Cultura

AVENIDA SETE, A VIA CULTURAL DE SALVADOR, GANHA LIVRO DE TASSO FRANCO

Um libro que aborda somente a Avenida Sete de Setembro, a mais emblemática da capital baiana
Da Redação , Salvador | 16/04/2026 às 16:43
"A Alma da Senhora Av Sete", lançamento dia 22 de abril, no Centro de Cultura da CMS
Foto: Ohra Grece
   
  O livro que o jornalista Tasso Franco, 81, lança no próximo dia 22 no Centro de Cultura Manoel Querino da CMS intitulado “A Alma da Senhora Avenida Sete” mostra um perfil pouco explorado e conhecido desta via: a atividade cultural. 

   A Sete que abriga fortes militares que atuaram nas lutas da cidade, hoje, museus; centros de cultura importantes como o IGHB, Goethe Institut, Bibliotecas Anisio Teixeira e Mosteiro de São Bento e três museus temáticos, o MAB, o Carlos Costa Pinto e o Geológico da Bahia; sala de arte e cinema da UFBA, com expo e circuito permanente de filmes de arte é inigualável em Salvador.

  O autor destaca que “nenhuma outra avenida de Salvador possui essas características” e revela que são centros de cultura “com atividades frequentes, bem frequentados, vivos e com as participações de diferentes segmentos da sociedade desde jovens estudantes, a acadêmicos, pesquisadores, normais, turistas, enfim, um universo múltiplo, em ebulição, com debates, lançamentos de livros, exibições de peças teatrais e outras formas de cultura”.

   O jornalista comenta, por exemplo, que é impressionante a quantidade de estudantes que frequentam o Museu Geológico da Bahia acompanhados de seus professores e orientados pela equipe do museu que tem um acervo em mineralogia espetacular e os meteoritos que caíram em solos baianos; e peças e espaços reservados aos fósseis do Estado, esqueleto do mastodonte, preguiças gigantes, répteis e outros.

   “A Avenida Sete contém a história de Salvador. A Biblioteca do Mosteiro de São Bento possui os documentos mais antigos da cidade, desde a doação da Sesmaria de Diogo Álvares e Catharina Paraguaçu, aos beneditinos, as doações de Gabriel Soares de Souza e outros para erguer o convento; a o Carlos Costa Pinto tem uma impressionante coleção de peças em ouro e prata – balangandãs, crucifixos, etc – que eram usados pelas negras e madames; e está no MAB a colega de pinturas de Jonas Abott”, descreve o jornalista.

  Diz, ainda, que Thomé de Souza chegou no Porto da Barra, hoje, Avenida Sete, para fundar a cidade, em 29 de março de 1549, e percorreu o “Caminho da Vila Velha” entre a Barra e o Centro para erguer a fortaleza, hoje, Avenida Sete (o caminho do alto) enquanto a Carlos Gomes era o caminho de baixo. 

   “ A Avenida Sete – situa Franco – talvez só perca em importância histórica para o miolo mancha matriz/Sé/Pelourinho e Carmo, pois nela existiram 3 aldeias tupinambás, lutas pela independência ocorreram no seu solo e no Forte de São Pedro, os fortes de Santa Maria e São Diogo surgiram após a ocupação holandesa de 1624, a ermida de São Pedro nasceu no Campo Grande, a Paróquia de São Pedro Velho foi uma das mais importantes durante mais de 1 século e a Escola Politécnica da Bahia, antes da UFBA, funcionava na Avenida Sete”.

   Uma avenida que foi a ainda é local de eventos de grande porte populares como o Carnaval, o desfile ao 2 de Julho, o desfile do 7 de Setembro, palco das muitas manifestações de protesto contra a ditadura militar de 1964 quando estudantes eram abrigados no Mosteiro de São Bento correndo da Policia, de manifestações da cultura como poetas na Praça e de lançamento de inúmeros livros na Literarte, sede de três palácios governamentais – dois do governo do estado e um da Arquidiocese do Salvador - abrigo de 12 baianas do acarajé, centenas de figuras populares, onde é possível vê-se um monge andando no trecho do São Bento/Piedade e uma jovem surfista com sua praça no trecho Porto da Barra/Farol.

   Outra igual na cidade não existe. E tudo isso misturado ao mais dinâmico comércio popular da capital, maior espaço de serviços populares da Bahia desde amolar alicates e consertar relógios, áreas que se transformam no cair da noite e viram pontos de trottoir, universo de todo tipo de gente e batedores de carteiras a beatas, centro religioso, um mundo à parte na cidade do Salvador outrora Cidade da Bahia.

  Data do lançamento – 22 de abril
  Local – Centro de Cultura da CMS ao lado do Elevador Lacerda
  Das 17 h às 20h
  Produção da CMS selo Castro Alves – no lançamento o exemplar é gratuito.