Cultura

PREÇOS BAIXOS INSTALA CRISE NA PRODUÇÃO LARANJAS EM 30 MUNICÍPIOS BA

“Altos e baixos na agricultura são normais, mas esse momento de baixa está demorando demais. Corremos sérios riscos de quebrar a citricultura baiana se nada for feito”, alertou o citricultor Wilson Dias.
Tasso Franco ,  Salvador | 13/04/2026 às 18:07
Audiência pública na ALBA comandada pelo deputado Eduardo Salles
Foto: BJÁ

A Bahia é o quarto maior produtor de laranja do Brasil, mas, segundo o deputado estadual Eduardo Salles, o momento dos citricultores “é de uma crise terrível de preços baixos com possibilidade de desemprego em massa”. O parlamentar realizou, nesta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa, audiência pública para encaminhar aos governos estadual e federal “medidas imediatas que revertam ou minimizem a situação”.

São mais de 30 municípios dos territórios do Litoral Norte e do Recôncavo que respondem por cerca de 49 mil hectares de área plantada com citrus. Todos os participantes foram unânimes em apontar a queda do valor médio da tonelada para R$ 400,00, o que fica abaixo do custo de produção, como o maior problema enfrentado atualmente. Há dois anos o preço da tonelada chegou a R$ 2.500,00.

“Altos e baixos na agricultura são normais, mas esse momento de baixa está demorando demais. Corremos sérios riscos de quebrar a citricultura baiana se nada for feito”, alertou o citricultor Wilson Dias.

Presidente da COOPCITRUS de Rio Real, maior produtor da Bahia, Revailton Castro chamou a atenção que a crise na citricultura não afeta apenas o produtor rural. “As vendas no comércio local já tiveram queda de 70% porque estamos há mais de um ano nessa queda vertiginosa nos preços”.

Citricultor há 26 anos em Inhambupe, segundo maior produtor do Estado, Vagner Batista, da empresa Rota da Laranja, disse que se o produtor ficar sem condições de realizar os tratos culturais as portas para pragas hoje inexistentes serão abertas. “Não podemos correr esse risco”.

Pedro Lima, superintendente do Banco do Nordeste, revelou que cerca de 8.000 citricultores têm contrato com a instituição e a adimplência é superior a 99%. “As parcelas que vencem em 2026 dos contratos de custeio e investimento podem ser prorrogadas por um ano com a mesma taxa de juros. Já podem procurar sua agência”, informou.

O secretário estadual de Agricultura, Vivaldo Góes, disse que as 26 câmaras setoriais, entre elas a de citricultura, serão retomadas, vai se reunir com a UPB (União dos Municípios da Bahia) e a Secretaria Estadual de Educação para ajustar a compra de laranja para a merenda escolar, solicitou ao Ministério do Desenvolvimento Agrário R$ 10 milhões para serem investidos na CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e tentar com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico para conseguir a instalação de indústrias que absorvam a produção.

“Saímos com várias deliberações: a CONAB ajudar na compra efetiva de suco de laranja; instalação de indústria, porque não temos; conseguimos com o Banco do Nordeste a prorrogação por um ano dos débitos de custeio e investimento e garantia de novos contratos; ajustar com os governos estadual e federal o aumento na compra via PAA (Programa de Aquisição de Alimento), PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e venda direta e outras fundamentais para oferecer soluções ao setor”, concluiu Eduardo Salles.

Participaram também da audiência o superintendente do Ministério da Agricultura, Fábio Rodrigues, o presidente do DESENBAHIA, Paulo Costa, o superintendente da CONAB, Bruno Rodrigues, os prefeitos de Inhambupe e Rio Real, vereadores, o chefe-adjunto da EMBRAPA Mandioca e Fruticultura, Eduardo Andrade, representantes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, ADAB (Agência de Defesa Agropecuária da Bahia), FAEB (Federação da Agricultura do Estado da Bahia), FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia) e outras entidades.