Cultura

CARLA PEREZ PEDE DESCULPAS POR ATO VISTO COMO RACISTA DURANTE O MOMO

A cantora pediu desculpas em nota porém o video já tinha sido viralizado
Da Redação ,  Salvador | 17/02/2026 às 11:19
Carla Peres, sem noção
Foto: REP
      a dançarina e apresentadora Carla Perez se envolveu em uma polêmica no Carnaval de Salvador de 2026 após viralizar um vídeo em que aparece nos ombros (costas) de um segurança negro durante o desfile de seu bloco infantil, "Algodão Doce". 

   A cena foi interpretada por internautas e ativistas como uma alusão a relações de escravidão (comparando a uma "sinhá" e seu serviçal), gerando fortes acusações de racismo nas redes sociais. 

   A cantora Carla Perez se pronunciou nas redes sociais nesta segunda-feira (16) após viralizar um vídeo em que aparece nas costas de um segurança negro durante o Carnaval. A artista foi acusada de racismo por internautas e afirmou que reconhece a gravidade da imagem.

“A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada”, escreveu.

Em outro trecho, ela destacou a importância histórica da festa. “O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência. Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega. Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas”, completou.

Carla afirmou que subiu nas costas do segurança para ficar mais próxima das crianças que acompanhavam seu bloco Pipoca/Algodão Doce, quando foi gravada e o momento passou a circular nas redes sociais.

No X, antigo Twitter, usuários criticaram a cena. Entre os comentários, internautas escreveram: “Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno Carnaval de Salvador”; “Audácia da Carla Perez. Não pode pisar no chão?”; e “foi até o presente momento a pior desse Carnaval”.

Uma das críticas partiu da influenciadora e acadêmica Carla Akotirene, que afirmou ter deixado de celebrar o Carnaval este ano por não se sentir “à vontade de lidar com pretos nesta situação”.

“Acríticos dirão que o trabalhador não está sendo forçado a carregar a loira; outros dirão que ela é parda, como se o colorismo fosse irrelevante nas dinâmicas raciais. Minha xará, Carla, ganhou muito dinheiro dançando axé e sabe que, neste caso, ela ‘nasceu pra ser cabeça e o pobre preto calda’”, escreveu Akotirene.

A professora e escritora Bárbara Carine também comentou o vídeo, afirmando que as imagens causam desconforto em pessoas negras. “Eu vou nomear esse desconforto: ele é proveniente de uma imagem de subalternidade que foi historicamente construída para pessoas negras a partir da lógica escravocrata”, explicou.

A dançarina reiterou o pedido de desculpas e afirmou reconhecer o erro. “Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas. Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural”, declarou Carla Perez