Economia

O NOVO SIMBOLO DE STATUS É TAMBÉM A FORMA QUE SE VIVE DIZ V. BRUNT

_Tendência mostra que público está preferindo investir em status a partir das experiências_
Da Redação , Salvador | 30/07/2026 às 08:25
Trousseau do Horto Florestal, em Salvador, que ajudam a construir uma forma de viver
Foto: DIV
Durante décadas, os maiores símbolos de status estiveram associados a bolsas, relógios e acessórios de grandes grifes internacionais. Agora, o novo luxo tem mudado esse raciocínio. Estudos recentes da McKinsey & Company e da Bain & Company, duas das principais consultorias globais especializadas no mercado de luxo, apontam que consumidores de alta renda têm direcionado seus investimentos para produtos e experiências capazes de proporcionar bem-estar, autenticidade e conexão emocional. O luxo deixa de estar apenas no que se veste para ganhar espaço na forma como se vive.

A escritora e empresária Vanessa Brunt, 30 anos, fundadora da Agência Brunt e do Grupo Brunt, empresas que atendem marcas como Kopenhagen, Sephora, Beneteau e outros nomes do mercado premium, afirma que essa transformação já pode ser percebida entre consumidores baianos e brasileiros.

“A tendência do verdadeiro luxo está cada vez mais ligada às experiências e ao conceito de quiet luxury. Existe uma poesia nesse movimento, porque o foco deixa de ser apenas o objeto e passa a estar naquilo que ele proporciona. O luxo passa a ser o conforto, a sensação, a memória construída e o tempo de permanência daquela experiência na vida das pessoas”, afirma.

Segundo ela, esse novo comportamento explica o fortalecimento de marcas que transformam o conceito de morar em uma experiência.

“São experiências assim, como a que encontramos na Trousseau do Horto Florestal, em Salvador, que ajudam a construir uma forma de viver, de receber e de criar memórias dentro de casa. O consumidor de alto padrão continua valorizando exclusividade, mas hoje busca marcas que façam parte da sua história e não apenas da sua imagem”, conclui.

A comunicadora Rita Brandão, 52 anos, afirma que essa mudança pode ser percebida na própria rotina. “Hoje prefiro investir em uma roupa de cama extraordinária, em uma mesa posta bonita ou em detalhes que façam meus convidados se sentirem acolhidos. Bolsas famosas muita gente tem. Uma casa que transmite personalidade, conforto e elegância diz muito mais sobre quem somos”, exclama.

Para a empresária Renata Andrade (@renataandradecm), responsável pela operação da Trousseau Salvador (@trousseausalvadorexclusivite), o movimento representa uma mudança profunda na maneira como as pessoas enxergam sofisticação. “O status deixou de ser apenas aquilo que as pessoas mostram para se tornar aquilo que elas vivem diariamente”.

Essa percepção acompanha uma transformação global no mercado. O relatório The State of Luxury, da McKinsey & Company, aponta que consumidores de alta renda têm priorizado autenticidade, personalização e significado em suas decisões de compra. Já o estudo Luxury Goods Worldwide Market Study, desenvolvido pela Bain & Company em parceria com a Altagamma, associação que reúne algumas das principais marcas italianas de luxo, identifica que categorias ligadas ao estilo de vida, à hospitalidade e ao universo da casa vêm assumindo protagonismo na redefinição do luxo contemporâneo.

Mais do que uma mudança de consumo, especialistas descrevem uma mudança de comportamento. Em vez de concentrarem investimentos em bens de alto reconhecimento público, consumidores passam a priorizar aquilo que melhora sua qualidade de vida, fortalece vínculos familiares e cria experiências duradouras.

Esse fenômeno impulsiona segmentos como arquitetura, design de interiores e decoração de alto padrão. A residência deixa de ser apenas um endereço para se tornar uma extensão da identidade dos moradores, refletindo escolhas, valores e estilo de vida.

Na Bahia, esse movimento tem aproximado consumidores de marcas que unem tradição, design e atendimento personalizado. Na avaliação de Renata, esse novo olhar também amplia o papel da decoração dentro da experiência de morar.

“Não vendemos apenas roupas de cama, banho ou objetos para casa. Participamos de momentos importantes da vida das pessoas. Quando alguém escolhe uma peça para receber amigos, montar a mesa de um almoço em família ou preparar um quarto para um filho, existe uma carga emocional muito maior do que simplesmente adquirir um produto”, conta.

Além da busca por qualidade, cresce também o interesse por produtos atemporais, capazes de atravessar gerações. Essa característica acompanha outro comportamento identificado pela Bain & Company: consumidores de luxo demonstram maior disposição para investir em peças duráveis, artesanais e com forte identidade de marca, em detrimento de tendências passageiras.

Segundo Renata, esse cenário também aproxima a Trousseau do universo da arquitetura e do design, áreas que vêm ganhando protagonismo entre consumidores de alto padrão.

“Percebemos uma procura cada vez maior por projetos completos de bem-estar. O cliente já não busca apenas um produto bonito; ele quer que todos os elementos da casa conversem entre si e traduzam a maneira como deseja viver. É por isso que nosso relacionamento com arquitetos e designers se fortalece continuamente”, diz a empresária. O posicionamento faz parte da estratégia institucional da operação baiana da marca, que busca ampliar seu relacionamento com arquitetos, designers de interiores e especificadores, consolidando a unidade do Horto Florestal como referência em sofisticação, acolhimento e experiência para o lar.

Entre as iniciativas previstas está a criação de um clube exclusivo para profissionais da arquitetura, fortalecendo conexões e promovendo experiências voltadas ao setor.