a fraca Bolívia e também, quarta-feira, contra a boa Colômbia. Aliás, levou um sufoco do time colombiano, por pouco não perde o jogo. A torcida dos ‘hermanos' está tiririca. Faz dó ver Tevez se batendo com os adversários, Messi desolado em campo a cada erro e o treinador Batista no banco, abobalhado, sem saber o que fazer .
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Cadê o Rei ?
Trono vazio.
Vou contar ! Cada vez que eu via os Ronaldos em campo (o gorducho e o dentuço), cada vez que hoje eu vejo Neymar e Messi em campo ... mais eu me convenço: Não veremos jamais um outro Pelé. Todos navegam a anos-luz de distância do Rei. São craques, mas mexem-se num patamar de previsibilidades.
Garrincha era previsível, mas quando estava bem física e mentalmente decidia com sua genialidade chapliniana. Já Pelé exibia um repertório de jogadas tão vasto que nunca se sabia o que poderia acontecer quando a pelota dialogava com Êle. Pelé nos dava susto, de tão surpreendente que era em campo. Alguns poucos, como Maradona e Cruiff, nalguns momentos chegaram perto. Brilhos fugazes. Por exemplo: daquele gol de arrancada que Maradona fez contra a Inglaterra, Pelé fez quantos? Recordo-me de vários, contra Benfica, Fluminense, Palmeiras... arrancando com a bola de seu próprio campo, levando e driblando até chegar às redes adversárias.
Aqui mesmo na Fonte Nova, contra o Bahia nos anos 1960, vi várias de suas arrancadas fantásticas, jogadas geniais que o estádio inteiro (mesmo as torcidas adversárias) aplaudia... até porque não havia outra coisa a fazer senão bater palmas. Beleza pura!
Pelé reinou absoluto de 1958 a 1972 (de 17 a 32 anos), no Santos e na Seleção. Seu pior momento foi a Copa de 66, na Inglaterra: Garrincha já em fim de carreira e ele baleado no joelho, inchado de tanta porrada. No mais, foi decisivo e genial nas quatro linhas, sempre inspirado e obstinado em ganhar cada jogo. Um semideus!
Às vezes imagino que a grande diferença de Pelé para outras grandes estrelas do futebol mundial residia em sua inabalável vontade de vencer. Tinha fome de bola, gana de gol. Não temia cara feia nem divididas. Seu passe era preciso, seu drible era o necessário, seu equilíbrio e força eram absolutos, tinha um domínio de bola inigualável, finalizava bem de direita, de canhota e de cabeça, seu jogo era objetivo e sua inteligência fora do comum. Daí ter feito quase 1.300 gols na carreira sem ser centroavante, sem bater todos os pênaltis e faltas no Santos ou na Seleção. E não era fominha, servia os companheiros como tanto e tão bem o fez na Copa de 1970... e fazia no Santos com Pagão, Pepe, Coutinho, Toninho Guerreiro ...
O mais interessante de tudo isso é que Êle se achava e se comportava diante dos companheiros, dentro e fora de campo, apenas como ‘mais um'. Nunca usou de privilégios, mesmo aclamado como Rei pelo mundo inteiro. Isso fez dele o Ùnico.
Hoje em dia, quando parece virou moda chique se falar mal do Sr Édson Arantes do Nascimento, por qualquer motivo tolo ( o cidadão Edson tem o direito de falar o que pensa sobre qualquer assunto, né ?), é preciso que essa meninada ‘conectada' saiba quem Êle de fato foi e o que dentro de campo fazia o Negão chamado Pelé. O que está registrado em vídeos é muito pouco de suas façanhas.
Desculpem, eu tive a felicidade de vê-Lo. Pelé em campo me fez chorar de alegria e dor, muitas vezes (Sou baiano, sou Bahia!).
PS: Observem as maiúsculas d'Êle. É um sacrilégio falar de Pelé com letras minúsculas.
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Boca do Povo
Ney Campelo na tevê falando das obras na Arena Fonte Nova e da possibilidade de a abertura da Copa 2014 acontecer em Salvador ...
E o Negão de olhos arregalados e ouvidos acesos, em bom baianês:
- ... Aooonde?