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EU FALEI FARAÓ... A NOVA AFRICA: COMO O EGITO TORNA DESERTO PRODUTIVO

É essa nova África que os baianos precisam conhecer e se antenarem
Tasso Franco , da redação em Salvador | 22/02/2026 às 13:38
Egito
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  Imagens de satélite revelam a rápida transformação de áreas desérticas no Egito em áreas verdes, com "quadrados" de cultivo surgindo em regiões antes áridas. Projetos como o "New Delta" e a "Serapium Forest" utilizam técnicas avançadas de irrigação com água residual tratada, transformando o deserto em oásis agrícolas e florestais, monitorados por alta tecnologia para combater a escassez de alimentos e água. 

  Projetos de Grande Escala: O projeto New Delta, localizado a noroeste, visa irrigar até 2,2 milhões de fedãs com um sistema de canais e tecnologia de ponta.

  Reflorestamento Sustentável: A Serapium Forest utiliza biofertilizante líquido proveniente de tratamento de esgoto para plantar árvores de alto valor econômico, como eucalipto e mogno, em pleno deserto.

  Tecnologia e Monitoramento: O monitoramento é feito por satélites e drones, permitindo visualizar a mudança dramática da paisagem de areia para áreas cultivadas, com uso de irrigação por gotejamento e sensores.

  Desafios e Objetivos: O objetivo é garantir segurança alimentar, reduzir a dependência de importações e enfrentar a mudança climática, apesar do custo elevado (superior a 13 bilhões de dólares) e desafios de salinização. 

  Esses esforços de engenharia visam criar uma nova fronteira agrícola, aliviando a pressão sobre o Delta do Nilo e demonstrando um uso inovador de recursos hídricos finitos. 

   (Publicação da Viver Melhor Portugal) 

20 de fev. de 2026 — Satélites capturam os esforços de reflorestamento do deserto do Egito. ... Há imagens que nos ficam na cabeç. O local recebe o esgoto de mais de 500 mil habitantes, tornando-o ideal para abastecer todo o plantio que cresce em suas margens.

Plantar árvore no deserto já soa estranho, usando efluente de esgoto fica ainda mais confuso. Mas, essa é a estratégia usada por um programa de pesquisa no Egito. O trabalho teve início na década de 90, com o intuito de promover a ecologização de 36 pontos diferentes no deserto. A floresta Serapium é um dos frutos deste trabalho.

O processo de florestamento está localizado em uma bacia de drenagem para efluentes de esgoto a duas horas de Cairo. O local recebe o esgoto de mais de 500 mil habitantes, tornando-o ideal para abastecer todo o plantio que cresce em suas margens.

Os pesquisadores criaram um modelo de floresta que mescla espécies nativas e exóticas de grande valor, como o eucalipto e o mogno. O solo é coberto por folhas e possui tubos de irrigação que levam água e nutrientes às árvores. O abastecimento é feito duas vezes ao dia e cada árvore recebe, em média cinco litros de água.

Como este é um recurso escasso no deserto nada de água potável é usado no processo. Todo o sistema é abastecido com os efluentes de esgoto, que passam por duas fases de tratamento antes de serem liberados na plantação. Na primeira etapa são retirados os resíduos sólidos e na segunda são incluídos micróbios e oxigênio, para decompor os materiais orgânicos.

O que chega às árvores é um líquido com alta concentração de fosfato e composto de azoto, que funcionam como excelentes fertilizantes naturais. Por conta disso, o processo deixa o crescimento das árvores muito mais rápido do que o tradicional, mesmo estando em condições climáticas tão adversas. Um eucalipto, por exemplo, leva 15 anos para crescer no Egito e alcançar o mesmo tamanho que na Alemanha levaria, em média, 60 anos.

Apesar de ser um processo com alto teor de nutrientes para o solo, ele não é adequado para o cultivo de alimentos. Neste caso, os efluentes teriam que passar por uma terceira fase de tratamento antes de seu usado nas hortas. Mas, esta é uma opção para tornar o deserto uma área produtiva, elevando a economia local, ao mesmo tempo em que colabora para o controle da desertificação. Já que, segundo a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a FAO, considera que os desertos se espalham a um ritmo de 23 hectares por minutos.