Padre negro Jailson de Deus fez uma apelos pelas redes sociais a comunidade negra, mas, não teve resposta ao seu reclame
A revolta completou 191 anos no último dia 24 e foi reprimida pela força militar colonial portuguesa instalada em Salvador, com a execução de dezenas de negros e a deportação, e é um dos acontecimentos mais importantes da história da negritude na cidade do Salvador. Há, inclusive, excelentes livros sobre esse episódio, o melhor deles do historiador João José Reis.
O templo da pracinha dos 15 Mistérios era onde a comunidade negra (em parte) preparou e organizou a revolta e onde funcionavam irmandades – a dos Homens Pretos de Nossa Senhora do Rosário dos 15 Mistérios e de Nossa Senhora da Soledade dos Desamparados – e está abandona, rachado, repleto de cupins, com matos no telhado e nas torres e pode cair a qualquer momento.
O padre Jailson fez uma gravação e aparece em frente à igreja e a uma reportagem do jornal “A Tarde”, de 2000, que foi ampliada e posta em banner, quando se anunciava que a igreja seria restaurada e havia recursos para isso, mas depois de 25 anos, continua abandonada e “não temos sequer condições de entrar no templo para verificar o seu estado”, diz o pároco, que é negro e está revoltado com essa situação, pois, apesar dos seus apelos, ninguém o atende.
O padre faz um apelo “aos movimentos negros da Bahia, aos historiadores, aos artistas que se mobilizem se unam a nós para cuidarmos dessa igreja” e destaca que. Já pediu a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e não obteve resposta, também ao secretário de Cultura do governo do Estado, Bruno Monteiro, sem resposta; e PHAN e IPAC não responde sequer seus e-mails.
O apelo final do padre foi o seguinte: “Peço a todos que amam a cidade do Salvador, que amam a cultura a história e a memória, que possam se movimentar para que esta igreja não seja demolida e o local se torne estacionamento, e a memória negra possa ser apagada da história () Não podemos ficar repetindo o mesmo esquema comum pão e circo. Nós precisamos é de cultura arte e história, pois foi o povo negro que construiu essa história” foi o apelo final do pároco.
COMENTÁRIO DO BJÁ
A questão essencial é que a comunidade negra que atua no segmento dos protestos, da chamada intelectualidade negra, está nos braços do petismo baiano e não vai se indispor com essa estrutura governamental bem assentada e que a ajuda noutros projetos, provavelmente, o de maior visibilidade e grana, seja o Carnaval Ouro Negro.
Maragreth Menezes é da cota de Janja/Lula e com Lula essa comunidade nem os artistas baianos citados pelo padre se mobilizam. O padre, portanto, vai ficar falando sozinho. O guardião dessa área, o franco-baiano Dimitri Ganzelevitch, vem falando desses problemas do Santo Antônio Além Carmo, através de “A Tarde” há anos e está se aproximando do seu centenário, e nada acontece. Ou pouco acontece. Os cupins, inclusive, estão comendo o interior da Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, onde o padre Jailson é titular.
Ano passado estive com ele na festa de Santo Antônio quando foi nomeado para essa função e ele me contou esse drama, mas, era novo na paroquia e não quis botar a boca no trombone. Agora, botou. Trombonou em frente a Igreja dos 15 Mistérios. Quase chora e disse que a memória dos negros não pode ser sepultada dessa forma. (TF)
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