Um local de beleza e sofrimento que conta uma época da história da Bahia
Tasso Franco , Salvador |
25/01/2026 às 11:00
Arquitetura do século XVIII, 4 pavimentos com capela geminada, exemplar raríssimo
Foto: BJÁ
A Casa Grande e Capela de Nossa Senhora da Conceição da Freguesia que abrigam o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho são imponentes até os dias atuais, tanto vistas do mar; quanto da terra e nos seus interiores. São 4 pavimentos de beleza única na Bahia.
Morada erguida como sobrado com primeiro e segundo andares com eirado (mirante) construídas em pedra e cal com a caixa de paredes mestras, contigua à dita casa de vivenda uma capela, acrescentando os consistórios, sacristia, átrio e campanários e coro com forro, e uma escadaria que servia aos visitantes ilustres. Para a família, como a capela é geminada, há um acesso lateral por uma das portas que dá direto ao átrio.
O conjunto é considerado um dos exemplares raros da arquitetura do século XVIII e possui 57 cômodos distribuídos pelos pavimentos, além das áreas de circulação. Tem até um pátio, estilo mosteirinho, no seu interior.
Os dois monumentos integrados como único - casa grande e capela - foram implantados da forma a facilitar o escoamento das águas seguindo a encosta do terreno, com fachadas voltadas para o mar, e fluxos separados entre áreas de serviço e nobre, os dois nunca se tocando.
As áreas de serviço eram constituídas de um porão, 1º pavimento, com 4 cômodos de depósitos. O térreo, considerado segundo pavimento, duas salas, pátio, um depósito e 9 quartos, sendo que essa área não tem conexão com nenhum pavimento, sua entrada apenas por portas laterais.
O andar chamado de nobre - a morada propriamente dita - 3º pavimento - tem 2 pátios, 10 quartos, 2 cozinhas com uma copa, e 4 salas, onde se instala, também, o térreo da capela formada pela nave, altar e sacristia, com ligação com o pavimento superior.
Ou seja, as famílias dos Barão de Passe e do Barão de Cotegipe e outros que habitaram o local quando iam orar não precisam sair do casarão e tinha acesso ao templo religioso pela lateral.
Creio que para arquitetos esse é um exemplar a ser analisado e estudado e certamente chama muito a atenção. O mirante (não aberto ao público) tem um solar, 3 salas e 3 quartos.
Todo o edifício conta com ornamentos e todas as fachadas contém colunas dóricas e todas as aberturas e esquadrias têm formas ogivais e molduras que remetem ao estilo clássico. Creio – não sou arquiteto – que a reforma atual obedeceu, o mais que foi possível essas formas. Claro, com iluminação, ar condicionado, elevadores, etc.
O local onde funcionava a fábrica do engenho não está aberto ao público e era um edifício em forma de L com telhas de barro e estruturas de madeira, tendo 6 ambientes com sala de purgar, uma casa de cozimento, uma casa das moendas, encaixamento e picadeiro; e havia a área da senzala onde os escravos dormiam.
As informações são de que esses locais será estruturados mais adiante. (TF)
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