Ah, os Deuses da Bola! Quem há de entendê-los?
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O Vitória continua iluminado pela sorte no Barradão, a sua Toca do Leão.
No início da noite deste domingo enfiou 4 x 1 no Santo André (SP), fazendo três gols nos últimos 15 minutos de jogo, logo depois de Marcelinho Carioca perder um pênalti, coisa rara em sua longa carreira, chutando a penalidade na trave, aos 33 minutos, quando o time paulista apertava em busca do empate.
Na seqüência, aos 34, o garoto Uélliton fez 2 x 0, de cabeça. Aos 38, Roger fez 3 x 0. Moraes diminuiu aos 43, fazendo o gol de honra dos paulistas e Roger, de pênalti, fechou a goleada, para delírio da galera rubronegra que anda em ‘estado de graça'; tudo dá certo no Barradão.
O primeiro gol do Vitória foi do menino estreante Uélkeson, 19 anos, projetado na divisão de base do clube, o melhor em campo, logo no início da segunda etapa do jogo.
Menos de 10 mil torcedores viram o triunfo do Leão rubronegro baiano que continua invicto, ganhando todas em sua toca. O time baiano está entre os primeiros na tabela.
O próximo adversário é o Flamengo, no Rio.
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E deu Dunga!
A seleção de Dunga foi a grande campeã da Copa das Confederações, na África do Sul, depois de vencer, de virada a surpreendente seleção dos EUA por 3 x 2, num jogo difícil e muito disputado taticamente.
No primeiro tempo, o time brasileiro criou oito chances reais de gol mas não fez nenhum. Esbarrou na soberba atuação do goleiraço Howard, o melhor da competição.
Os EUA criaram duas chances de gol e fizeram, aproveitando-se da velocidade dos contra-ataques e de bobeiras da defesa verde-amarela. Gols de Dempsey e do excelente meia (camisa 10) Donovan. O time americano marcou o campo todo, deixou dois atacantes em cima dos nossos zagueiros, mostrou muita força física e ganhou as divididas e os rebotes no meio campo. Na medida que o tempo passava e a bola não entrava os atletas brasileiros mostraram nervosismo. Resultado: 2 x 0.
Mal começou a segunda etapa e Luis Fabiano - artilheiro da competição e eleito o segundo melhor atleta do torneio - girou o corpo em cima de um zagueiro, na meia lua, e bateu rasteiro, seco, diminuindo o placar - 2 x 1. O time brasileiro em cima, não dava espaços, queria o empate, criava chances. Aos 15 minutos fez um gol, numa cabeçada de Kaká, mas a arbitragem não percebeu que o goleiro americano tirou a bola de dentro.
O empate veio aos 28 minutos, numa bela jogada de linha de fundo orquestrada por Kaká; Robinho finalizou, a pelota chocou-se na trave e ele, Luis Fabiano conferiu de cabeça - 2 x 2. Os americanos não tinham mais aquele fôlego do primeiro tempo. Aos 39 minutos, Elano alçou bola num escanteio e o zagueiro e capitão Lúcio - que não fazia uma boa partida - testou e fez o gol do título.
Uma bela festa e muitas loas para o treinador Dunga que, gostemos ou não dele, ganhou as duas últimas partidas contra Uruguai e Paraguai pelas eliminatórias da Copa 2010, e venceu todos os jogos dessa Copa das Confederações.
A virada contra os EUA mostrou um time com muita vontade de vencer e Dunga, com certeza, carimbou o passaporte e será o treinador da Copa, dando a volta por cima e uma resposta, em campo, aos críticos, os que não acreditavam no êxito de seu trabalho como treinador, até pela inexperiência no cargo.
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Bafanas e vuvuzelas
A Espanha, campeã européia, penou mas conseguiu o terceiro lugar na Copa das Confederações num jogo emocionante em Rustemburgo/ África do Sul, na manhã do domingo.
A partida foi decidida na segunda etapa da prorrogação, numa cobrança de falta de Xabi Alonso que surpreendeu a defesa e o goleiro africanos que esperavam o cruzamento mas a bola foi direta ao gol aninhando-se na rede, rente a trave esquerda.
O primeiro tempo do jogo foi equilibrado, com os espanhóis tocando e os sulafricanos marcando duro e saindo em velocidade nos contra-ataques.
O jogo pegou fogo na metade do segundo tempo. Depois de uma pressão européia, o treinador Joel Santana trocou dois jogadores dos ‘bafana-bafana' e aos 27 minutos um deles, o atacante Mphela, fez 1 x 0 levando o estádio à loucura.
Mas, aos 42 e 43 minutos o atacante d'Guiza, que também acabara de entrar, fez dois gols relâmpagos para os espenhóis, virando o jogo e calando os torcedores sulafricanos. Muitos já estavam deixando o estádio, abatidos, quando, nos acréscimos, o mesmo Mphela, iluminado, bateu uma falta do meio da rua no ângulo, empatando e levando o jogo para a prorrogação.
Os espanhóis, mais experimentados, foram felizes no lance da falta e seguraram o placar de 3 x 2, injusto para os heróicos ‘bafana-bafana'.
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Joel Natalino Santana mostrou ao mundo que é um treinador de ponta, que conhece do riscado dentro das quatro linhas. Mesmo com jogadores limitados e inexperientes, sem falar direito o inglês, ainda se adaptando à dura realidade africana, Joel conseguiu armar um bom time, bem estruturado na marcação, com toque de bola e um eficiente esquema de jogo. Um time que vendeu caro a derrota para o Brasil, já no finalzinho do jogo, e teve todas as chances de vencer a Espanha, atual campeã européia, um plantel cheio de cobras.
Parabéns ao nosso conhecido Joel, um cara simples, treinador competente e ... figuraça!
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O craque dos ‘bafana-bafana', sem dúvida é o camisa 10 Pienaar, um mulato de trancinhas, meia-atacante canhoto que joga em qualquer bom time brasileiro.
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Curiosa e criativa a manifestação do torcedor sulafricano, num "buuuuuu!" que ecoa por todo o estádio, a cada vez que o gigante branquelo Booth, zagueiro de 1,98m de altura toca na pelota. É o único brancão da turma dos negões e ídolo da galera.
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Inesquecível para todos, mesmo à distância e pela tevê, o barulho de zumbido de abelhas, de um exame assanhado, da ‘vuvuzelas', as cornetas de plástico coloridas, aos milhares pelos estádios, tocadas sem parar um instante. Único!
Já pensou se a moda pega ‘pelaqui'?
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Estádios com grandes vazios. Pobreza absoluta do lado de fora, sobretudo nas periferias urbanas. Problemas sérios de segurança nas ruas, nos hotéis ... e um serviço de transporte de massa público, coletivo, inexistente.
Esses são os mais visíveis problemas que a África do Sul tem de enfrentar e buscar soluções até a Copa do mundo de 2010.
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Atenção Brasil, atenção Bahia !
São questões que conhecemos bem, lidamos com elas cada dia.
A Copa de 2014 já se anuncia e nossa cidade, até agora, é tida como uma das sedes do grande evento esportivo internacional.
Mãos à obra, minha gente!
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Um Bahia murrinha
No sábado à tarde, no estádio Giullite Coutinho da Baixada Fluminense, o Bahia empatou de zero a zero com o timeco do Duque de Caxias, num joguinho ruim de machucar as vistas e um público de apenas 800 fominhas de bola nas arquibancadas.
Também, o futebol jogado não merecia muito mais que isso.
Pra começar, um campinho de várzea, com tufos de grama, muita areia e bola quicando, nervosa.
A partida foi equilibrada. O Bahia chutou duas bolas na trave adversária, uma aos 44 minutos do segundo tempo, mas o goleiro Fernando, do tricolor, também fez umas duas defesas providenciais.
O time baiano teve uma postura melhor que nos jogos anteriores fora de casa. Atacou, chutou um pouco mais no gol adversário, mas... ainda não encontrou um bom futebol; não é esse um time que dê alguma esperança à torcida de realizar uma boa campanha e , enfim, possa se classificar, subir para a Série A.
No sábado á tarde o Bahia joga contra o Figueirense, em Pituaçu.
Páreo duro, o time de Santa Catarina é um concorrente direto a classificação.
De cara, o treinador Gallo terá dois desfalques, por cartões amarelos: o experiente lateral esquerdo Rubem Cardoso, que deve ser substituído pelo fogoso e afoito Ávine, prata da casa; e o eficiente frente de zaga Leandro.
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Com a saída do bom meia canhoto Leo Medeiros dos planos do treinador - ‘Não joga mais comigo e vou pedir ao presidente o desligamento dele do clube... Ele sabe muito bem os motivos de minha decisão' , disse Gallo no microfone de uma rádio - a torcida cobra e espera a contratação de um armador de qualidade que possa arrumar o time do meio pra frente e criar situações de gol. Urgente!
Bora Bahêêa!