ESCANCARE-SE PEDRO, A PORTA E SEUS AÇUCARES

Luiz Mário Nogueira
28/06/2024 às 10:32
E S C A N C A R E-S E, P E D R O

  Escapadiço, ora velando a carruagem de andorinhas, outra garantindo a sorte futura, a minha mansão cismava com as cores de cada rosto enclausurado no chão de cemitério. No sopro de esperança, discórdia e frenesi arrebentavam diamantes.

 Pedro, falas meigas e ameaçadoras, bulia a minha memória e encardia a linha de cruzes que apenas choravam lágrimas de obediência. Arregalares de olhos azoavam com rigor as janelas da promessa. 

  A porta trancada e seus açúcares faziam-me, em forma de constelação, pensar nos desafortunados, nos arengueiros, inflamado hospício ao bater as botas. Alinhavava os meus agachares de lamento e piedade e insinuava-me santo.

  Chiados de músicos que cantam em castiço amornado num altar sem clarão, enseada de lustre e desdouro abocanhavam a maciez de seu chamado. Pedro nunca me pareceu dócil.

  Consinta-se Pedro e sem a navalha que fere, desate a ponte entre a terra e o céu.