Liliana Peixinho é jornalista
Liliana Peixinho , Salvador |
26/03/2026 às 11:40
Buzu, o curta
Foto: REP
"Buzu- O curta" retrata o valor de interações humanas e riqueza da diversidade cultural em Salvador
O filme está na lista "Panorama Internacional coisa de cinema".
Por: Liliana Peixinho
Diversos filmes, curtas, longas , documentários, estão em cartaz, em Salvador. No Cine Glauber Rocha, por exemplo, dia 26 (quinta-feira), e 31 (terça-feira), de março, tem sessões às 13: 30h, do filme " BUZU- O curta.
A produção do filme conta com profissionais de excelência em um mercado pulsante, mas ainda carente de apoio e recursos dignos ao trabalho intenso das equipes, em campo aberto ou fechado em studios.
“Buzu, o curta” retrata as relações interpessoais entre passageiros do transporte público de Salvador, a caminho de trabalhos e compromissos. Sob o comportamento atento do cobrador Antônio, o trajeto da viagem, do subúrbio Ferroviário à área nobre, Porto da Barra, Linha Paripe-Barra, as câmeras retratam muitas histórias durante o percurso. Os personagens vão surgindo em perfis de vida, com amor, carinho, solidariedade dor e alegrias. “Buzu”, documenta, retrata, enfatiza reverência ao feminino, à diversidade sexual e às pessoas mais velhas, além da particular harmonia sincrética entre religiões, em Salvador.
Excelência nas imagens
As cenas, bem trabalhadas no processo de edição, montagem, movimento de imagens, enfatiza cada vida que entra no “Buzu”, em detalhes de riqueza, força, beleza e alegria. O filme reforça o respeito ao próximo, a valorização da diversidade cultural.
No roteiro entre o começo e o fim de linha, em cada ponto, entre o sair e entrar de passageiros, as lentes captam a paisagem onde praias, ruas, arquitetura, o colorido transmitem uma identidade visual, como coadjuvante do filme. Imagens de uma fotografia dourada, como um pôr-do-sol na Barra.
O cotidiano no 'buzu' desvenda vidas cheias de nuances, como um momento especial de união e afeto entre os passageiros, revelando humanidade nas relações. O filme mostra que o "Buzu" é mais do que um meio de locomoção. É um microcosmo onde convergem diversas identidades de gênero e etnias, cada uma com suas histórias, problemas, dores e alegrias em comum, de viver em Salvador.
Mergulhos profundos
Profissionais que trabalham em produtoras baianas mergulham de forma profunda, atentos aos cenários da vida cotidiana, para traduzir nas telas, sentimentos, fatos, injustiças, dores, sofrimentos, desafios, como elementos sólidos de argumentos representados nas Artes. E o cinema é uma das ferramentas para expor histórias.
Berço de lutas
Berço de nascimento do Brasil, a Bahia encontra motivos de sobra para trilhar o caminho da Arte como instrumento de lutas e existencia potente de vida. Os atores para essa construção histórica rumaram, e rumam, planeta afora, em voz e presença ativas.
Caldeirão Cultural
O "molho" baiano, a história do Brasil com o Cinema, a interação com literatura, e outras artes, enriquecem esse caldeirão cultural. A criatividade acaba refletindo necessidades sociais, onde coragem e compromisso, enfrentam desafios de ponta a ponta da indústria Cultural.
Técnicos especiais
O trabalho técnico cinematográfico, com profissionais super especializados, movimenta bastidores, com cenas de muita ação, que não são projetadas nas telas do espectador. Trabalho de muita concentração e compromisso que renderiam enredos, roteiros, histórias.
Desafios
As cenas projetadas nas telas de filmes brasileiros, baianos, refletem realidades sobre exploração, negação de direitos, conflitos, em cenários complexos, que misturam miséria com política, fé com religião, dor com alegria, riqueza com status, perdão com esquecimento, desafios com alegria, futuro sem presente.
Cotidiano nas telas
Realidade e ficção se fundem como arte para reflexão cotidiana, como espaço de reconhecimento e identidade.
A Bahia tem história na arte do marketing, da publicidade, da disseminação de informação, casos, fatos, histórias. E usa esse talento como ferramenta artística múltipla.
Na trilha de campanhas ao Oscar, por exemplo, o Mercado cria impulsos diversos de propagação criativa. Tenta alimentar correntes que fortaleçam caminhos de produtores, diretores, assistentes e profissionais invisíveis. Profissionais que nem sobem na lista de créditos rápidos. Profissionais como logger, pesquisadores, coloristas, sem o devido reconhecimento da entrega, tempo, vida, que faz acontecer cada cena antes e depois do "câmera ação".
Fazedores de Cultura
São fazedores de cultura apaixonados e comprometidos com dias, noites, madrugadas, em agendas de desafios full time, sem trégua. Levantam ainda de madrugada para aproveitar a luz natural, enfrentam trânsito caótico, ambientes inseguros, se alimentam às pressas, estão sempre em alerta, como prestadores de serviços, sem retaguardas seguras, para fazer valer esforços em equipe, para rodar roteiros escritos em noites insones.
Vitrine e invisibilidade
Diversos filmes, curtas, documentários, estão em cartaz em Cinemas de Salvador, neste mês de março. Com uma lista de 130 filmes, a "Panorama Internacional coisa de cinema", uma mostra potente na promoção de trabalhos que alegram equipes de profissionais, apaixonados, entregues no fazer Cinema.
Voltar a frequentar as salas de projeções, com observado nos últimos dois anos, é movimento de valor Cultural importante na promoção do cinema como espaço interativo, rico em debate. Após a exibição dos filmes, tem acontecido rodas de diálogos, com as equipes de trabalho.
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Liliana Peixinho-Jornalista, ativista humanitária. Especialização em Jornalismo Científico, Cultura, Meio Ambiente. MBA em Turismo e Hotelaria Comunitário, Sustentável. Fundadora de grupos, mídias e movimentos independentes como Reaja-Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente, RAMA- Rede de Articulação e Mobilização Ambiental, Mídia Orgânica, Movimento AMA- Amigos do Ambiente, O outro no eu, Catadora de Sonhos, Cuidar de quem cuidou.
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