Ettore disse também que o goleiro foi indiciado como o mandante do sequestro de Eliza Samudio, sua ex-namorada que está desaparecida desde o início do mês de junho. Ele disse que o menor que prestou depoimento na terça-feira (6) e Macarrão seriam os executores do sequestro de Eliza.
Bruno e Macarrão tiveram o pedido de prisão temporária decretada na manhã desta quarta. O delegado disse que 15 equipes da DH do Rio estavam nas ruas à procura dos dois. À tarde, policiais estiveram na casa da ex-mulher do goleiro, Dayanne, para ver se Bruno estava lá. Eles também procuram um carro do jogador.
O delegado disse que o depoimento do menor ajudou na investigação. "Ele esclareceu muitos elementos e dúvidas que se tinham até então, muitos detalhes informados que depois de checados fizeram essas informações se sustentarem," disse o delegado. Ele confirmou também que o menor teria testemunhado o estrangulamento de Eliza, mas o delegado disse não lembrar quem seria o assassino segundo o menor.
O goleiro Bruno, do Flamengo, é considerado foragido pela Polícia Civil de Minas Gerais, segundo o delegado Edson Moreira, um dos responsáveis pelas investigações do desaparecimento de Eliza Samudio. A declaração foi dada na manhã desta quarta-feira (7), em entrevista no Departamento de Investigações de Belo Horizonte.
Moreira disse que a Justiça mineira expediu pelo menos três mandados de prisão temporária referentes ao caso. A assessoria de imprensa da Polícia Civil confirmou que, no total, foi decretada a prisão temporária de oito pessoas.
Além do goleiro, estariam nesse grupo a mulher dele, Dayane Souza, e um amigo do casal, Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão. Dayane foi presa na casa dela, em Belo Horizonte. O delegado afirmou que as prisões foram pedidas para evitar que provas sumissem e isso atrapalhasse a investigação.
A Justiça do Rio também emitiu mandados de prisão contra Bruno e Macarrão. A polícia esteve na casa do atleta do time rubro-negro, mas ninguém foi localizado.
Um dos advogados de Bruno foi ao fórum, no Rio, para pegar a cópia do pedido de prisão. Michel Assef Filho informou que não sabe onde seu cliente está. Ele disse ainda que deve analisar o decreto e pode entrar com pedido de habeas corpus.
A assessoria da Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que outros oito mandados de prisão foram decretados pela Justiça mineira, entre eles, mais dois contra Bruno e Macarrão, além da mulher do goleiro, Dayane Fernandes. Também teriam sido acatados três mandados de busca e apreensão de veículos.
Duas equipes da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro chegaram ao condomínio onde mora o goleiro do Flamengo, Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, por volta das 5h desta quarta. Policiais entraram na casa por volta de 8h e saíram 15 minutos depois. Segundo informações iniciais da polícia, Bruno não estava em casa e as buscas ao goleiro e seu amigo continuam.
Interrogatório
Um jovem de 17 anos, que foi apreendido pela polícia na casa do goleiro, prestou depoimento por mais de sete horas na terça-feira (6), na Divisão de Homicídios do Rio. O interrogatório pode ajudar a polícia a desvendar todo o mistério em torno do desaparecimento de Eliza. Ele foi levado para Minas, para ajudar nas investigações que estão centralizadas por lá.
O adolescente foi encontrado na casa do jogador na tarde desta terça-feira, após uma denúncia. O goleiro Bruno estava em casa e abriu a porta para os policiais. De acordo com a polícia, o depoimento do menor foi considerado esclarecedor, apesar dele ter entrado em contradição várias vezes. Durante o interrogatório, ele confirmou que Eliza está morta.
Segundo a polícia, o adolescente mentiu em alguns momentos. No interrogatório, de acordo com a polícia, ele contou que ajudou o Luiz Henrique Romão a levar Eliza Samudio e o bebê do Rio para o sítio do goleiro, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG).
Versão do menor
O adolescente disse à polícia que estava escondido no banco de trás do carro. No meio da viagem, segundo ele, houve uma discussão e ele bateu na cabeça de Eliza com uma arma que pertenceria a Macarrão. O menor contou que, neste momento, ela sangrou, mas ainda estava viva.
Mais adiante, o jovem falou que Eliza estava morta, mas não revelou quem seria o assassino. A caminhonete usada por eles seria a mesma onde o teste de luminol confirmou vestígios de sangue numa das janelas. O exame de DNA, que fica pronto esta semana, vai dizer se o sangue é de Eliza.
Denúncia
Numa entrevista à Rádio Tupi, do Rio, um conhecido do adolescente disse ter ouvido do jovem que Bruno teria dado dinheiro a um homem identificado como Clayton para que entregasse o corpo de Eliza a um traficante.
"O Bruno contratou o cara para dar sumiço, o Clayton, para levar o corpo até o cara que ia sumir com o corpo. Aí, pagou R$ 3 mil, ‘tá' entendendo? O garoto sabe também, o garoto viu aonde ‘tá'. O garoto vai dar tudo. A garota foi desossada, enterraram os ossos da garota e concretaram", disse o homem em entrevista à Rádio Tupi.
O depoimento do adolescente terminou no fim da noite de terça-feira e o promotor de Justiça que acompanhou parte das sete horas e meia de interrogatório disse que as informações do adolescente no depoimento parecem consistentes: "A versão dele é crível, a versão dele é razoável", disse.
A Polícia Civil do Rio vai repassar todos os detalhes colhidos no depoimento para a polícia de Minas Gerais. Segundo a polícia, é a partir do confronto do que diz esta testemunha com as evidências colhidas até aqui, que os investigadores esperam estabelecer o que aconteceu com Eliza Samudio.