Liliana Peixinho é jornalista
Liliana Peixinho , Salvador |
08/03/2026 às 11:23
Mulher brasileira, lutadora pela sobrevivência
Foto: BJÁ
Entender e valorizar o poder de ação da mulher no cotidiano, é mergulhar profundo no sentido do ser múltiplo, corajoso, sensível, entregue ao compromisso do bem-viver coletivo.
Seja na família, cuidando uns dos outros; seja no trabalho fora de casa, enfrentando injustiças, preconceitos, jornadas exaustivas; seja em coletivos sociais para criar, inovar, formar redes de apoios para ajudarem-se mutuamente, seja onde for, os desafios são constantes e exigem muita coragem e compromisso com o outro.
Esmurecer, procrastinar, deixar de sentir o ambiente como espaço que requer cuidados nos detalhes, que exige experiência, e precisa de dedicação, não fazem parte de uma agenda onde o tempo é sempre urgente e necessário para romper ciclos perversos de desrespeito, negligência, abuso, violência.
O conceito de prevenção, como instrumento poderoso de potencializar a vida, acompanha o fazer diário da mulher. E quando tem a importante presença ativa do outro, ao lado, o fazer se torna mais leve, prazeroso.
A entrega da mulher como filha, irmã, companheira, mãe, tia, avó, vizinha, amiga, simbolizam a força de alerta como "Marias", que choram, que tem fé, que desbravam, que são correria, guerreiras que não foge à luta. E não é justa essa saga histórica .
Como o fardo foi sempre pesado para o múltiplo fazer, em qualquer parte desse planeta, que tenhamos consciência de que não é troféu de guerreira que a mulher precisa. Ter um tempo para cuidar de si, em saúde, dignidade, respeito, já seria um grande, importante, e necessário presente de vida.
Entre a doçura, a dor, e a delícia do Ser mulher, vidas são sucumbidas de forma indigna, injusta, invisível, violenta. Tentar cultivar, projetar, fazer valer a força da voz histórica interior, requer espaços de visibilidade, de valorização, de liberdade, de garantia de direitos em leis ainda não verdadeiramente asseguradas na prática, no cotidiano, na vida real.
Quando a mulher busca assegurar direitos sobre o seu Ser, inteiro, de pensar e agir, seja como se vestir, se posicionar, se manifestar, a sociedade e seus comportamentos desrespeitosos, resiste, reprime, nega, violenta, e mata.
No Brasil, a cada seis minutos, uma mulher é morta, violentamente. O sistema de Educação passa longe no combate às origens, às causas, dessas estatísticas. Se em casa é onde tudo começa, como devemos agir para transformar problemas como desigualdades diversas, em ação de potência coletiva?
Aí lembro da pia, com pratos usados no almoço do Dia das Mães, preparado por ela mesma, para a família. Quando vão embora, sem se ater a esse cuidado de consciência coletiva, como pode pensar em amor, sem a ação no fazer, que garante esse sentimento?
* Liliana Peixinho é jornalista, especialização em Jornalismo Científico, Meio Ambiente, Cultura, com atuação em Mídia, Meio Ambiente, Direitos Humanos. Ativista socioambiental humanitário, fundadora de Movimentos como Amigos do Meio Ambiente (AMA), Rede de Articulação e Mobilização Ambiental (RAMA), Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente ( REAJA), Mídia Orgânica, O Outro no Eu, Cuidar de quem Cuidou, Catadora de Sonhos