Com informações do Portal Libertarianismo
Tasso Franco , da redação em Salvador |
10/10/2015 às 18:43
As torres de energia eólica estão esapnhadas em todo território da Alemanha
Foto: BJÁ
O governo alemão quer que 80% de sua matriz energética seja produzida por fontes renováveis em 2050; biomassa, energia eólica e solar atualmente fazem parte de cerca de 25% da demanda de eletricidade do país. O país começou a desligar usinas de combustível fóssil e está planejando desligar a energia nuclear até 2022.
Porém, o custo destas mudanças tem resultado em mais de 800.000 proprietários não sendo capazes de pagar suas contas de luz e colocou uma pressão sobre a capacidade existente da rede elétrica. Embora a Alemanha tenha feito investimentos significantes em fontes eólicas e solares, o país encara um déficit de energia parcialmente por causa das linhas de transmissão insuficientes para levar a energia eólica do Mar Norte para os centros industriais no sul do país e parcialmente por causa do sol não estar sempre brilhando e o vento nem sempre soprando.
Em média, 34% da renda familiar líquida na Alemanha é gasta com aluguel e energia. De acordo com a Associação dos Donos de Casa e Apartamentos (Association of House and Apartment Owners), o preço da energia tem aumentado muito mais do que os aluguéis nos últimos 15 anos. E, de acordo com a Associação, os custos com aquecimento e água quente compreendem 41% das contas em média e esses custos estão aumentando.
No próximo ano, espera-se que o preço da eletricidade na Alemanha aumente mais de 10%. Parte deste aumento é gerado pela sobretaxa para cobrir os custos de utilização de energia renovável. A sobretaxa incidente na energia renovável é a diferença entre o preço garantido a ser pago pelo uso de energia renovável e o preço de mercado pelo uso de energia convencional. A sobretaxa sobre a energia renovável aumentará 47% – de 3,6 centavos de euro (4,7 centavos de dólar) por kilowatt-hora em 2012 para 5,3 centavos de euro (6,9 centavos de dólar) por kilowatt-hora em 2013.
Esses aumentos no preço da eletricidade estão longe de terminar. Uma residência alemã com três quartos paga em média 40,60 euros ($52,98 dólares) por mês em eletricidade em 2000; agora custa 75,08 euros ($97,98 dólares), um aumento de cerca de 85%. Dependendo da expansão da energia eólica offshore e da energia fotovoltaica, espera-se que o preço da eletricidade aumentará mais 30 a 50% nos próximos dez anos.
Recentemente, a Alemanha ocupou manchetes do mundo todo ao anunciar que abandonaria a energia nuclear em favor de energias renováveis, adotando o programa de transição energética conhecido como energiewende. Essa transição, porém, sofreu um freio de arrumação com a entrada em vigor da nova lei de incentivo às fontes de energia renováveis. A EEG 2.0 (Erneuerbare Energien Gesetz – Lei das Fontes de Energia Renováveis), que representa um forte ajuste na política energética alemã de apoio a essas fontes, é resultado de intensas pressões advindas principalmente dos setores industrial e elétrico alemão, assim como da própria Comunidade Europeia.
O energiewende, que tem custo estimado de um trilhão de euros até 2030, sofreu abalos principalmente por causa da subida vertiginosa das tarifas de energia elétrica, consequência, entre outros motivos, da forte expansão da energia solar subsidiada por um esquema de tarifação que garante sua rentabilidade pelos próximos 20 anos.