Filme foi realizado com apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), via Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA),
Da Redação , Salvador |
19/04/2026 às 17:36
Produzido em área Pataxó
Foto: SECULT
O documentário baiano Vozes de Pindorama foi selecionado para a Mostra Curta Espanha, que acontece entre os dias 28 e 30 de maio, em Madrid. Dirigido pelo cineasta Fernando Freire, o filme foi realizado com apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), via Edital Paulo Gustavo Bahia (PGBA), e destaca a diversidade linguística originária do Brasil a partir de uma narrativa construída no território.
Partindo de uma realidade local para dialogar com um debate global, a obra se conecta à Década Internacional das Línguas Indígenas (2022–2032), proposta pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O documentário apresenta o Brasil como uma “Terra das Mil Línguas”, em um resgate da complexidade e riqueza dos idiomas originários. Ao acompanhar o esforço de revitalização do Ptxohã, a obra evidencia um movimento de resistência cultural que se recusa a desaparecer.
“Escrevi o roteiro motivado pela necessidade urgente de registrar a revitalização de uma língua nativa, em risco de extinção, e, ao mesmo tempo, contar a história fascinante das centenas de línguas originais de Pindorama. Na Terra das Mil Línguas, que o mundo chamou de Brasil, surgiu uma das maiores diversidades de idiomas do planeta e esse patrimônio se recusa a silenciar”, conta o diretor.
PARTICIPAÇÃO INDÍGENA - A construção do filme contou com a participação direta da comunidade da Reserva da Jaqueira, como forma de garantir a autenticidade e compromisso com os saberes locais. O protagonista mirim, Wêkanayhã, de 12 anos, foi escolhido pela própria comunidade, e as legendas em Ptxohã foram elaboradas por professores da escola indígena da reserva da Jaqueira.
“A participação direta da comunidade indígena foi essencial para garantir a autenticidade e integridade cultural do documentário”, destaca Fernando Freire. O diretor ressalta ainda que a presença do cacique Syratã no filme “traz autoridade e sabedoria ancestral para a tela”, fortalecendo a dimensão cultural e simbólica da narrativa.
ALCANCE INTERNACIONAL - Após circular por festivais em diferentes estados brasileiros, como Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Santa Catarina, o documentário amplia seu alcance no exterior. A trajetória inclui exibições em mostras nacionais e premiações como Melhor Filme e Melhor Roteiro, consolidando a obra como um documento relevante sobre identidade e memória no Brasil.