Uma belíssima série em 6 capítulos em exibição no canal Netflix que se passa na Sicília, 1860, época da Unificação Italiana com Giuseppe Garibaldi
Seap Ocnarf , da redação em Salvador |
05/04/2025 às 18:10
O drama do príncipe de Salina
Foto: DIV NETFLIX
A série para a televisão "O Leopardo" - adaptação do clássico romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, disponível no catálogo da Netflix (6 episódios) é dessas séries que encantam pela beleza dos personagens, do enredo, figurino e da paisagem e costumes italianos, o que dá um prazer enorme em assisti-la até de um fôlego só.
A produção italiana é extremamente cuidadosa com os cenários e os figurinos da época de unificação da Itália, século XIX (1860), com as ações revolucionárias de Giuseppe Garibaldi (1807-1882) general que participou da unificação da Itália e também lutou na Revolução Farroupilha no Brasil, por isso, é conhecido como o "herói de dois mundos”.
A série foi dirigida por Tom Shankland, com a colaboração de Laura Luchetti e Giuseppe Capotondi acertou no alvo ao mostrar como vivia e se comportava a aristocracia siciliana das mais sólidas do país da bota, vivendo com extremo refinamento, e enfrentou esse problema para sobreviver com o mesmo glamour e poder. O diretor, por posto, esquece (ou não foca) em Gabibaldi e se concentra no principe de Salina e sua familia.
O romance de Lampedusa é histórico e já pontilhou no cinema com o milanês Luchino Visconti, noutra época, em 1963. Essa adaptação para a Netflix tem o mesmo enredo e mostra a família de Don Fabrizio Corbera, príncipe de Salina (interpretado por Kim Rossi Stuart), que vê seu mundo ser abalado pela revolução, embora, na série, ele passe sempre tranquilidade aos olhos do telespectador e não alvoroço ou temor e articula, não pelas armas e sim pelo amor organizado por ele, uma saída.
Para assegurar o futuro de sua família, ele considera uma aliança estratégica: o casamento de seu sobrinho Tancredi, um jovem revolucionário garibaldista bem sucedido (Saul Nanni) com a bela e rica Angelica (Deva Cassel), filha de um prefeito onde tinha seu palacete de verão.
No entanto, essa decisão partiu o coração de sua filha predileta, Concetta (Benedetta Porcaroli), que nutria sentimentos por Tancredi e vice-versa.
A série explora a decadência da aristocracia e a ascensão de novas forças sociais, em especial na figura do pai de Angélica, o prefeito Don Calogero (Franceso Colella) que vai se tornar senador e representa a corrupção reinante na época e que, apesar da revolução, continuou impávida e crescente.
O elenco com Kim Rossi Stuart no papel de Don Fabrizio, Benedetta Porcaroli como Concetta, Deva Cassel interpretando Angelica e Saul Nanni como Tancredi, têm desempenhos fantásticos.
O final da para entender que haverá continuidade pois Don Fabrizio consegue aos trancos e barrancos a sobrevivência do império econômico de sua familiar, rejeita a senatória ou qualquer cargo público de prestigio no novo governo, perde um filho que treinava para ser seu ssubstituto no poder numa briga por disputas de terras, morre de um infarto quase fulminantes nos jardins de sua mansão em Palermo e sua filha Concetta, ao ampará-lo, dá sinais de que será seu sucessor, nos negócios e no poder aristocrático. (SO)