Cultura

CINEASTA FRANCÊS RADICADO EM SSA, BERNARD ATTAL, LANÇA LIVRO POESIA

Acontece dia 23 de julho
DUO ,  Salvador | 13/07/2026 às 17:10
No final tudo dá certo
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Autor de cinco longa-metragens premiados em festivais em todo o mundo, o cineasta francês radicado em Salvador desde 2006 e mestre em literatura pela Universidade de Harvard, Bernard Attal, estreia no universo literário como autor. No dia 23 de julho (quinta-feira), às 18h, ele lança o primeiro livro, “No final, tudo dá certo”, no Trapiche Barnabé — espaço que ele adquiriu e restaurou no Comércio. O livro será lançado pela P55 Edição, disponível para compra no www.p55.com.br. No evento de lançamento, aberto ao público, além da sessão de autógrafos, haverá um bate-papo com o autor, que vai falar sobre o processo de escrita do livro e suas histórias.


O livro é uma coletânea de contos com onze histórias que se passam em diferentes épocas, dos anos cinquenta até os dias de hoje, com diversos personagens e em três lugares diferentes: França, seu país de origem; Estados Unidos, onde viveu antes de chegar a Salvador; e Brasil país onde mora há 20 anos. Os contos trazem personagens variados, mas compartilham um mesmo tema:  como encontros amorosos pontuais ou experiências ligadas ao sexo foram momentos existenciais determinantes para os protagonistas. 


“Eu comecei a escrever esses contos durante a pandemia, quando ficou óbvio que não teria condição de fazer filmes nesse período. Eu sou um leitor compulsivo e na verdade já me questionavam porque não comecei mais cedo a me dedicar à literatura já que escrevi meus próprios roteiros. Escrever é um exercício solitário que exige tempo e dedicação. Mas oferece uma grande liberdade criativa. Literatura não tem limites. Você pode inventar o que quiser. Os únicos limites que eu fiquei me impondo foram de oferecer narrativas interessantes para o leitor e o formato mesmo do conto, que eu amo”, conta Bernard.


No conto que abre o livro, “O velho Martin e eu”, o narrador se lembra das visitas semanais que fazia, quando adolescente, ao senhor veterano da Primeira Guerra Mundial, que esconde um trágico segredo. Na sequência, “Uma bruxa” apresenta a história de um corpo encontrado morto em uma vala de um pequeno vilarejo do Nordeste brasileiro. Em “A traição de Desdêmona”, Leon, proprietário de um grande grupo empresarial, conta ao seu diretor Jérôme, durante o primeiro voo a bordo de seu novo jato, sobre um encontro amoroso que marcou sua juventude. “Sorrisos e selos” vem na sequência e apresenta ao público a conversa entre Patrick, um colega do colégio que não via há quase meio século, e o narrador. Chegando à metade dos contos, “Brigitte quer ser amada” traz a história de uma dona de casa de pouco mais de 40 anos que, traída pelo marido, decide reintegrar-se ao mundo profissional e reavivar sua vida amorosa. 


Quem abre a segunda metade dos contos é “Sobre casamento e trutas”. Nessa história, Marie e Raoul tiveram um caso sem o conhecimento do marido Charles, gerando um fruto dessa união. Em “O Vestido Amarelo”, Adrien, um jovem consultor que mora em Nova York, decide se mudar para o Brasil após os eventos de 11 de setembro. No país, ele conhece Beatriz, uma bela moça que resiste a ele. “Largada Falsa” mostra Alex, ao voltar para casa depois de passar um tempo com sua namorada Millie, encontrando seu pai assassinado. Caminhando para o final da obra, em “A Inquilina Cambojana” Ariel é um escritor envelhecido e fracassado que tenta sobreviver em Paris. Sua inquilina, uma imigrante cambojana sem documentos, faz-lhe uma proposta inesperada.  “Pílulas para Freiras” é o penúltimo conto e, nele, Serge, um velho poeta que vive sozinho em sua ilha no Brasil, tem um último desejo: fazer amor com uma freira. Encerrando a obra, o conto que dá título ao livro é “No final, tudo dá certo”, é um retrato-investigação sobre a mãe do autor, onde o leitor descobrirá as fontes de inspiração dos contos da coletânea. 


“Não creio que lançar um livro seja muito diferente do que lançar um filme. Você coloca seu filho no mundo depois de ter o criado e ele deixa de ser seu. Mas eu adoraria que se estabeleça um diálogo entre mim e o leitor”, espera Bernard Attal, que é cineasta no Brasil, onde vive desde 2006, após passar cerca de quinze anos nos Estados Unidos. Suas obras audiovisuais (“A Coleção Invisível”, “Sem Descanso”, “Porto de Origem”) foram distribuídas nos cinemas, na Netflix, Amazon Prime, HBO e vários canais de televisão. Ele fundou e dirige o Trapiche Barnabé / Trapiche Pequeno, um centro cultural e de economia criativa em Salvador. Além do mestrado em literatura pela Universidade de Harvard, é mestre em economia e finanças pela Sciences-Po Paris. 


Sob a coordenação de André Portugal e Marcelo Portugal, a P55 Edição é uma editora baiana independente que, desde 2002, realiza projetos culturais diversos, tendo publicado centenas de livros próprios, com foco nos segmentos de arte, fotografia, literatura e cultura brasileira. Visite o site e conheça mais em www.p55.com.br.