ter�a-feira, 30 de novembro de 2021
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO ABRAÇA A BATATA GOURMET JANAÍNA DO BOTECO DO CARANGUEJO

No almoço da coordenação executiva do Encontro dos Amigos de Serrinha, no último sábado, 20
23/11/2021 às 09:56
     O Encontro dos Amigos de Serrinha é sempre um momento de alegria e confraternização. Neste 2021, diante da pandemia SARS-Covid, que grudou nos baianos e não quer desaparecer de vez, só houve um almoço da coordenação executiva, no Boteco do Garanguejo, Pituba, e levei comigo, como convidado especial, Dom Franquito, camarada que é especialista em dar pitacos nos pratos da Boa Mesa.

  Quando chegamos - salvo engano - as senhoraa Caldas, Livia e Adelina já saboreavam um marisco que, na Bahia,  tem o sugestivo nome de 'lambreta" - molusco que dizem ser afrodisíaco - conchinhas que quando bem preparadas com vino e sal do Himalaia, excitam. Não sei se foi o caso dessas senhoras recatadas ensaiando para se tornarem salientes.

  E o papo se desenrolou agradável entre os 'serrinhas' cada qual mostrando mais conhecimento daquela terra ilustre, local onde vivem os descendentes do mais famoso lobisomem da Bahia e é habitada pela rainha do Norte, a sua alteza Eliúde, e o rei da Barão, um camarada chamado Jorge CUC ou Jorge de Benedito, e eu fui me acomodando como pude, abençoado por um outro 'serrinha' de raiz, de olhar significativo, João de Deus.

  Louvado seja, pois, sendo de Deus estávamos todos protegidos. 

  Conversa longa no almoço e fui astuciando tudo e bebericando meu guaraná da Amazônia com gelo e água com gás, o professor Joseval abraçado a um salmão e o Vilela saboreando um espetinho de filé.

  Como não sou de ferro e meu negócio é falar de comidinhas de restaurantes da Bahia e do mundo, no momento, a pandemia só está deixando eu viajar até Catú ou ao Jorrinho, solicitei a uma jovem garçonete, uma Yara, no bom sentido porque pareceu-me uma Yemanjá, uma batata gourmet Janania - a base de carne seca, alho cebola, coentro, creme de leite e manteiga de garrafa.

  E fique a obtemperar as conversas de Sêo Franco, o camarada que me convidou para o convescote, um neto de Dos Reis, Emilio, este dizendo que seu avô era o mais destacado 'comuna' da Serra e fizera, em sua loja de venda de carvões, um túnel - um subterrâneo, lembrei-me do livro de Jorge Amado - que ligava sua casa comercial a uma pequena mata (onde hoje se encontra o Estádio Marianão - isso para escapar da Policia se fosse perseguido; e o Vilela querendo saber a origem de uma das suas tias.

  Muita conversa. A senhora Caldas, também conhecida como Ju Fraldas em algumas narrativas do Rasta do Pelô, querendo que Sêo Franco desse uma risada visto num dia de sábado quando o dito, o tal, o parente de Sêo Lunga, só dá duas risadas, quando muito nas sextas feiras.

  Eu já estava me servindo do segundo guaraná quando protestei junto a Yemoja se a batata gourmet estava vindo de Feira de Santana. E a simpática senhorita, em instantes, trouxe-a para meu deleite.

  Diria que é um prato dos mais pedidos e deliciosos do Boteco do Garanguejo, Pituba, restaurante quase a beira mar, arejado, decoração discreta, serviço apenas razoável apesar da quantidade de garçons e gaçonetes, e que vale a pena conhecer. 

  Há, evidente, outros pratos à disposição dos clientes - carne de fumeiro, escondidinho, picanha aperitivo, moquecas de peixe e camarão, carne do sol, espetinhos - e o marisco afrodisíaco. E para tira-gosto além do 'levanta adormecido pelo tempo', pititinga, agulhinha, isca de peixes, casquinha de siri e outros. Há, ainda, pratos veganos e vegetarianos.

  Os vellhinhos do grupo além de saborear as 'lambretas' beberam o caldo. Segundo um deles, um senhor de cabelos brancos, é esse caldo que levanta até o defunto adormecido pelo tempo. A senhora Caldas ria a larga; e a senhora Adelina, discretissima, retocava a maquiagem.

  Olha, foi um almoço super-agradável, diz-se que o filho de Benedito cacheou os cabelos brancos num salão 'afro-beat' do Pernambués pra chegar-chegando; e o senhor Valdemir lustrou a careca com uma pasta vinda dos EUA.

  Gostei da Batata Gourmet a Janaina, por posto, nome de uma das minhas sobrinhas. Estava deliciosa e de bom tamanho, o que os baianos chamam de prato vistoso e farto. Dá para dois. A metade levei para lá señora Bião de Jesus, my love, que não pode ir ao evento, cuidando dos seus cachos com Acássio, o barbeiro, o qual também é cabelereiro de madames.

  Caso Sêo Franco me convide estarei presente, em 2022, no encontro dos serrinhas.

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Restaurante Boteco do Caranguejo

Av Octávio Mangabeira, 2323

Pituba, Salvador

Abre para almoço e jantar

Batata gourmet Janaina $45,99

Red Label R$19,90

Água mineral R$4,99

Coca Cola lata R$7,99

Estacionamento na rua 

Tem guardador segurança

Taxa de serviço 10%

Aceita todos os cartões

Classificação 3 DONS